Literatura Negritude e genialidade «George Washington Carver, o filho
Jornal de Espiritismo nº 23 · Julho 2007Página 164 min
de escravos que se tornou um dos mais importantes cientistas do mundo.» Este livro do já consagrado estudioso e trabalhador das lides literárias espíritas, Hermínio Corrêa de Miranda, trata da his- tória dum Espírito de elevada envergadura espiritual que reencarna num meio e numa época específicanos Estados Unidos da América, após a libertação dos escravos-, para amparar e activar o progresso de uma imensa multidão de Espíritos muito necessitados dos seus exemplos e das suas descobertas.
Estamos a falar do professor George Wa- shington Carver, filho de escravos que mal conheceu os seus genitores, mas que se tornaria num dos mais importantes cientis- tas do mundo, como botânico, bioquímico, etc., que nos deixou mais de duas centenas de descobertas. Allan Kardec fez as seguintes duas pergun- tas aos Espíritos reveladores, conforme o Livro de que estamos a comemorar os 150 anos: 1ªOs Espíritos podem renascer corporal- mente num mundo relativamente inferior àquele em que já viveram?
A resposta foi a seguinte: «Sim, quando têm uma missão a cumprir, para ajudar o progresso; e então aceitam com alegria as tribulações dessa existência, porque lhes fornecem um meio de se adiantarem.» (Item nº 178); 2ªQual a origem das faculdades extraor- dinárias dos indivíduos que, sem estudo prévio, parecem ter a intuição de certos conhecimentos, como línguas, o cálculo, etc.? E os Imortais responderam: «Lembran- ça do passado, progresso anterior da alma, mas do qual ela mesma não tem consciên- cia.
De onde queres que elas venham? Os corpos mudam, mas o Espírito não muda, embora troque de vestimenta.» (Item nº 219). Para além de ter sido um investigador dos segredos da Natureza invulgar, George Carver tinha uma habilidade para utilizar as mãos impressionante: sabia fazer tricô, ele mesmo fazia as agulhas com penas de peru, quando criança; sabia cozinhar, lavar e pas- sar a roupa como poucos; remendar as suas roupas; quase todos os objectos deitados ao lixo, nas suas mãos tinham recuperação e utilidade.
A sua infância e juventude foi feita a servir. Tudo fazia na lide das casas por onde passou. Os seus patrões tinham uma confiança ilimitada na sua idoneidade. Quando jovem criou a sua empresa, uma lavandaria, ele mesmo lavava e passava a ferro de forma irrepreensível. Era um exce- lente artista, um pintor notável, que deixou, porque a sua missão era outra. O autor, assim se refere a este benfeitor da Humanidade: «Vejo, o professor Carver como um ser superior que optou conscientemente e responsavelmente por uma difícil existência iniciada como negro, órfão e escravo a fim de preparar-se para ajudar milhões de pes- soas oprimidas pela miséria, a ignorância, a humilhaçãoeo desrespeito.
Para saber de suas lutas, conhecer seus problemas, experimentar suas dores, passar pelos seus desencantos, aquele ser que se chamaria George Washington Carver tinha de nascer lá, entre eles, e não nas amplas mansões dos ricos fazendeiros do algodão. De que outra forma poderia ele dedicar-se à gigan- tesca tarefa de demonstrar que os negros também eram gente e tinham direito a ser considerados como tal? Foi o que fez.
Consciente ou inconscientemente, ele tinha uma programação a cumprir, um projecto de profundo conteúdo humano a realizar e, por isso, não se importava muito com a qualidade da roupa que vestia, com o salário modestíssimo que ganhava ou com a fama que, a despeito de si mesmo, ia conquistando. Por isso, recolhia-se cada vez mais no seu laboratório, ao trabalho soli- tário ao qual emprestava as características nitidamente religiosas de uma prece.
Seus estudos e tarefas eram sempre precedidos de uma prece a Deus, na qual ele pedia ajuda e inspiração. (...) O laboratório transformara-se, para ele, numa espécie de templo, onde vivia os melhores momentos de sua existência, a pesquisar os maravilhosos segredos da natureza. Ali, no silêncio daquele modesto cómodo que ele passou a chamar de “Pe- quena Oficina de Deus”, ele conversava com o “dono” da oficina, que ia revelando segre- dos e mistérios que haviam sido colocados nas coisas que fizera no mundo.
» O Codificador do Espiritismo fez também a seguinte pergunta à falange do Espírito da Verdade: «Os Espíritos já purificados (1) vêm aos mundos inferiores? E os mesmos responderam: «Vêm frequentemente a fim de os ajudar a progredir; sem isso, esses mundos estariam entregues a si mesmos, sem guias para os orientar.» (Item nº 233) (1) Não podemos confundir a expressão «Espíritos purificados» com «Espíritos pu- ros». Espíritos purificados são aqueles que já não têm nada a aprender no mundo onde vão reencarnar em missão, para activarem a sua evolução, mas por certo ainda terão de adquirir outras qualidades, que nos escapam ao entendimento, em mundos compatíveis com a sua evolução, que não serão mundos de expiação.
São Espíritos que já não têm nada a expiar, nesse sentido estão já purificados, mas ainda têm muito a aprender, porque a evolução jamais cessa, é sempre relativa. Os Espíritos sempre nos chamam a atenção para a questão da linguagem humana: «Começai por vos entenderdes».
