Consultório Obsessão «Dr
Jornal de Espiritismo nº 27 · Março 2008Página 44 min
Ricardo Di Bernardi, tem algum caso interessante que nos possa contar sobre um enfermo que tenha sido tratado no centro espírita a que pertence, demonstrando que a doença era de foro espiritual e não físico?», pergunta Manuela Almodôvar, do Algarve. foto loucomotiv Dr. Ricardo Di BernardiCaríssima Manuela, cumpre-nos, a princípio, considerar que todo o problema físico, embora decorra de uma desarmonia biológica, está a reflectir uma desarmonia dos campos extrafísicos do indivíduo.
Melhor explicando: adoecemos por problemas de resistência aos vírus, bactérias ou por desajustes bioquímicos nas nossas células físicas, é verdade, mas estes desajustes e fragilidades orgânicas decorrem de uma desarmonia dos nossos campos vibratórios, os quais se situam em outros corpos ou campos extrafísicos do nosso ser. Desta forma as doenças físicas são reflexos de nossa condição espiritual. Tendo feito a observação acima, poderíamos nos reportar a problemas de obsessão de um espírito desencarnado, levando a manifestações orgânicas, como dores sem causa clínica determinada, como solicitou.
J.S.S. homem, 34 anos, com histórico de dor de cabeça ao redor de todo o crânio, “como se o apertasse”, há 5 anos. Procurou competente clínico que o encaminhou ao oftalmologista, o qual descartou esta origem na dor referida. Posteriormente, procurou neurologista e otorrinolaringologista que por último o enviou ao psiquiatra. Não tendo sucesso, procurou o centro espírita. Após atendimento fraterno de 1 hora (60 minutos), foi recomendada uma investigação espiritual .
Aberto o campo ou psicosfera do paciente, sem o mesmo presente, mentalizou-se o seu endereço, no qual J.S.S. estaria em repouso, após leituras edificantes e prece. Os médiuns, em desdobramento, observaram uma estrutura cinza escura fixa na região superior do cérebro astral de J.S.S. Após concentração dos presentes e mentalização observou-se que partindo da estrutura cinza-chumbo havia “fios” energéticos que eram manipulados a distância por equipa de entidades com aspecto agressivo.
Efectuou-se o atendimento a diversas entidades que foram passíveis de diálogo. Outras entidades não aceitaram diálogo e foram envolvidas por energia emanada pelo grupo mediúnico e hipnotizadas, adormecidas e levadas, amorosa porém compulsoriamente, ao posto de socorro astral que se relaciona com o nosso grupo mediúnico. Na sequência, utilizando ectoplasma dos presentes, foi extraída a estrutura, desmaterializada e as suas energias transmutadas.
Após 3 sessões de tratamento perispiritual à distância e acompanhamento na Casa Espírita, as dores de cabeça se tornaram muito raras e quase imperceptíveis. Foi encaminhado, novamente, para tratamento médico. Pedro Nunes, Oliveira do Bairro, indaga: «Dr. Ricardo Di Bernardi, cada vez mais o tratamento com “Reiki” invade os centros espíritas. Existem diferenças com relação ao passe? Como o espiritismo explica essa energia e como ocorre o tratamento?
». Dr. Ricardo Di BernardiCaro Pedro, inicialmente, permita-me dizer que são os espíritas que estão promovendo a entrada do “Reiki” nos centros espíritas e não o Reiki que está a invadir os centros. Considero a sua preocupação muito válida. O mesmo dir-se-ia com relação a homeopatia, florais, cromoterapia, etc. Veja, sou médico homeopata e minha esposa é terapeuta reiki, portanto estas questões estão muito claras para nós.
Considero que é função do centro espírita orientar espiritualmente, encarnados e desencarnados, tratar das questões do relacionamento com o mundo extrafísico e estudá-lo. No meu ponto de vista, não é função do centro espírita tratar questões como pneumonia, dores de coluna, problemas psiquiátricos, etc. Desta forma todas as terapias devem ser efectuadas em locais não relacionados com a Casa Espírita. O Reiki é uma terapia oriental, muito eficiente, onde o terapeuta permanece uma hora com o paciente, em atendimento individual trabalhando cada centro de força (chacra), diferentemente do passe magnético cuja aplicação é de menor duração.
O reiki manipula energia cósmica universal, disponível na natureza, e o magnetismo próprio do terapeuta reikiano, não envolvendo transe mediúnico. No centro espírita há uma solicitação, antes dos trabalhos de passe, para intervenção energética dos protectores espirituais. Se estiver a pensar: “mas no Reiki pode haver intervenção ou participação (não ostensiva) dos espíritos protectores” . Sim, mas esta não é a proposta básica do Reiki.
Também há participação, não ostensiva, de protectores espirituais em todo trabalho sério médico ou psicológico efectuado em consultório, também no Reiki, isto é normal e positivo. A diferença é que a proposta básica é um atendimento profissional e ligado à questão de saúde física e mental, não tendo a ver com questões da doutrina espírita como a obsessão de espíritos desencarnados por exemplo. Considero que a doutrina dos espíritos deve se ater à questão da vida espiritual e do relacionamento dos espíritos com o mundo corporal (vide Allan Kardec, «O Evangelho Segundo o Espiritismo», no capítulo que define o que é Espiritismo).
Recomendo Reiki aos meus pacientes, mas não o fazemos na Casa Espírita.
