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Editorial foto loucomotiv Ainda há gigantes na Terra

Jornal de Espiritismo nº 27 · Março 2008Página 24 min

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Não são como o da história do pé de feijão mágico, são maiores e notáveis. Conseguem ter essa estatura sem sequer a ostentarem, passam sem pisar ninguém, e têm até maior audição do que boca para falar ou pena para escrever. Um destes dias precisava de descobrir as datas da passagem terrena de Ian Stevenson, o psiquiatra norte-americano que levou a reencarnação ao laboratório através das lembranças de uma multidão de crianças sobre as suas vidas passadas.

O que seria mais rápido? Claro: Internet, motor de busca, palavras-chave adequadas. Uma tentativa, e apenas aparecem elos sobre investigação, trabalho feito, publicado. De permeio algumas opiniões subjectivas. E as datas? Ian parecia ainda não ter desencarnado, apesar de neste mês de Fevereiro já atingir um ano sobre o seu passamento! Por fim, na Wikipedia lá aparecem os dados em busca, mas não se esgotou até hoje a impressão do quanto o resultado de um esmerado trabalho perdura com a valia idêntica àquela que teria se tivesse sido feito ontem.

Ajudam e esquecem, sem esperar louvores, sem se considerarem detentores de um lugar na história, que acabam por fixar, sem querer, graças à sua autoridade moral. Que exemplo de maturidade. Que consciência do seu lugar no mundo. Neste fio de considerações, outros vultos aparecem: incontornável e afim, Hernâni Guimarães Andrade. Em Abril contar-se-ão cinco anos dia 25 sobre o seu regresso ao plano espiritual. Em 31 de Março de 1869 corre mais um ano sobre o desencarne deste trabalhador lúcido, prodigioso, sem cuja pesquisa tudo seria confuso e fragmentado.

Ele conseguiu legar ao Globo inteiro a base de uma doutrina capaz de «encarar a razão face a face em todas as épocas da humanidade». Com ele, também a espalhar benefícios através de inúmeras obras publicadas, está Chico Xavier, a bondade em forma de pessoa. Partiu já neste século XXI, em 30 de Junho de 2002. E quantos não continuamos a colher bênçãos do seu trabalho… À passagem de quem vem e deixa obra segura, a Terra fica mais rica.

A sua população dispõe de recursos mais amplos, muitas vezes sem ter noção de que informação é poder. Poder sobretudo sobre si próprio, que outros diferentes não são minimamente interessantes, a não ser que se encarem realmente como formas de serviço público. E quantos há cujos nomes mal conhecidos são até no bairro em que viveram e, menos mediáticos, deixaram exemplos intransferíveis de bondade autêntica, de altruísmo singular, porém com a consciência a atestar hoje os valores luminosos que edificaram?

Quem não quer mapas destes para os seus caminhos do dia-a-dia, tão inevitáveis de percorrer, tão próximos de nós próprios? Inspirados no que Jesus ensinou, temos a cartilha para desdobrar, assimilar, com o denominador comum do entendimento no respeito ao livre-arbítrio de outrem. Quanta liberdade em ser assim! Falar mal de alguém algema o ser a vibrações infelizes. Falar dos aspectos positivos é estimulante. A educação vale não pela repressão, pelas sentenças deste e daquele, mas pela cultura dos aspectos potencialmente positivos que todos temos, a fim de que eles cresçam como o seco grão de feijão que o menino da escola deita no copo entre algodão húmido e, em poucos dias, se abre e transforma numa haste verde que segura cotilédones cheios de nutrientes e deita raiz sequiosa de água, abrindo-se em folhas tenras numa corrida para a luz.

Seremos mais capazes que o feijão de correr para onde devemos? Claro que sim! Cada um tem é de trabalhar para isso… Por Jorge Gomes A flor de pétalas caídas O estacionamento estava deserto quando me sentei para ler debaixo dos longos ramos de um velho carvalho. Desiludido da vida com boas razões para chorar, pois estava a sentir-me afundar. E se não fosse razão suficiente para arruinar o dia, uma criança ofegante chegou-se a mim, cansado de brincar.

Ela parou na minha frente, cabeça pendente, e disse cheia de alegria: - Veja o que encontrei. Na sua mão uma flor, e que visão lamentável: pétalas caídas, sequiosa. Querendo ver-me livre do garoto e da sua flor, fingi pálido sorriso e voltei-me para o lado. Mas ao invés de recuar ele sentou-se ao meu lado, levou a flor ao nariz e declarou com estranha surpresa: - O cheiro é óptimo, e é bonita também. Por isso a apanhei; ei-la, é sua.

A flor à minha frente estava morta ou a morrer, nada de cores vibrantes como laranja, amarelo ou vermelho, mas eu sabia que tinha de a segurar, ou ele jamais sairia dali. Então agarrei-a e respondi: - Era mesmo o que eu precisava. Mas, ao invés de colocá-la na minha mão, ele a segurou no ar sem qualquer razão. Nessa hora notei, pela primeira vez, que o garoto era cego, que não podia ver o que tinha nas mãos. Ouvi a minha voz sumir, lágrimas despontaram ao sol enquanto lhe agradecia por escolher a melhor flor daquele jardim.

- De nada!, e sorriu. Então voltou a brincar sem perceber o impacto que teve em mim. Sentei-me e pus-me a pensar como ele conseguiu enxergar um homem autopiedoso sob um velho carvalho. Como sabia do meu sofrimento? Talvez no seu coração ele tenha sido abençoado com a verdadeira visão. Através dos olhos de uma criança cega, finalmente entendi que o problema não era o mundo, e sim eu. E por todos os momentos em que eu mesmo fui cego, agradeci por ver a beleza da vida e apreciei cada segundo que é só meu.

Levei aquela flor quebrada ao meu nariz e senti a fragrância de uma bela rosa. Sorri enquanto via aquele garoto, com outra flor nas suas mãos, prestes a mudar a vida de um insuspeito senhor de idade. In http://www.omensageiro.com.br/ mensagens/mensagem-29.