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Jornal de Espiritismo nº 27 · Março 2008Página 192 min
Literatura A Obsessão Palais Royal Este livro de Allan Kardec, muito importante para compreendermos esse grande flagelo da humanidade, não constitui um trabalho autónomo do Sábio de Lyon. PUBLICIDADE É uma obra de 274 páginas, constituída por textos da «Revista Espírita» dos anos 1858 a 1868, que os espíritas da União Espírita da Bélgica organizaram e publicaram em 1950. A Casa Editora «O Clarim», de Matão, São Paulo, fundada por Caírbar Schutel, publicou em português, com primorosa tradução de Wallace Leal V.
Rodrigues em 1969, ano do centenário do passamento de Allan Kardec. Tal compilação atingiu já a 7.ª edição. Neste trabalho, com a marca inconfundível do Codificador, podemos compreender as origens, os sintomas e as causas da doença, tão comum e generalizada, mas ainda tão desconhecida dos homens. Os materialistas negam em absoluto a intervenção dos Espíritos e os religiosos impregnados do conceito de sobrenatural, fruto de profunda ignorância das leis naturais — Leis de Deus —, atribuem tal doença à intervenção dos demónios, de Satanás; como se o Criador, infinitamente justo, sábio e bom, omnisciente e omnipotente, criasse seres para serem eternamente banidos da perfeição e da felicidade, o que seria uma crueldade.
Felizmente, o amadurecimento espiritual do Homem vai diluindo o carácter antropomórfico do Criador, uma das razões por que gradualmente as religiões instituídas vão perdendo profitentes. Neste livro podemos entender o célebre caso do Espírito batedor de Bergzabern, localidade alemã, onde residia a menina Philippine Sänger, médium natural, de mediunidade ostensiva muito complexa, e também sonâmbula extática, cuja fenomenologia observada nos anos de 1852 e 1853, mereceu de Allan Kardec vários artigos na Revista de 1858.
Allan Kardec, com a colaboração dos Bons Espíritos, nomeadamente Georges e Erasto, faz também um estudo profundo sobre os «Possessos de Morzine», comuna francesa da Alta Sabóia onde, em 1862, se verificou uma autênica invasão de Espíritos inferiores que atormentaram a sua população. A leitura atenta e o estudo destes trabalhos do Codificador são uma mais-valia para os trabalhadores espíritas que se dedicam ao trabalho de desobsessão.
Entre muitos outros estudos retirados da Revista, pelos espíritas belgas, chamamos a atenção dos estudiosos para a peça final do livro que é, nem mais nem menos, que o célebre discurso de Allan Kardec pronunciado na Sociedade Parisiense de Estudos Espíritas, no dia 1 de Novembro de 1868, na sessão anual comemorativa dos mortos, em que o Codificador apresenta a razão por que durante a elaboração da Codificação não considerou o Espiritismo como uma religião.
Por Carlos Alberto Ferreira Seja Benemérito do Jornal de Espiritismo Saiba como em: Associação de Divulgadores de Espiritismo de Portugal, JE, Apartado 161 – 4711-910 BRAGA adep@adeportugal.org www.adeportugal.org telem.
