Ficha Técnica
Jornal de Espiritismo nº 16 · Maio 2006Página 24 min
Editorial FICHA TÉCNICA Jornal de Espiritismo Periódico Bimestral Director: Ulisses Lopes Editor: Jorge Gomes Maquetagem: www.loucomotiv.com Fotografia: Loucomotiv e Arquivo Tiragem: 2000 Exemplares Registado no Instituto da Comunicação Social com o n.º 124325 Depósito Legal: 201396/03 Administração e Redacção ADEP Rua do Espírito Santo, N.º 38, Cave Nogueira – 4710-144 BRAGA Assinaturas Jornal de Espiritismo Apartado 161 4711-910 BRAGA E-mail jornal@adeportugal.
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Crentes de que se tratava de algo fácil de provar como logro, alguns — os que tiveram coragem de declarar os resultados da sua análise — vieram à luz dos jornais afirmar que os fenómenos existem. Charles Richet, William Crookes, Cesare Lombroso, Ernesto Bozzano, Alexandre Aksakof e uma mão-cheia de outros tantos, na moldura da metapsíquica… Quando se tenta provar que não existem e não se consegue, no mínimo tentam ignorar… em vão!
No passado mês de Abril um evento completamente alheio à doutrina espírita, patrocinado pela Funda- ção Bial, decorreu em renovada edição no auditório da Casa do Médico, na cidade do Porto: Aquém e Além do Cérebro. Presentes cientistas de todo o mundo, sobretudo da área da medicina e da psicologia, uns com a convicção de que os fenómenos para- normais não existem, outros possivelmente acreditando que é necessário investigar, pois nunca se provou realmente que os ditos fenómenos não existiam, muito pelo contrário.
Chegar a resultados é difícil, mas a investigação, no início deste século XXI prossegue, envolvendo investimentos respeitáveis. E os espíritas, como ficam nisto tudo? Não são obrigados a ser cientistas, os que nãoosão. Cidadãos com as mais variadas profissões, com os graus culturais mais diversificados, com personalidades tão heterogéneas quanto é possível no género humano, prosseguem a sua actividade em vários níveis, com um importante denomi- nador comum: nada receberem pelo que fazem em prol do próximo.
Ainda assim, haverá que ver sempre em que nível cada espírita se enquadra: uma mera esfera de agitação no movimento es- pírita; ou isto mais um acréscimo de alguma interiorização dos conceitos espirituali- zantes; ou então um nível mais completo, no qual a doutrina espírita depois de ter sido entendida interiormente verte em atitudes fraternas e esclarecidas de dentro para fora, sem máscaras momentâneas. Nesta estrada de fartas conquistas, o quo- tidiano, cada dia pode ser uma vitória inte- rior sempre que sublimamos as tendências inferiores e optamos por atitudes inspiradas na sabedoria e no amor, as asas com que nos levantaremos mais alto, em busca de horizontes mais luminosos.
Texto: Jorge Gomes Inocente ou culpado? Conta uma antiga lenda que, na Idade Média, um homem muito religioso foi injustamente acusado de ter assassinado uma mulher. Na verdade, o verdadeiro assassino era uma pessoa influente do reino e, por isso, desde o primeiro momento se procurou um bode-expiatório para o acobertar. O homem foi levado a julgamento já temendo o resultado: a forca. Ele sabia que tudo iria ser feito para condená-lo e que teria poucas hipóteses de sair vivo daquela situação.
O juiz, que também estava determinado a condenar o pobre homem à morte, simulou um julgamento justo, fazendo uma proposta ao acusado para que provasse a sua inocência. Disse o juiz: “Sou de uma profunda religio- sidade e por isso vou deixar a sua sorte nas mãos do Senhor. Vou escrever num papel a palavra inocente e no outro pedaço a pala- vra culpado. Você sorteará um dos papéis e aquele que sair será o veredicto. O Senhor decidirá seu destino”, determinou o juiz.
Sem que o acusado percebesse, o juiz preparou os dois papéis, mas em ambos es- creveu CULPADO de maneira que, naquele instante, não existia nenhuma hipótese do acusado se livrar da forca. Não havia saída, não havia alternativa para o pobre homem. O juiz colocou os dois papéis numa mesa e ordenou ao acusado que escolhesse um. O homem pensou alguns segundos e, pres- sentindo o resultado, aproximou-se con- fiante da mesa, agarrou um dos papéis e rapidamente o colocou na boca e engoliu.
Os presentes ao julgamento reagiram com surpresa e indignação pela atitude do réu. “Mas o que foi fazer? E agora? Como vamos saber qual o veredicto?” “É muito fácil!”, respondeu o homem, con- tinuando: “Basta olhar o outro pedaço que sobrou e saberemos que acabei engolindo o contrário.” Imediatamente o homem foi liberado.
