Ficha Técnica
Jornal de Espiritismo nº 14 · Janeiro 2006Página 24 min
Editorial FICHA TÉCNICA Jornal de Espiritismo Periódico Bimestral Director: Ulisses Lopes Editor: Jorge Gomes Maquetagem: www.loucomotiv.com Fotografia: Loucomotiv e Arquivo Tiragem: 2000 Exemplares Registado no Instituto da Comunicação Social com o n.º 124325 Depósito Legal: 201396/03 Administração e Redacção ADEP Rua do Espírito Santo, N.º 38, Cave Nogueira – 4710-144 BRAGA Assinaturas Jornal de Espiritismo Apartado 161 4711-910 BRAGA E-mail jornal@adeportugal.
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E exortam ao reconhecimento de impera- tivos renovadores com vista a uma nova aurora. Ano velho … Ano novo … Infindáveis está- dios de renovação! Ainda que alguns povos e países come- morem o Ano Novo em diferentes datas, o certo é que o início de cada ano marca um novo ciclo de vida. E também o res- surgimento de ideais não concretizados. Particularmente na civilização ocidental, Janeiro enche de alegria, esperança e amor os corações que, ainda na Terra, buscam a felicidade permitida, num vaivém de indis- cutíveis realidades.
Efectivamente, em Janeiro inicia-se um Ano Novo. Desta vez, dir-se-á que 2006 está aí. Será bem longo… e mesclado de expia- ções e provas, de acordo com os débitos do passado. Para muitos, o “melhor de todos os anos” da sua vida. Para outros, o “pior entre todos” e, para alguns, nova oportunidade de renascer para novos pensamentos e com- portamentos, face ao caminho já percorrido na estrada das suas vidas. Mas, buscar o aperfeiçoamento em cada ano que recomeça através de desejos de um melhor autoconhecimento que vise a ampliação da consciência, o equilíbrio psíquico e emocional, o resgate da auto-es- tima, a harmonia com o Universo e a activa- ção da sensibilidade e da criatividade, nada mais é do que interpretar as inesquecíveis lições do Mestre Jesus, decorrentes do seu inolvidável ensino.
Espalhando as mais claras visões da vida imortal, ensinou às criaturas terrestres que os fundamentos eternos da justiça, da verdade e do amor exigem propósitos de renovação e trans- formação moral, através das inúmeras oportunidades de renascer. Como os anos civis, também a alma humana precisa morrer para poder nascer novamente. O grande ensinamento está no aprendizado permanente a que esta se devota no alcance do prazer de cada conquista e no entendimento do signifi- cado de cada derrota.
Resta acautelar a eternidade futura mediante a procura do valor incontestável de soluções racionais que melhor convenham ao progresso e à infalível obrigatoriedade de aprender, nos variadíssimos momentos da existência humana, através dos incessantes esforços que compõem a árdua rota do espírito na trajectória ascensional. E Janeiro “carrega” consigo belas oportunidades para renovar e desenvolver as faculdades ou as virtudes que fazem falta à criatura humana!
“Agarrando” as palavras do escritor brasileiro Carlos Drummond de Andrade, expressas no poema «Receita de Ano Novo». Para “ganhar um ano, não apenas pintado de novo”, o homem não deve equacionar boas intenções para, em seguida, “arquivá-las na gaveta”, nem esperar que “por decreto de esperança, a partir de Janeiro as coisas mudem”, sem o forte contributo do seu esforço pessoal. Em contrapartida, atesta mesmo que “para ganhar um Ano Novo, que mereça este nome”, é preciso granjeá-lo, “fazê-lo novo”, mesmo sabendo que não é fácil.
Pelo menos, deve-se tentar, experimentar conscientemente, porque é dentro de cada um que o Ano Novo “co- chila e espera desde sempre.” Seria infindável a lista de nomes de cria- turas, encarnadas e desencarnadas, que se preocupam em aconselhar os outros seres na conduta que arrebata ao renascer da consciência para a realidade espiritual que se impõe, através dos mais diversos meios de comunicação que a humanidade conhece.
Entretanto, e sem menosprezo pelos outros, as palavras sábias de Santo Agostinho ditam excelentes fórmulas de renovação, ao assegurar que, posta “no fundo do coração a raiz do amor”, dela “não pode crescer senão o bem”. Ninguém duvida que é salutar festejar a esperança neste ano que se inicia. Buscar o amor que renova e corrige. E abrir os braços do coração para enlaçar os desejos mais íntimos, porque eles vão penetrar o Infinito, juntar-se às estrelas e criar raízes no interior de cada ser.
Feliz Ano Novo!... Texto: Eugénia Rodrigues Conta-se que um velho árabe analfa- beto orava com tanto fervor e com tanto carinho cada noite que certa vez um rico chefe de uma grande caravana o chamou à sua presença e perguntou-lhe: — Porque oras com tanta fé? Como sabes que Deus existe, quando nem ao menos sabes ler? O crente fiel respondeu: — Grande senhor, conheço a existência de nosso Pai Celestial pelos sinais dele.
— Como? Indagou o chefe admirado. O servo humilde explicou-se: — Quando o senhor recebe uma carta de uma pessoa ausente, como reconhece quem a escreveu? — Pela letra, pelo estilo, pela maneira de se expressar. — Quando o senhor recebe uma jóia, o que o informa quanto ao valor dela? — Pela marca do ourives. O velho árabe sorriu e acrescentou: — Quando ouve passos de animais ao redor da tenda, como sabe se foi um car- neiro, um cavalo ou um boi?
— Pelos rastos! Respondeu o chefe surpreendido. Então o velho crente convidou-o para espreitar fora da barraca e, mostrando-lhe o céu, onde a Lua brilhava cercada por multidões de estrelas, exclamou res- peitoso: — Senhor, aqueles sinais lá em cima não podem ser dos homens. Nesse momento, o orgulhoso homem das caravanas, de olhos lacrimosos, ajoelhou-se na areia escaldante do de- serto e começou a orar também.
