Ficha Técnica
Jornal de Espiritismo nº 18 · Setembro 2006Página 25 min
Editorial FICHA TÉCNICA Jornal de Espiritismo Periódico Bimestral Director: Ulisses Lopes Editor: Jorge Gomes Maquetagem: www.loucomotiv.com Fotografia: Loucomotiv e Arquivo Tiragem: 2000 Exemplares Registado no Instituto da Comunicação Social com o n.º 124325 Depósito Legal: 201396/03 Administração e Redacção ADEP Rua do Espírito Santo, N.º 38, Cave Nogueira – 4710-144 BRAGA Assinaturas Jornal de Espiritismo Apartado 161 4711-910 BRAGA E-mail jornal@adeportugal.
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». Espreito: a página compõe só um desenho e a sua miniatura. Mas a interpretação é taxativa. Se há bebé, tem de haver mamã… É um bocado como a história da galinha e do ovo: qual surgiu primeiro? Aqui a charada não tem lugar: a lógica da primeira infância é irresistível. A lei de sociedade, explicada em «O Livro dos Espíritos», tem várias vertentes e no início da reencarnação exprime-se assim. O afecto é a grande força que une a família e que, com um empurrãozinho da natureza, dá um bom lastro ao início de uma nova vida.
Como os pequeninos precisam do amor dos pais! Como os pais amam os filhos... Isto, sem que alguém se forme para ter cri- anças. Não é infelizmente hábito na nossa sociedade, embora haja obras que ajudam a entender as crianças e a educá-las. Quando crescemos, módulo após módulo criamos defesas. Por vezes, até parece que possuir predisposição para gostar dos outros é sinónimo de fraqueza. Mas não é. É necessária muita mais força e sabedoria para ultrapassar as inimizades do que para repelir aqueles com quem menos nos afinizamos.
Os espíritos superiores ensinam que o amor é o sentimento que mais nos aproxima de Deus. E é nesse gesto interior que as grandes almas se sustentam, e se fazem capazes de vencer dificuldades para edificar grandes obras ou sustentar grandes gestos de solidariedade. Parece que de pequenino se torce o des- tino, como diz a sabedoria popular. E de uma ponta à outra da reencarnação há uma espiral que começa no amor, se distancia e a ele retorna, ascendendo a patamares maiores.
Na verdade, todos estamos condenados a alcançar esse nível. Primeiro ensaiamos o sentimento de forma caprichosa, egocên- trica. Mais tarde, somos capazes de gostar sem pedir nada em troca, como ensina no livro «Agenda Cristã» o sábio espírito André Luiz. Entre todos os gestos de amor, tentamos sempre que cada edição deste jornal também o seja. Não queremos dar alfine- tes nem espinhos, preferimos claramente amortecê-los em nós sem que os tenhamos de endereçar a alguém, já que a doutrina espírita ensina com toda a clareza: «Espíri- tas: amai-vos!
Eis o primeiro ensinamento. Instruí-vos: eis o segundo”. «Jornal de Espiritismo» liga-se a essas ideias. Nesta edição comemora o seu 3.º ano de vida, sem interrupções quaisquer. Valem- -lhe os seus Leitores, os anunciantes e as associações espíritas que gentilmente o acolhem. Deus lhes pague por isso. Boa leitura! Texto Jorge Gomes – jorge.je@clix.pt O sol anunciava o final de mais um dia e lá, entre as árvores, estava Andala, um pardal que não se cansava de observar Yan, a grande águia.
O seu voo preciso, perfeito, causava admira- ção. Sentia vontade de voar como a águia, mas não sabia como fazer. Sentia vontade de ser forte como a águia, mas não con- seguia ser assim. Todavia, não se cansava de segui-la por entre as árvores só para vislumbrar tanta beleza. Um dia estava a voar por entre a mata a observar o voo de Yan, e de repente a águia desapareceu da sua visão. Voou mais rápido para reencontrá-la, mas a águia tinha desaparecido.
Súbito, apanhou um enorme susto: deparou de uma forma muito repen- tina com a grande águia à sua frente. Tentou conter o seu voo, mas foi impos- sível, acabou batendo de frente com a bela ave. Caiu desnorteado no chão e, quando voltou a si, pôde ver aquele pássaro imenso mesmo ao seu lado a observá-lo. Sentiu um calafrio no peito, as suas asas ficaram arrepiadas e pôs-se em posição de luta. A águia, na sua quietude, apenas o olhava calma e mansamente, e com uma ex- pressão séria, perguntou-lhe: - Por que estás a vigiar-me, Andala?
- Quero ser uma águia como tu, Yan. Mas, o meu voo é baixo, pois as minhas asas são curtas e vislumbro pouco por não con- seguir ultrapassar os meus limites. - E como te sentes, amigo, sem poder desfrutar, usufruir de tudo aquilo que está além do que podes alcançar com as tuas pequenas asas? - Sinto tristeza. Uma profunda tristeza. A vontade é muito grande de realizar este sonho. O pardal suspirou olhando para o chão e disse: - Todos os dias acordo muito cedo para te ver a voar e a caçar.
És tão única, tão bela. Passo o dia a observar-te. - E não voas? Ficas o tempo inteiro a me observar? - indagou Yan. - Sim. A grande verdade é que gostaria de voar como tu voas, mas as tuas alturas são demasiado para mim e creio não ter forças para suportar os mesmos ventos que, com graça e experiência, tu cortas harmoniosa- mente. - Andala, bem sabes que a natureza de cada um de nós é diferente, e isto não quer dizer que nunca venhas a voar como uma águia.
Sê firme no teu propósito e deixa que a águia que vive em ti possa dar rumos dife- rentes aos teus instintos. Se abrires apenas uma fresta para que a águia que está em ti te possa guiar, esta dar-te-á a possibilidade de vires a voar tão alto como eu. Acredita! E assim, a águia preparou-se para levantar voo, mas voltou-se novamente ao pequeno pássaro que a ouvia atentamente: - Andala, apenas mais uma coisa: não poderás voar como uma águia se não treinares todos os dias.
O treino é o que dá conhecimento, fortalecimento e compreen- são para que possas dar realidade aos teus sonhos. Se não pões em prática a tua von- tade, o teu sonho sempre será apenas um sonho. Esta realidade é apenas para aqueles que não temem quebrar limites, crenças, conhecendo o que deve ser realmente conhecido. É para aqueles que acreditam ser livres, e quando trazes a liberdade no teu coração poderás adquirir as formas que desejares, pois já não estarás apegado a nenhuma delas, serás LIVRE!
Um pardal poderá, sempre, transformar-se numa águia, se esta for sua vontade. Confia em ti e voa. Entrega as tuas asas ao vento e aprende com ele o equilíbrio. Tudo é possível para aqueles que já compreenderam que são seres livres. Basta apenas acreditar, basta apenas que confies na tua capacidade de aprender e ser feliz com a tua escolha! In: http://www.pensamentopositivo.com. br/metaforas/aguiapardal.
