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Notícia No melhor pano Cai a nódoa

Jornal de Espiritismo nº 19 · Novembro 2006Página 66 min

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Infelizmente, é rotina. A grande imprensa, se por vezes acerta, outras não. Não se deve falar do que não se sabe com ligeireza. Um artigo publicado numa revista de grande tiragem depressa chegou ao conhecimento de elementos da Associação de Divulgadores de Espiritismo de Portugal. Posto isso, impunha-se escrever uma carta de alerta, pedindo rectificação: «Exmo. Senhor Director: As nossas mais cordiais saudações.

Sendo leitores habituais da vossa revista, qual não foi o nosso espanto ao verificar uma peça na vossa revista n.º 101, de Setembro de 2006, pp-66-67, intitulada «Como falar com os mortos». À medida que fomos lendo, fomos estra- nhando tanto desconhecimento, ignorân- cia até, por parte de quem fez a peça, parecendo aos mais atentos, que tenha sido feita à pressa, sem qualquer preocupação com o rigor informativo, numa ânsia espe- culativa que infelizmente vai denegrindo os “media” em Portugal, contrastando com o ainda bom jornalismo que se vai vendo aqui e acolá.

No meio da reportagem, o autor M. A. S., falando de Espiritismo, faz um conjunto de afirmações que raiam o ridículo, demons- trando uma ignorância incrível acerca do que é o Espiritismo (ou Doutrina Espírita), ignorando as pesquisas efectuadas à época, bem como as actuais, muitas delas por pes- quisadores não espíritas e que demonstram a assertividade dos seus conceitos. O autor não se preocupou em estudar, pesquisar e em fazer uma reportagem neutra, mas sim em denegrir algo que não conhece nem quer conhecer.

È simplesmente lamentável ver insinuações grosseiras acerca de sir William Crookes quando ele demonstrou à saciedade a veracidade dos factos espíritas. Sir William Crookes para além de notável cientista era respeitado membro da “Society for Psychi- cal Research”, não era decerto “jornalista” apressado. Sóatítulo de exemplo, podemos informar o autor M. A. S. que a sua peça fere de muitas incongruências, inverdades, entre outras afirmações simplesmente espantosas.

A Doutrina Espírita (ou Espiritismo) não é uma religião, mas sim uma ciência filosó- fica de consequências morais (bastaria ler o livro «O que é o Espiritismo» de Allan Kardec para reparar nisso). A Doutrina Espírita não apareceu em Hydesville, mas sim em Paris, em 1857, com o lançamento da obra «O Livro dos Espíritos», obra de filosofia hoje estudada em algumas universidades a par de outros filósofos. Só por curiosidade, os fenómenos espíritas, que o autor diz serem apenas do passado, continuam a repetir-se, veja-se a pesquisa científica imparcial (ele não é espírita) do Dr.

David Fontana, notável psicólogo inglês, ex-presidente da “Society for Psychical Research” e actual vice-presidente, que apresentou no simpósio “Aquém e Além do Cérebro”, no Porto, na Casa do Médico, evento este organizado pela prestigiada Fundação Bial, um trabalho onde demon- strava a imortalidade da alma, com mate- rialização parcial de seres espirituais, tudo sob rigoroso controlo científico para que não houvesse fraude, factos estes relatados no seu livro “There is an after life?

” Poderíamos continuar… O autor M. A. S. também poderia ter feito o trabalho que lhe compete, pesquisar com seriedade; bastaria uma fugaz visita a algu- mas páginas na Internet, bastaria contactar por exemplo a Associação de Divulgadores de Espiritismo de Portugal (www.adeportu- gal.org), mas não, preferiu ir pelo caminho mais fácil o que em nada abona em favor do tipo de jornalismo que pratica. Seriedade precisa-se.

Não é justo denegrir-se uma doutrina que conta com milhares de pessoas em Portu- gal que a estudam, divulgam e praticam, que conta já com duas associações de médicos espíritas em Portugal, pessoas que têm os seus empregos, famílias e se dedicam ao estudo e prática da Doutrina Espírita nos seus tempos livres, gratuita- mente e por amor ao próximo. Não fica bem a um órgão, que se pretende informativo, tratar os assuntos com tanta ligeireza, o que nada abona em favor do jornalismo que deve ser sério, isento e cor- recto.

Pelo respeito que nos merecem os vossos leitores (nos quais nos incluímos) e pelo respeito pelas milhares de pessoas espíritas que conhecemos, médicos, agricultores, jornalistas, militares, professores, juízes, engenheiros, etc., vimos solicitar a V. Ex.ª se digne publicar a devida correcção com igual destaque, na certeza de que V. Ex.ª não deixará de honrar os princípios deon- tológicos que certamente são paradigma da V.

maneira de estar no mundo. Sem outro assunto de momento e res- peitosamente, ficamos ao vosso dispor para qualquer esclarecimento adicional. Pela ADEP Ulisses Lopes». Não tardou, a revista «Isto é» respondeu com gentileza. Entretanto, o e-mail da ADEP começa a receber cópia de outras mensagens dirigi- das ao órgão de imprensa em causa, repu- diando as inverdades, ou solidarizando-se com a missiva esclarecedora. Inclusive em castelhano, por Marián Casa- demont, em 23 de Setembro: «Trata sobre una carta redactada por Ulisses Lopes y dirigida a la revista “Super Interesante”.

La verdad es que me ha gustado mucho por dos motivos: El primero, por el tema a tratar. No sólo me parece de lo más interesante, sinó que también el Sr. Lopes tiene más que motivos y razonamientos suficientes como para haberla redactado. El segundo porque está muy bién escrita y redactada con sen- timiento. Recibe un cordial y sincero abrazo desde Girona, y hasta pronto». Carlos Campetti, brasileiro, diz em 21 de Setembro: Estimados irmãos de ideal es- pírita, Excelente defesa!

Felicitações! Grande abraço com votos de paz». Divaldo Pereira Franco, também do Brasil, deu nota do ocorrido, em 18 de Setem- bro: «Caro confrade Sr. Ulisses Lopes, MD. Presidente da ADEP: Muita Paz. Acabo de ler a carta que foi encaminhada ao Sr. Director da Revista “Super Interessante”, publicada no querido país irmão, e venho congratular- me, solidarizando-me com a sua atitude. Não mais podemos calar quando são assacadas calúnias e agressões contra o Espiritismo, esta Doutrina respeitável, que alberga no seu seio milhões de indivíduos de todos segmentos sociais, intelectuais, administrativos, artísticos e mesmo reli- giosos, qual ocorria no passado, quando predominavam a intolerância e o obscu- rantismo.

Vivemos a hora da liberdade de pensamento, mas também de respeito a to- das ideologias existentes, que não afectam negativamente a sociedade. O Espiritismo não mais se restringe a pequenos grupos de estudiosos, mas se agiganta em toda parte, tendo confirmados os seus postula- dos e paradigmas por personalidades de grande desempenho cultural e científico de ontem como de hoje, em Universidades bem como em outras áreas culturais de di- versos países do mundo.

Repelir com eleva- ção e coerência as aleivosias conscientes ou não, propositadas ou casuais atiradas contra o Espiritismo é dever de todos nós, seus adeptos, impedindo ou tentando impedir esse atentado contra a ética e a cidadania, contra o direito de pensar livremente e de se comportar dentro dos padrões reco- mendados pela cultura e pela civilização. Congratulando-me com o caro confrade, respeitosamente, Divaldo Pereira Franco».

Também Yeda Hungria em 22 de Setembro enviou este e-mail de terras brasileiras: «Prezado confrade Ulisses Lopes. Quero soli- darizar-me com sua iniciativa de solicitar o direito de resposta à Revista “Super Interes- sante”, em defesa dos postulados da nossa Doutrina Espírita. Com efeito, não podemos calar diante da desinformação que certa im- prensa costuma transmitir aos leitores sobre esse assunto. É incompreensível que na era da informação ainda encontremos matéria como a apresentada pela revista, de forma tão descabida, destituída de conhecimento de causa e, por isso, nada responsável.

Isso não é jornalismo como o entendo. Agiu correcta e tempestivamente a ADEP ao restabelecer a verdade e a importância da obra dos espíritos por intermédio do abençoado sábio de Lyon. Parabéns. Jesus o abençoe. Sua leitora assídua, Yeda Hungria», directora da Área de Assistência e Orienta- ção Espiritual, Instituto Espírita Bezerra de Menezes, Niterói, Rio de JaneiroBrasil. E mais haveria a descrever, mas o espaço não chega!