crónica Desapegue-se e conseguirá ver Não se pode servir a dois senhor
Jornal de Espiritismo nº 1 · Novembro 2003Página 956 min
Desapegue-se e conseguirá ver
Não se pode servir a dois senhores, porque se servirá melhor a um do que a outro, ensinou Jesus.
Ainda nas suas palavras, não é possível servir em simultâneo Deus e Mamon, sendo este último uma divindade de certo povo da época. E «O Evangelho Segundo o Espiritismo», de Allan Kardec, desdobra o tema, demonstrando que os entes mamónicos são tudo o que limita o homem pelo seu apego à matéria, seja esta vista como a eleição suprema de bens materiais sobre tudo o resto, seja o estar agarrado como uma lapa a cargos que, na aparência, darão poder ou importância, seja no movimento espírita ou fora dele.
De uma maneira ou de outra, ao estudar-se espiritismo compreende-se com facilidade que todo o cenário da passagem de cada um de nós pela Terra como espírito encarnadoleiase por força da reencarnaçãofoi definido segundo as necessidades evolutivas de cada pessoa vista como uma individualidade. Uns precisam desenvolver mais que outros a fraternidade, outros precisam deixar para trás a preguiça mental, outros querem compensar aqueles que prejudicaram em vida anterior, outros...
Ou seja, matriculamo-nos na vida material ao renascermos e, gozando a breve prazo de um benéfico esquecimento do passado
reencarnatório e da erraticidade, como se entrássemos numa escola, aparecem, à medida que se torna oportuno, os materiais de aprendizado, como o lápis e a borracha, o caderno e o livro, e mesmo a sala de aula e a professora. Ao renascermos, os recursos de aprendizado chamam-se família, eventualmente profissão, quadro sociocultural, etc.
Daí que, como ensinam os espíritos esclarecidos, seja uma ilusão confundir o usufruto desses recursos de aprendizado com a sua posse, que nunca existe a não ser sob o poder do calendário: hoje gozaremos disto e daquilo, mas para o ano que vem, ou até amanhã, quem sabe?
Que pensaríamos de um aluno que usasse o seu tempo escolar apenas para idolatrar o lápis e a borracha, o caderno e o livro, sem os usar como trampolim para outros domínios do conhecimento?!
Nas reuniões mediúnicas a vida revela-se. Um espírito desencarnado com características de idoso pai de família manifesta-se. Fala através de um médium na reunião adequada. Ferido no seu amor-próprio confessa a quem tem por tarefa ajudá-lo que a sua própria família já não o respeita! As vezes está a ver televisão no seu sofá predilecto, como é hábito. Surge um qualquer familiar e, se não se levanta, não é que se lhe sentavam no colo? E pior: deixaram
A espiritualidade vai despertando cada vez com mais força junto dos jovens. A vontade de falar com os espíritos é grande e por vezes metem-se em aventuras que podem ser perigosas, como o jogo do copo.
05h10 da manhã. O telefone tocou! Alvoroço em casa, pensa-se logo o pior! Quem terá morrido? Quem terá tido um acidente? Ou alguma brincadeira de mau gosto por parte de quem tem insónias? Não, não era brincadeira. O telefonema era a sério.
Uma amiga nossa, de 15 anos de idade, de uma cidade vizinha, estava do outro lado da linha, num descontrolo nervoso por demais evidente. A história conta-se em breves pinceladas.
Sofia, de 15 anos de idade, tinha feito uma sessão mediúnica para tentar falar com os espíritos, e assim tentar saber notícias do seu primo, há cerca de dois anos desencarnado (falecido) num desastre de moto. Juntou-se mais uns amigos e já não era a primeira vez que o faziam. A volta de uma mesa utilizavam o jogo do copo, com um abecedário em volta, a palavra sim e não, números de 0 a 9 e invocavam a presença de pessoas já falecidas. Nessa noite, Sofia vira o copo a mexer (como aliás das outras vezes) e ao perguntarem quem estava presente a resposta fora: "Satanás". Entre outras "revelações" chocantes, acabaram por terminar o jogo.
Ela, Sofia, ficou assustadíssima, não conseguia
dormir, pois acreditava que tinha comunicado com o Satanás.
Lá lhe explicámos que o Satanás não existe, que diabos somos nós quando praticamos o mal, etc. Foi-lhe explicado que não acreditasse no que fora dito pois eram espíritos galhofeiros, que pretendiam explorar a credulidade alheia para se divertirem com a inexperiência desses jovens. Com um pouco de tempo, a jovem lá se acalmou sob juras de nunca mais voltar a fazer tal brincadeira.
Temos recebido na associação onde colaboramos, nas Caldas da Rainha, muitos reportes de jovens que aparecem perturbados depois de fazerem o jogo do copo. Aconselhamos vivamente a que não o façam, pois podem correr sérios riscos de perturbação espiritual.
O contacto com o mundo espiritual é perfeitamente natural, mas, como tudo na vida, obedece a certas normas de segurança que urge conhecer. Não pegamos num automóvel sem aprender a conduzir, não nos submetemos a um exame escolar sem estudar previamente. Também assim, quem pretende comunicar com o mundo espiritual pode fazê-lo, mas deve estudar primeiro, informar-se e depois, dentro de certas condições de segurança, então poderá efectuar esses contactos normalmente. Aconselhamos as pessoas a estudarem os livros de Allan Kardec, nomeadamente «O Livro dos Médiuns» que explica todas as nuanças desta actividade. Igualmente se aconselha que as pessoas interessadas neste intercâmbio, se
de lhe pôr prato à mesa! Fala-lhes, para reclamar, e não há um que lhe responda!... E lei da natureza: o apego aos bens materiais limita as percepções dos espíritos. Outras vezes é o professor catedrático ou então o religioso de alto cargo que o aponta, na voz do médium, mas que ainda não descobriu que fazer da vida espiritual em que se encontra, sem conseguir ver os espíritos que o podem encaminhar. Se for algum espírita, provavelmente evitará identificar-se... por vergonha.
Quando Allan Kardec escreve «fora da caridade não há salvação», refere-se a isso. De nada nos serve o conhecimento proporcionado pelo espiritismo se não nos tornarmos no quotidiano melhores pessoas. Se nos ofendem, seja mais problema do ofensor que nosso. Ensina o espiritismo que o perdão é libertador. Se nos desprezam, saibamos que Deus conhece como ninguém a seriedade dos nossos propósitos. Se lhe dizem que correm consigo a pontapé, guarde-se na sua paz já que a consciência tranquila é o maior bem. A vida propõe: saibamos reter dela o que constrói e nos possa trazer amadurecimento. Isso fica, edifica e oferece bem-estar interior. Tudo o resto é demasiado efémero.
dirijam a uma associação espírita, se informem, e apenas pratiquem a mediunidade dentro da associação espírita, onde o podem fazer em segurança, se aí não houver qualquer tipo de interesse e / ou comércio.
O Espiritismo é uma doutrina universalista, e como tal, qualquer pessoa pode dentro dos parâmetros de segurança que Allan Kardec estabeleceu em «O Livro dos Médiuns», comunicar com o mundo espiritual, o que lhe confere a autenticidade do fenómeno, já que não depende da crença no Espiritismo ou em outra corrente filosófica e / ou religiosa para que se obtenham resultados.
No entanto, reforçamos, não o devem fazer nas escolas, em casa, por curiosidade ou divertimento, mas devem contactar uma associação espírita, estudar e, aí sim, quando tiverem oportunidade, integrarem-se nas suas actividades.
O Espiritismo é uma doutrina muito lógica, que corresponde às expectativas de todos. Explica o porquê da vida, das suas dessemelhanças, e abre novos horizontes para o porvir do homem. Inobstante, como qualquer ciência, tem de ser... estudado. E, para isso, não há nada melhor do que começar por «O Livro dos Espíritos», «O Evangelho segundo o Espiritismo», «O Livro dos Médiuns», «A Génese» e «O Céueo Inferno», todos eles de Allan Kardec.
Por José Lucaslucas&clix.pt

