27 — índice de conteúdos

Entrevista Acadaumsegundoassuasobras Divaldo Pereira Franco é um orado

Jornal de Espiritismo nº 27 · Março 2008Página 79 min

Partilhar
Idioma

Entrevista Acadaumsegundoassuasobras Divaldo Pereira Franco é um orador que arrasta multidões. Palavra fluente, ideias claras, vem este mês de Abril a algumas regiões do país. Em vésperas de fecho desta edição, responde a algumas perguntas. Tentam espiritualizar o mundo mas são uma minoria insignificante e desconhecida. Os espíritas vivem num mundo à parte? Divaldo Pereira Franco – O futuro da humanidade está assinalado no ser antropo-sócio-psicológico, em face da sua evolução contínua.

Quando consideramos que a proposta de Jesus veio através dEle, que elegeu modestos cooperadores, algo ignorantes e simples de conduta, e espalhou-se pelo mundo, particularmente o ocidental, não temos por que estranhar que os espíritas sejamos poucos, edificando as bases da Era Nova... Os verdadeiros espíritas não se encontram a actuar num mundo à parte, antes são cidadãos trabalhadores e dignos, que se movimentam com facilidade nas diferentes camadas sociais, nelas imprimindo a marca do seu carácter nobre e dos seus sentimentos elevados.

O Espiritismo é doutrina ainda jovem, com os seus 150 anos apenas, e logo mais encontrará o seu lugar no concerto das nações. Como a lei de progresso é geométrica, subitamente teremos um grande salto para melhor, quando os veículos de divulgação das massas dêem espaço à Doutrina, qual já vem ocorrendo, mesmo que modestamente. Vemos o mundo mergulhado na perda de valores morais. O que acontece aos políticos corruptos que levam vida faustosa em detrimento do bem-estar do povo?

George Bush poderá reencarnar, por exemplo no Iraque? DPF – O conceito ético-moral vem de Jesus que afirmou: “A cada um segundo as suas obras. É claro que, sendo o indivíduo o semeador, logo se fará o colhedor da ensementação realizada. No que diz respeito às Leis morais, a responsabilidade é medida pelo conhecimento da verdade e da honradez. Na questão em foco, todos aqueles que deslustram os valores morais, sofrem-lhes as consequências, em razão da Lei de Causa e Efeito, a partir da existência actual, porquanto, podem apresentar-se como poderosos, ricos, falsamente amados, experimentando, não raro, distúrbios existenciais complexos e terrível solidão interior, em silêncios afligentes, quando não sofrem enfermidades excruciantes na etapa final da existência física.

No mundo espiritual, tomam consciência dos seus disparates, fazem-se joguetes daqueles aos quais infelicitaram, que lhes cobram cruelmente as dívidas assumidas, prolongando o período de aflição por tempo indeterminado, até quando a reencarnação os recambia de retorno ao proscénio terrestre com marcas profundas de alienação e miséria física, psicológica, mental, situando-os nas regiões de sofrimento, onde há escassez de tudo aquilo que esbanjaram.

É provável que o Sr. George Bush venha a reencarnar em situação deplorável, em face, porém, da sua conduta, que somente o Senhor da Vida pode avaliar com segurança. Com a emergência da China, PaquistãoeÍndia como países que almejam o «American way of live», o planeta corre o risco de colapso, com os preços dos alimentos a dispararem, falta de alimentos e falta de petróleo. Que solução preconizam os bons espíritos para tal situação social do planeta Terra?

DPF – A questão é muito complexa para uma resposta sintética. A lei de progresso, como sabemos, sempre ergueu impérios que depois se esboroaram, organizações militares, políticas e religiosas que dominaram por um dia e foram consumidas por incapacidade de acompanharem o desenvolvimento da cultura e do crescimento moral da sociedade. A aspiração à comodidade, ao prazer, nas civilizações hedonistas, é perfeitamente natural, portanto, atraindo o interesse de todos os povos.

Especificamente, esses países que estiveram mergulhados por séculos demorados no primarismo, na intolerância, nas discriminações lamentáveis, ante a possibilidade do crescimento tecnológico, erguem-se agora como grandes potências, no entanto, sem estrutura sociológica para atender aos objectivos que perseguem com ansiedade. Em decorrência, alteram-se os comportamentos de mercado no mundo, em face da competição, não poucas vezes ignóbil, utilizando o trabalhador- -escravo, da crueldade de leis absurdas de que se utilizam os seus governantes, produzindo em consequência a queda de outras nações antes grandiosas.

A Terra dispõe de recursos minerais inexauríveis, ainda não explorados, assim, como de possibilidades agrárias, pecuárias, piscícolas, na intimidade dos oceanos, alimentícias portanto, para atender a toda a sua população. A miséria socioeconómica vigente no planeta é decorrência da indiferença de uns governantes arbitrários e perversos, em relação aos outros povos... Assim prosseguindo, aqueles que exploram e impedem o progresso dos outros, experimentarão nas carnes da alma, queiram ou não, o resultado da sua prepotência e crueldade, observando as suas vítimas crescerem enquanto eles regridem em possibilidades de conforto, de poder e de prazer...

Corremos o risco de uma guerra nuclear? DPF – Pessoalmente não acredito na ocorrência de uma guerra nuclear, que seria desastrosa, também, para o país que a desencadeasse. A vantagem da guerra, para os belicosos, é a submissão do vencido. Numa guerra nuclear, que se generalizaria, não existiria vencedor. De onde vêm os terroristas? DPF – O terrorismo é o fruto espúrio da árvore do egoísmo de algumas nações que privilegiam outras, gerando descontentamento naqueles indivíduos que estorcegam na miséria dos seus países pelos poderosos explorados...

Houvesse mais justiça social, igualdade de direitos e de oportunidades, socorro aos sofrimentos defluentes da fome, da sede, das lutas intestinas e das perseguições injustificáveis de variada ordem, e essa figura horrenda do terrorismo desapareceria da nossa civilização, pelo menos, conforme se vem apresentando. Igualmente, é doença da alma, em face da paixão religiosa, do extremismo a que o indivíduo se aferra. Genericamente, os terroristas, embora o respeito que nos merecem como criaturas, são Espíritos ainda primários, que não respeitam a vida, vivenciando equivocadamente experiências iniciais que lhes desenvolvem o fanatismo destrutivo...

Aquecimento global, um tema preocupante. O que dizem os bons espíritos sobre isto? DPF – Vivemos o período da colheita das acções pretéritas, nada obstante, continuemos produzindo novas sementeiras. O aquecimento global é resultado dos males que temos propiciado à Mãe Terra, como decorrência das humanas ambições desmedidas que lhe desrespeitam a estrutura, o equilíbrio ecológico. É natural que venhamos a sofrer-lhe os efeitos perturbadores, quais vêm acontecendo a pouco e pouco...

É verdade que a Terra vai sofrer a verticalização do seu eixo? DPF – Segundo os estudiosos do assunto, confirmado pelos Espíritos nobres, haverá uma alteração lenta e progressiva do eixo da Terra, no sentido de uma quase verticalização, que produzirá efeitos bons para o futuro, porquanto o planeta igualmente se subtiliza, isto é, diminui a condição grosseira actual, que é própria ao mundo de provações que é, a fim de dar lugar ao porvindouro mundo de regeneração.

Não acredito que ocorram desencarnações em demasiado volumosas, mas semelhantes às que vêm tendo lugar com as tisunamis, os vulcões, outras calamidades sísmicas, quais os tornados, os terramotos, o crescimento dos mares e oceanos como resultado do degelo da Gronelândia e da calota polar, etc. Todos esses fenómenos se encontram bem definidos e explicados na Lei de destruição, 3.ª parte de O Livro dos Espíritos, de Allan Kardec.

Joanna de Ângelis tem uma psicografia tão profunda quanto inquietante, a curto prazo, intitulada «A Nova Era». Que vai acontecer ao planeta Terra depois de 2010, 2050 e 2100? DPF – O mundo de regeneração já começou, em face da presença de nobres Entidades que ora se estão reencarnando no planeta, alguns dos grandes missionários do passado, como de outras dimensões, a fim de procederem à depuração dos habitantes do orbe terrestre.

Segundo os Benfeitores, muitos desses Espíritos cruéis e sandeus da actualidade, fomentadores da violência e da banalização dos valores morais, já não reencarnarão em nosso Orbe, no futuro, sendo exilados para planos inferiores onde se recuperação das mazelas que os caracterizam no momento. Penso que a mensagem a que se refere denomina-se A grande transição, que foi publicada inicialmente na revista «Reformador», da Federação Espírita Brasileira.

Alguns especialistas assinalam o ano 2010 para o mergulho do sistema solar inteiro no envoltório de fotões de Alcíone (do grupo das Plêiadas, na constelação de Touro) e provavelmente, segundo alguns Mentores espirituais já poderemos notar os seus efeitos benéficos a partir (mais ou menos) do ano 2050. O planeta Terra corre o risco da extinção da raça humana como, por exemplo, a erupção vulcânica no continente Americano, que provocaria por hipótese uma situação parecida com a ocorrida na época dos dinossauros?

DPF – Os Benfeitores espirituais que por meu intermédio se comunicam informam que isso não ocorrerá, qual teria sucedido em passado bem distante com a Atlântida e a Lemúria... Qual o melhor caminho para a remoralização do ser humano? DPF – O sofrimento é o mestre silencioso que educa e renova o ser humano, como a tempestade que vergasta a floresta, a arrebenta e lhe faculta a renovação. Apesar disso, o discernimento, como resultado da cultura e da evolução moral, contribuirá expressivamente para a mudança de comportamento actual para melhor no futuro de todos os seres terrestres.

A razãoealógica, a aquisição da consciência cósmica, portanto, favorecerão as criaturas em evolução com os mais expressivos recursos para a conquista da paz e da plenitude. Uma questão fora deste contexto social: na sua opinião Chico Xavier foi Allan Kardec? Emmanuel já reencarnou como alguns asseveram? DPF – Narra um dos seus biógrafos, o sr. Carlos Baccelli, que oportunamente lhe perguntara directamente se ele, Chico Xavier, era a reencarnação de Allan Kardec, ao que ele respondera enfático: - Não.

Eu não sou. Desse modo, prefiro continuar acreditando na honestidade do venerando apóstolo da mediunidade, quando ainda reencarnado. Tive ocasião de ler informação a respeito da reencarnação do nobre Espírito Emmanuel, publicada por pessoas dignas de respeito e trabalhadoras da nossa Doutrina. Como o assunto não me parece importante, trazendo nada de iluminativo e esclarecedor para a melhor compreensão do Espiritismo, não me interessei pelo tema.

Nunca apresentei essas questões aos Mentores que por mim se comunicam, por considerá-las de importância secundária. Podemos afirmar que o Planeta Terra sofre de obsessões colectivas temporárias que impulsionam o homem para o jogo dos sentidos e para a guerra? DPF – As criaturas humanas, sim, periodicamente são vítimas de obsessões colectivas, conforme análise do egrégio Codificador Allan Kardec, quando estudou ocorrências dessa natureza que tomaram conta de cidades inteiras, na França como em outros países.

Acredito, sim, que vivemos na actualidade um período de obsessão colectiva, aturdindo as criaturas humanas. Porque estão a reencarnar tantas crianças, por exemplo, em Portugal, que têm dificuldade na fala apesar da sua inteligência e em que os médicos não conseguem descortinar etiologias conhecidas da ciência médica? DPF – Embora a tese venha sendo combatida com tenacidade, por alguns espíritas, confesso que acredito que sejam Espíritos procedentes de outras dimensões, estudadas por psicólogos, psiquiatras, educadores não espíritas, que as denominaram como índigos.

A criança não deve ser designada por outro vocábulo, senão criança. A palavra índigo é somente uma referência para classificação de conduta. A grande verdade é que hoje elas se encontram em todos os continentes gerando tumulto, exigindo novos métodos psicopedagógicos para orientá-las, DDA/s e TDAH/s, que devem ser tratadas com amor, benevolência, carinho e terapias cuidadosas, incluindo-se alimentação especial, atendimento homeopático, passes, água fluidificada e paciência, muita paciência...

Sobre o assunto realizamos um seminário em Oswego, Illinois (Estados Unidos) que foi publicado posteriormente como um livro bilingue, em português e inglês, em parceria com a Dra. Vanessa Anseloni, PhD, assim como um DVD tratando do assunto com o mesmo título, referente a uma conferência que proferi, no Brasil.