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Entrevista EspiritismonaRádio:AlémdoVéu Já lá vão anos

Jornal de Espiritismo nº 18 · Setembro 2006Página 76 min

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Entrevista EspiritismonaRádio:AlémdoVéu Já lá vão anos. E a divulgação continua através da rádio. Julieta Marques, da cidade algarvia de Lagos, desloca-se a Silves e presta um serviço público de esclarecimento. Tivemos o prazer de lhe colocar algumas perguntas. Como surgiu esta oportunidade de fazer este programa de rádio, o «Além do Véu»? Julieta Marques — Este programa surge pelo desejo de podermos utilizar um meio de comunicação, como é a rádio, que se ouve em qualquer lugar, desde o automó- vel ao campo ou em casa, podendo assim levar a informação do que é a doutrina espírita, duma forma despretensiosa, agradável e elucidativa.

O Octávio, do Centro Espírita Boa Vontade de Portimão, apresentou-nos António Santana, que tem um programa de duas horas na Rádio Racal, em Silves, e que se en- tusiasmou ouvindo falar de Espiritismo. Aí, teve curiosidade em me conhecer, uma vez que eu já tinha feito rádio em duas estações locais diferentes, durante quatro anos. Assim, fomos convidadas a fazer um apon- tamento de 30 minutos sobre doutrina espírita e, melhor ainda, graciosamente.

Nos outros programas que tínhamos man- tido havia que pagar o tempo de antena (apenas 15 minutos), o que nos custava a módica quantia de 3500 escudos. Assim começámos os dois a fazer o pro- grama. Eu planeava-o todo e, aos sábados, lá estávamos nós aos microfones, levando a grande mensagem consoladora. Como deve proceder quem o quiser ouvir? J. M. — É simples, todos os sábados, pelas 10h00 da manhã, sintonizando a Rádio Racal, de Silves, nos 92.

04, pode procurar a estação, desde que esteja no raio de acção da mesma. É óbvio que, sendo uma rádio local, a sua abrangência é limitada, mas temos ouvintes que vão desde Olhão até Castro Verde, e sabemos disto porque são eles que nos telefonam dando notícias do que ouviram. Há quanto tempo está no ar? J. M. — Estamos no ar nesta estação desde Outubro do ano de 2001, todas as semanas. Têm sentido dificuldades para manter o «Além do Véu» no ar?

J. M. — Como acima foi dito, o tempo de antena é gratuito, logo não custa nada mantermo-nos no ar, pois no ar ficamos nós quando estamos transmitindo com nossa alegria a consoladora mensagem da doutrina espírita Como funciona? J. M. — No princípio era só eu e o Octávio. Eu escolhia os temas e preparava-os, mas depois tendo ficado sozinha por algum tempo, decidi realizar esta tarefa de uma forma mais aberta e mais desportiva, diga- mos assim.

Sempre tive a preocupação de falar sobre os temas da actualidade à luz da doutrina espírita. Dava, assim, a conhecer, com exemplos do domínio público, as causas e as explicações para tais factos. Os acidentes, as catástrofes naturais, como os terramo- tos, as inundações, os maremotos, crimes violentos, ataques terroristas, guerras, incêndios, mortes violentas, mas também a beleza da natureza, quando chega a Primavera lembrando a grandiosidade da Natureza, a beleza de que estamos envolvi- dos com o perfume das laranjeiras ou dos favais em flor.

O cheiro da terra molhada quando chove, o encanto que é o nascer eopôr-do-sol, mostrando também que Deus é amor, e neste sentimento está contida toda a beleza do universo. Quer apontar alguns nomes de pes- soas que já foram entrevistadas neste programa? J. M. — Sempre temos tido a preocupação de trazermos ao nosso programa, quem nos visita. Assim, tivemos Ariston Santana Telles, Florêncio Anton, Francisco Neto, Divaldinho Matos, Jorge Rizzini, Marilusa Vasconcelos, Ney Prieto Peres, Alcione Peixoto, Richard Simonetti, José Lucas e muitos mais… É difícil lembrar todos neste momento.

Entre- vistámos também mães que perderam os seus filhos, e ainda fizemos já um programa com nosso grupo de jovenzinhos da nossa casa espírita lacobrigense e de Portimão. Foi bonito! Como tem sido a reacção dos ouvintes? J. M. — É tão interessante sabermos que a palavra levada pelas ondas hertzianas vão despertando corações e sensibilizando as almas para novas formas de pensamento, que essa é nossa maior alegria. Por exemplo, certa vez uma senhora que tinha o marido com alzheimer telefonou- -nos, dizendo-nos que aguardava ansio- samente o sábado para nos ouvir, pois só assim encontrava forças para aceitar com coragem a situação dela e do compa- nheiro.

Acabou por frequentar o Centro Boa Vontade, de Portimão, por ser o mais próximo da sua casa, e mesmo assim tinha de se deslocar de comboio, pois mora em Tunes, o que dista uns bons quilómetros desta cidade. Certa feita recebemos um telefonema dum padeiro de Odemira, que nos queria conhecer, pois não perdia um só dos nossos programas. Lá fomos e pre- senteou-nos com bolos e o delicioso pão por ele fabricado. Outra vez alguém se me dirige e diz-me que o seu pai lhe houvera perguntado se vivendo em Lagos conhecia uma tal D.

Julieta Marques, ao que ela disse que sim: então dá-lhe um grande abraço e um muito obrigada pelo que transmite pela rádio, porque esses momentos são muito gratos. É um ouvinte assíduo, vive em Cas- tro Verde. Mas o caso mais impressionante, foi que, após eu ter acabado o programa, o telefone tocou e do outro lado do fio era alguém ligado à rádio e que estava com um grave problema existencial; ouvindo o nosso apontamento daquela manhã, este lhe tinha feito tanto bem, que não podia deixar de manifestar gratidão pelo facto, e dizia isto em lágrimas.

A maioria da audiência são espíritas ou não espíritas? J. M. — É óbvio que isto de audiências é muito difícil sabermos quem nos está escu- tando. O nosso trabalho é dirigido a todos, mas a preocupação maior é para quem não conhece a doutrina e quem não tem acesso aos livros e está longe dos centros espíritas. Temos de nos preocupar, e muito, é com os que estando nestas circunstâncias precisam de toda a informação, porque o falar só para os espíritas não dá “gozo” nenhum.

Eu gosto mesmo é de falar para quem ainda não conhece ou conhece mal a doutrina: esse é um terreno bem fértil e muito agradável de trabalhar. Há algumas histórias interessantes ligadas ao seu trabalho na rádio que queira contar-nos? J. M. — Há sempre uma ou outra história, mas uma há que me deixou perplexa naquela manhã. Eu já estava a fazer o programa sozinha e não tive quem me transportasse a Silves. De Lagos a Silves são ainda 30 km.

Fui de comboio. A estação fica a mais de 4 km do centro da cidade. Naquele dia a minha saúde não estava mui- to bem, mas lá fui, percorrendo a distância a pé da estação até ao centro. Comecei a sentir-me mal e, não tendo a quem recorrer, resolvi recorrer ao Pai que está nos céus e disse-lhe: «Olha Senhor, eu não estou nada bem, não sei como vou chegar à estação de rádio. Vê por favor se me resolves o pro- blema, pois estou a trabalhar para seu Filho».

Nisto uma voz bem conhecida chama por mim: «D. Julieta! O que é que a senhora faz por aqui?». Olho e vejo uma antiga trabalhadora da nossa casa espírita. Havia anos que não a via, pois tinha mudado de residência. Respondi-lhe ao que ia. Propôs- -se levar-me até à porta da rádio. Contei-lhe então o sucedido e chorámos as duas de alegria pelo facto inusitado. Outras vezes voltei a fazer o mesmo percurso, mas nunca mais a encontrei.

O programa apenas conta com a sua colaboração? J. M. — Não! Já há dois anos que dividi esta alegria. Assim, convidei a Isabel Martins, Ermelinda Soares, Sendão e Octávio, que ainda colabora. Dividimos os sábados e cada um apresenta o programa, conforme a sua sensibilidade e gosto. Acredito que não devemos colocar restrições na forma como se deve ou não fazer o programa. Somos todos espíritas responsáveis, logo cada um sabe como se deve dirigir ao grande público que está, neste caso invisível, isto é do outro lado do fio condutor de nossa mensagem.

Estamos gratos aos directores da Rádio Racal e a António Santana que são os fios condutores deste trabalho tão gratificante. Por Jorge Gomes – jorge.je@clix.pt foto direitos reservados Programa de rádio «Além do Véu»: da esquerda para a direita, Esteves Teiga, Julieta Marques, técnico da rádio Racal e Octávio, de Portimão.