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Consultório Leis automáticas Escreve de Lisboa, Francisca Maria: «Dr

Jornal de Espiritismo nº 28 · Maio 2008Página 45 min

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Ricardo, porque as mulheres têm o“período menstrual”todos os meses, causando enormes transtornos, sociais, profissionais, familiares, físicos e psicológicos? O que o espírito tem a ganhar com tudo isto comparativamente aos homens?». Dr. Ricardo di BernardiPrezada Francisca Maria, a sua questão é interessante, prática e deve ser a mesma de muitas outras mulheres.

O corpo humano é resultado de uma evolução de milhões de anos. Esta evolução decorre da presença dentro de nós de uma força impulsionadora do progresso, que é a centelha divina. Jesus disse: Vós sois deuses, Deus está em vós. Deus não está apenas na igreja nem no centro espírita, está em toda a natureza, em todo o universo. As leis da natureza são, portanto, a Lei de Deus. Estas leis são automáticas. Estas leis determinam que os corpos também evoluam e se transformem, sempre buscando a perfeição.

Deus não criou seres humanos prontos. Os seres humanos foram surgindo da transformação de outros seres mais simples até chegarem à fase humana. Devido à Lei do Universo, isto é, Deus, estar na essência de todos nós, como de todas as criaturas do universo, há uma força determinante evolutiva em nós. O corpo humano foi-se construindo da maneira como é hoje, pela melhor adaptação deste corpo às dificuldades da natureza.

Há milhões de anos as espécies inferiores não tinham menstruação. Entre os animais, os mamíferos têm cio e uma época anual ou bianual para procriação. Com o tempo, isto é milhões de reencarnações, deixou de ter cio para que constantemente os óvulos amadurecessem, para todo o mês haver possibilidade de fecundação e interesse sexual na espécie humana. Nos seres humanos o sexo tem além da finalidade reprodutiva, finalidade de troca de energias, troca de forças psíquicas, deixou de ser apenas uma necessidade animal para se tornar uma proposta de expressão física constante da manifestação de um amor espiritual entre duas criaturas, um casal unido pelo amor.

Houve uma evolução. No entanto esta evolução não terminou. Teremos, ainda, milhões ou bilhões de reencarnações e novas mudanças na fisiologia do aparelho reprodutor feminino (conforme foi feita a pergunta). O que se observa actualmente é resultado de uma longa série de reencarnações que vimos tendo, desde que a espécie humana existe sobre a terra, e antes mesmo, quando o espírito (princípio espiritual) unido aos seres primitivos passava as primeiras experiências.

É preciso banir da nossa ideia a concepção de que Deus fez assim ou fez assado. Deus é o Amor Universal é a força que banha o universo mas as suas leis são leis automáticas perfeitas e nós evoluímos sempre e nos transformamos tanto física como espiritualmente, por força da nossa própria adaptação ao meio. Não foi Deus quem criou a menstruação. O nosso corpo assim se transformou para melhor sobreviver e melhor evoluir.

Daqui a alguns milhões de anos não teremos nada disto, como não teremos a mesma organização digestiva e urinária actual. Lembro, também, que um mesmo espírito renasce tanto como homem como mulher, não tendo sexo na essência. Logo não há espíritos que não tenham esta experiência. Há também uma questão individual, de mulher para mulher. Há diferenças incríveis entre ciclos. Há quem passe sempre muito bem, outras têm constantemente dores.

Tais peculiaridades decorrem do facto de haver diferenças pessoais do aparelho reprodutor e do sistema hormonal. Estas diferenças espelham dificuldades energéticas do corpo espiritual. Dificuldades construídas pelo próprio espírito que agora está a ter uma encarnação feminina (no caso da sua pergunta, pois nos homens há outros problemas, prostáticos etc.) Tudo é transitório, com certeza tudo tende para a perfeição, para a beleza, para a harmonia e para a felicidade.

Saudações!». De Vila do Conde, Florbela Marques indaga: «Se quisermos melhorar o nosso aspecto e beleza feminina, como aumentar ou levantar os seios, eliminar as rugas da cara, pescoço e papada, aumentar os glúteos recorremos à cirurgia plástica, o que o Dr. Ricardo como espírita nos tem a dizer? Dr. Ricardo di BernardiFlorbela, com o devido respeito, devo dizer que o seu nome não necessita de operações plásticas, pois em si já traz uma energia muito simpática.

Flor e bela. Iremos responder sob o ponto de vista espírita mas não posso furtar-me a colocar algo do ponto de vista médico que não colide mas complementa. Particularmente, olhando do ponto de vista médico, devemos atentar para os seguintes detalhes: 1) Exercício físico é sempre a melhor prevenção. 2) Alimentação saudável (frutas, verduras, legumes e água em abundância). 3) Combater a ansiedade é o melhor tónico para rejuvenescimento.

4) Realizar uma cirurgia plástica inclui riscos! Anestesia, infecção, hemorragia, morte... qualquer cirurgia é perigosa. Mas seria realmente essa cirurgia recomendada? Necessária? Cada um que responsabilize pelos seus actos, médicos e pacientes. 5) Trabalhos da clínica Joslin em Harvard mostram que a lipoaspiração aumentam a hipótese de desenvolver doença cardiovascular, pois essa gordura subcutânea é protectora. A gordura indesejável é a visceral (dos órgãos, a de dentro da barriga), essa sim é associada com enfarte, hipertensão e diabetes.

Sob o ponto de vista espírita, deve-se cuidar do corpo, deve-se primar pela saúde e pela beleza, desde que não se coloque estas decisões acima dos valores mais importantes da vida que são os emocionais, sentimentais, mentais e espirituais. Não temos (ainda bem) nenhum decálogo de proibições, nem algo do género, na doutrina espírita. Imagine se, baseado na doutrina espírita, eu fosse lhe dizer que pode em tal lugar do corpo, não pode em tal...

Ou, só pode tantos centímetros. A responsabilidade sob todos os pontos de vista é sempre da pessoa e dos médicos. Temos o direito de nos cuidar, temos o direito de nos embelezar. O exagero, o excesso é que traz problemas gerando desequilíbrio. Desequilibrar as energias interfere com o perispírito. Qual é o excesso? Depende de cada caso, da sua profissão, das suas necessidades reais, individuais e familiares. Importante pensar bem para ver o que é imaginário e o que é real.

Sempre convém fazer uma análise detalhada, inclusive psicológica. Lembro, também, que devemos viver intensamente, a beleza de todas as idades e fases. Se temos 30, 50 ou 70 anos, vamos sentir tudo de maravilhoso que a natureza nos pode proporcionar com esta idade. Há percepções, raciocínios, entendimentos que só a idade nos dará. Seremos infelizes se temos 50 e quisermos parecer, em todas as circunstâncias, ter 30 ou se temos 70 e desejarmos vivenciar o mundo, na sua plenitude, como se tivéssemos 50.

Façamos tudo, mas a felicidade está dentro de nós. A felicidade está no prazer de ver um pássaro cantar, no enlevo de ver um pôr-do-sol, em observar a chuva, as nuvens, o sorriso de uma criança, de ler livros, de se emocionar com uma música suave. Nada contra a cirurgia plástica. Faça-a, se pesar bem todos os factores, mas tenha em mente os valores maiores, pois estes é que lhe darão felicidade. Ricardo di Bernardi é palestrante e pesquisador, médico pediatra e homeopata, de Florianópolis, Brasil.