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Saúde Apresentamos, neste espaço, estudos psiquiátricos e de saúde men

Jornal de Espiritismo nº 18 · Setembro 2006Página 48 min

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Saúde Apresentamos, neste espaço, estudos psiquiátricos e de saúde mental à luz do Espiritismo. Agora, faça sua(s) pergunta(s) Fascinação: a cegueira de uma paixão No dia 20 de Dezembro/2005 recebemos o seguinte mail: “Estimado Dr. Iso Jorge Teixeira: Os seus artigos sérios e instrutivos trazem-nos enormes contribuições no entendimento dos ensinos dos Espíri- tos Superiores. Assim, solicitaria, dentro da vossa possibilidade, um artigo sobre Fascinação.

” Maria de Fátima, Guimarães Vamos atender a solicitação, lembrando que recebemos sugestão semelhante de uma confreira no Brasil e escrevemos artigo publicado no site TERRA ESPIRITUAL, intitulado “Fascinação: prazer cego de uma paixão”, que pode ser acessado no link http://www.terraespiritual.locaweb.com.br/ espiritismo/artigo2067.html. Aqui realizare- mos uma síntese do que dissemos lá... Processo tiranizante Bem, caríssima leitora MARIA DE FÁTIMA, a grande dificuldade no processo de fascina- ção está, exactamente, no facto do fasci- nado não perceber, ou melhor, não admitir que esteja sendo enganado, como se diz popularmente no Brasil: «É igual marido enganado, é o último a saber...

Fazemos esta analogia porque, a nosso ver, há sem- pre na fascinação um fenómeno que em psico(pato)logia denominamos paixão. Mas, antes de abordarmos este aspecto vamos estudar doutrinariamente o processo de fascinação... Da obsessão A fascinação é um tipo de obsessão. Além de um capítulo inteiro dedicado ao estudo da obsessão, o capítulo 23 de “O Livro dos Médiuns” (OLM), KARDEC faz referência às obsessões em inúmeras outras obras...

Há os seguintes tipos de obsessão: 1 - Ob- sessão simples; 2 - Fascinação; 3 - Subju- gação, que, no seu paroxismo (isto é, com maior intensidade) se chama Possessão. Atendamos, então, a solicitação de MARIA DE FÁTIMA e estudemos a FASCINAÇÃO... Que é Fascinação? No item 239 de “O Livro dos Médiuns” (OLM) vemos como KARDEC, que explica o que é a fascinação: “(...) É uma ilusão produzida pela acção directa do Espírito sobre o pensamento do médium e que, de certa maneira, lhe paralisa o raciocínio, relativamente às comunicações.

O médium fascinado não acredita que o estejam a enganar: o Espírito tem a arte de inspirar confiança cega, que o impede de ver o embuste e de compreender o absurdo do que escreve, ainda quando esse absurdo salte aos olhos de toda gente.” Como podemos demonstrar, através da colocação de KARDEC, é errónea a ideia de que seria “caridade” deixar um obsidiado participar de reuniões mediúnicas. Ora, se a sua capacidade de comunicação com os Espíritos está comprometida a ponto de paralisar-lhe o raciocínio, a ponto de achar sublime a linguagem mais ridícula, inde- pendentemente do seu nível intelectual!

Em alguns outros artigos já defendemos essa tese em relação ao inconveniente de pessoas obsidiadas e doentes mentais par- ticiparem de reuniões mediúnicas, por isso, não detalharemos, aqui, a nossa opinião; só a citamos para mostrar mais um dos argu- mentos que ratificam a nossa opinião... Prossigamos com o nosso estudo. Fazendo a distinção entre obsessão simples e fas- cinação, em OLM, Capítulo 23, no mesmo item 239 (3 º parágrafo), o mestre de Lyon, então, passa a mostrar o carácter do Espírito obsessor na fascinação: “(...)

Para chegar a tais fins, preciso é que o Espírito seja destro, ardiloso e profundamente hipócrita, porquanto não pode operar a mudança e fazer-se acolhido, senão por meio da máscara que toma e de um falso aspecto de virtude. Os grandes termos – caridade, humildade, amor de Deus – lhe servem como que de carta de crédito, porém, através de tudo isso, deixa passar sinais de inferioridade, que só o fascinado é incapaz de perceber.

” Aliás, perguntamos aos leitores: conhecem alguém que admite a própria fascinação sem resistência? Como disse uma outra leitora sobre o mesmo assunto: há “uma avalancha de comunicações de espíritos desencarnados” actualmente e, diremos nós, através de médiuns fascinados, especialmente nos chamados romances mediúnicos do tipo “água-com-açúcar”, com um pieguismo indisfarçável dos Espíritos comunicantes, tão ao gosto para aqueles em que as fantasias bastam...

Além disso, convém ressaltar as palavras de KARDEC na “Revista Espírita – Jornal de estudos psicológicos”, Dezembro/1862: “Resta sempre a questão de saber se o bom Espírito é menos poderoso que o mau. Não é o bom Espírito que é mais fraco: é o médium que não é bastante forte para livrar-se do manto que sobre si foi lançado, para desembaraçar-se dos braços que o apertam, COM O QUE – É BOM DIZER – POR VEZES SE COMPRAZ.” – grifo nosso – (op.

cit., trad. JÚLIO ABREU FILHO, p. 362). Inúmeros confrades falam na obsessão como se SEMPRE o obsidiado SOFRESSE; ora, na fascinação propriamente dita, não há sofrimento do obsidiado – ele tem PRAZER na relação com o Espírito obsessor, o sofrimento só virá depois, se o processo continuar, em que a fascinação pode degenerar para a subjugação. Eis um dos grandes perigos da fascinação... KARDEC compara a acção de um obses- sor com um manto ou um lençol d’água apagando o fogo, abafando os fluidos do obsidiado (“Revista Espírita – Jornal de estudos psicológicos”, Dezembro/1862)...

De facto, a comparação é feliz, pois, a nosso ver, a fascinação é um processo que dá PRAZER ao obsidiado, estimulando o “fogo das suas paixões”, ou melhor, é a fascina- ção uma espécie de PAIXÃO; vejamos esta nossa tese, em seguida... Definindo paixão do ponto de vista psico(pato)lógico e espírita Em Psico(pato)logia, no capítulo da AFEC- TIVIDADE, estudamos um assunto em que há muita confusão, mesmo entre alguns psiquiatras, estamos a referir-nos à Paixão.

Vejamos o que nos dizia a respeito o nosso grande mestre da Psiquiatria brasileira, prof. A. L. NOBRE DE MELO em sua PSIQUIATRIA – volume I, MEC / Civ. Brasileira, Rio de Janeiro, p. 522: “O termo paixão designa, em nosso entender, um estado afetivo absorvente e tiranizante, que polariza a vida psíquica do indivíduo na direção de um objeto único, que passa a monopolizar seus pensamentos e suas ações, com exclusão ou em detrimento de tudo mais.

” Aí está rigorosamente definido o termo “paixão”. Mais adiante ensina-nos o grande mestre NOBRE: “Será oportuno recordar, a propósito, que, no seu célebre “Tratado das Paixões”, Descartes veio a ampliar demasiado esse conceito, a ponto de nele querer englobar tudo o que não fosse actividade voluntária (percepções, senti- mentos, emoções). É verdade que, nem por isso, deixava de reconhecer que também há paixões nobres e úteis, e que, em certas circunstâncias, pode a razão lograr manter seu império, soberano sobre elas.

(...)”. Não temos dúvida de que as paixões po- dem ser úteis em alguns casos, mas como elas são essencialmente derivadas da vida instintiva e, portanto, primitivas, animais, dificilmente elas são controladas cognitiva- mente, daí o grande perigo das fascinações, pois nestas o obsessor, usando da hipocrisia e estimulando o amor-próprio do obsidi- ado, coloca-o à sua disposição, enganando- -o, utilizando exactamente aquilo que dificilmente ele controla – as paixões.

Muito interessante este aspecto da utili- dade ou não das paixões, pois a Espirituali- dade Superior já mostrava esta distinção em 1857, quando foi publicado pela primei- ra vez “O Livro dos Espíritos” (OLE). Vejamos o que a Espiritualidade Maior nos trouxe de subsídios a respeito... Leiamos no item II. DAS PAIXÕES. Livro III, Capítulo XII, de OLE, as questões 907 e 908 e suas respostas: «907. O princípio das paixões sendo natural é mau em si mesmo?

— Não. A paixão está no excesso provo- cado pela vontade, pois o princípio foi dado ao homem para o bem e as paixões podem conduzi-lo a grandes coisas. O abuso a que ele se entrega é que causa o mal. 908. Como definir o limite em que as paixões deixam de ser boas ou más? — As paixões são como um cavalo, que é útil quando governado e perigoso quando governa. Reconhecei, pois, que uma paixão se torna perniciosa no momento em que a deixais de governar, e quando resulta num prejuízo qualquer para vós ou para outro.

Comentando essas respostas, disse KAR- DEC dentre outras coisas: “Toda paixão que aproxima o homem da natureza animal distancia-o da natureza espiritual. Todo sentimento que eleva o homem acima da natureza animal anuncia o predomínio do Espírito sobre a matéria e o aproxima da perfeição.” Se atentarmos bem para a profundidade das respostas às questões 907 e 908 de OLE e pensarmos que os médiuns que serviram à codificação eram, na sua maioria, meninas adolescentes, teremos mais um motivo para a convicção da realidade do mundo espiritual.

Complementando, gostaríamos de citar, também a questão 909 e resposta de OLE, pois ela se encaixa como uma luva naqueles que estão num processo de fascinação... «909. O homem poderia sempre vencer as suas más tendências pelos seus próprios esforços? — Sim, e às vezes com pouco esforço; o que lhe falta é a vontade. Ah! Como são poucos os que se esforçam!». Epílogo Aí está, caríssimos leitores: o fascinado sente prazer no processo obsessivo de que é vítima e pouco ou em nada se esforça para vencer as suas paixões, deletérias para si mesmo ou para outrem, porque, afinal de contas, uma pessoa sob o império da fascinação é de relação social muito difícil, pelo seu orgulho, prepotência e, em muitos casos, causadora da quebra da harmonia familiar...

Mas que não se culpe somente o obsessor por tais desarmonias, porque, como diz o povo «Quando um não quer, dois não brigam»! Ou melhor, só há obsessão se houver SINTONIA entre os Espíritos... Enfim MARIA DE FÁTIMA, caríssimas leitoras, estimados leitores, esperamos ter trazido subsídios sobre o assunto que me foi so- licitado e que o fascinado controle as suas paixões e as sublimem para pensamentos e acções positivas, só assim governará e deixará de ser governado pelo animal que há dentro de si, caso contrário «cairá do cavalo», como costumamos dizer no Brasil...

Uma nossa leitora brasileira disse que uma familiar sua estava fascinada há 17 anos... Ninguém fica tantos anos fascinado im- punemente, a fascinação pode degenerar para a subjugação!... Que o fascinado pare, um pouquinho que seja, para pensar e faça aquele esforço aconselhado pela Espiritu- alidade Superior em resposta à questão 909 de OLE e que admita que o seu prazer é efémero e ILUSÓRIO e abra os olhos, cure a própria cegueira...

Não custa nada, é bom para si mesmo e para a felicidade geral da família, ou não?... A OPÇÃO é sua. Texto: Dr. Iso Jorge TeixeiraCREMERJ Encaminhe sua pergunta para: Dr. ISO JORGE TEIXEIRAE-mail: isojorge@bighost.com.br ou, se preferir para a Caixa Postal: Apartado 161 4711-910 BRAGA – PORTUGAL.