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Ficha Técnica

Jornal de Espiritismo nº 23 · Julho 2007Página 25 min

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Editorial FICHA TÉCNICA Jornal de Espiritismo Periódico Bimestral Director: Ulisses Lopes Editor: Jorge Gomes Maquetagem: www.loucomotiv.com Fotografia: Loucomotiv e Arquivo Tiragem: 2000 Exemplares Registado no Instituto da Comunicação Social com o n.º 124325 Depósito Legal: 201396/03 Administração e Redacção ADEPRua do Espírito Santo, N.º 38, Cave Nogueira – 4710-144 BRAGA Assinaturas Jornal de Espiritismo Apartado 161 4711-910 BRAGA E-mail jornal@adeportugal.

org Conselho de Administração Noémia Margarido, Isaías Sousa Publicidade Apartado 161 4711-910 BRAGA pub@adeportugal.org Propriedade Associação de Divulgadores de Espiritismo de Portugal ADEP NIPC 504 605 860 Apartado 161 4711-910 Braga E-mail: adep@adeportugal.org http://www.adeportugal.org Impressão Oficinas de S. José – Braga Viagem ao lugarejo Pergunta Carlos: «Por que razão os espí- ritos não resolvem estes casos de rapto de crianças?

», revoltado com a existência de personalidades hediondas na espécie humana. Que outras palavras poderíamos utilizar perante homens e mulheres capazes de participar nessas formas miseráveis de tráfico? Infelizes, ignorantes... é pouco dian- te de actos tão monstruosos. E, à partida, como não o compreender? Mas a questão não é tão simples. Já houve experiências em que a polícia re- solveu casos criminais, nos Estados Unidos da América, com base na intervenção de sensitivos.

Porém, nunca houve uma norma de proce- dimento em que, nos casos mais difíceis, se padronizasse essa colaboração, de tal forma que permitisse avaliar a sua utilidade e a validade dos seus resultados. À parte isso, tem de se compreender que os espíritos não são omniscientes, ou seja, eles não sabem tudo, apesar de poderem dispor de meios que lhes permitem aceder a informações que nós outros, no plano material, não conseguimos senão com maior dificuldade.

Depois há ainda as limitações impostas pelo circuito cármico em que todos, crian- ças ou adultos, se encontram no nível de experiências de vida expiatórias. No mapa de trajectória de vidas passadas, há contas que estão por saldar. Consciências compro- metidas com as leis da vida, mais uns do que outros, vêem surgir de inopino no seu caminho, como a ponta do icebergue em pleno mar gelado, sem que se perceba os contornos concretos que estão sob linha de água, e que dão causalidade a essa anoma- lia.

Ainda assim, ninguém tem noção da quan- tidade de crimes que são resolvidos sob a inspiração anónima dos benfeitores espiri- tuais. Outras vezes, essa inspiração, quando aparece na mente dos investigadores, pode ser rejeitada por inverosimilhança. Além de que também pode vir através de circuns- tantes que, por não serem escutados nem mesmo fora de tempo, acabam por permitir o desfecho menos desejado por todos... Talvez no futuro se encare com maior matu- ridade outras possibilidades de percepção, que possibilitem lançar mão de pessoas com alguma, pequena ou grande, capaci- dade de ajudar nas pistas conducentes à resolução destes casos infelizes, sobretudo quando não há mais recursos disponíveis.

Entretanto, ouve-se as palavras de Jesus: «O que escandalizar, porém, a um destes pequeninos (...) melhor lhe fora que se lhe pendurasse ao pescoço uma mó de atafona, e o lançassem ao fundo o mar. (...) Porque é necessário que sucedam escânda- los, mas ai daquele homem por quem vem o escândalo».* Num tempo subjectivo, até pode demorar. Mas esse tempo chegará. O dia em que estas notícias de barbárie brutal não sejam mais do que memórias infelizes na história, tal como a crueldade dos circos romanos, altura em que a Terra deixará o estatuto de planeta de provas e expiações, alcançando o patamar dos planetas de regeneração, esferas de vida em que o bem predomina em horizontes mais amplos.

Por Jorge Gomes * Mateus XVIII: 6-11. Um dia, um pai, grande empresário, de família muitíssimo rica, levou o seu filho de seis anos para viajar até um lugarejo com o firme propósito de mostrar ao menino como é que pessoas tão pobres podem viver num mundo onde só os ricos e os poderosos têm vez e voz. Passaram dois dias e duas noites no sítio de uma família muito pobrezinha... Quando retornaram da viagem, o pai perguntou ao filho: - Então filho, o que aprendeste nesta viagem?

- Muito, pai!, respondeu o pequeno. - Viste como as pessoas pobres podem ser? Não sei como é que existe gente assim no mundo não é meu filho? - Sim pai, retrucou o filho, pensativamente. - E o que aprendeste então com tudo o que viste nestes dias, naquele lugar tão pobre? O menino respondeu: - Vi que nós temos só um cão em casa, e eles têm quatro. - Nós temos uma piscina que ocupa meta- de do jardim; eles têm um riacho que não tem fim.

- Nós temos uma varanda coberta e ilu- minada com focos potentes e eles têm as estrelas e a Lua no céu. - O nosso quintal vai até ao portão de entra- da e eles têm uma floresta inteira. - Nós temos alguns canários que vivem presos numa gaiola e eles têm todas as aves que a natureza pode oferecer-lhes, soltas! - A nossa comida é toda industrializada e a maioria das vezes congelada. A deles é pes- cada no riacho, colhida na horta ou trazida do terreiro; enfim pai, a alimentação deles é saudável, enquanto a nossa não.

- E além disso pai, observei que eles rezam antes de qualquer refeição,enquanto nós aqui em casa sentamos à mesa falando de etiquetas, negócios, cotação do dólar, eventos sociais, comemos, empurramos o prato e pronto! - No quarto onde fui dormir com o Tonho, passei vergonha pois não sabia sequer orar, enquanto ele se ajoelhou e orou agrade- cendo a Deus, tudo, inclusive a nossa visita na casa deles; e nós, aqui em casa, vamos para o quarto, deitamos, assistimos televi- são e dormimos.

- Outra coisa pai, dormi na rede do Tonho, enquanto ele dormiu no chão, pois não ha- via uma rede para cada um de nós, enquan- to aqui na nossa casa colocamos a Maria, a nossa empregada, a dormir naquele quarto onde guardamos entulhos, coitada, sem nenhum conforto, ao passo, que temos camas macias e cheirosas a mais, mas que fazer, não é pai, se elas são só para aqueles hóspedes chatos e gananciosos que nos vêm visitar?

Conforme o miúdo falava, o pai ficava estupefacto, envergonhado. E o filho na sua sábia ingenuidade e no seu brilhante de- sabafo, levantou-se, abraçou o pai e ainda acrescentou: - Obrigado papai, por me haver mostrado o quanto “pobres e mesquinhos” nós somos! In http://www.giocar.hpg.ig.com.br/ensi- namentos.