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nisto como em tudo; porém, sabendo que os espíritos exercem acção sobr

Jornal de Espiritismo nº 3 · 2004Página 137 min

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nisto como em tudo; porém, sabendo que os espíritos exercem acção sobre a matéria e que são os agentes da vontade de Deus, perguntamos se alguns dentre eles não exercerão certa influência sobre os elementos para os agitar, acalmar ou dirigir?

- Mas evidentemente. Nem poderia ser de outro modo. Deus não exerce acção directa sobre a matéria. Ele encontra agentes dedicados em todos os graus da escala dos mundos.»

O Livro dos Espíritos: obra actual e de referência

A Física continua a dar ao Espiritismo uma contribuição gigantesca na confirmação dos postulados espíritas que, de maneira nenhuma nós, os espíritas, poderemos subestimar. Existe uma ciência espírita, com uma metodologia de ciência, assente nas questões espirituais, mais do

que possamos imaginar, e a prova disso é O Livro dos Espíritos — uma obra actualum manancial para a Física Moderna, trazendo-nos um novo conceito básico sobre a visão macro e microcósmica de Deus (ao defini-lo como “a inteligência suprema, causa primária de todas as coisas”) do Espírito e da Matéria propriamente dita.

Texto: Luís de Almeida luis.almeida(Qmail.telepac.pt

Nota: “Confesso que, após cuidadosa e atenta leitura deste trabalho, concluí que foi um dos melhores artigos que já tive o prazer de ler. Ele se me afigura o mais erudito e informativo trabalho acerca da relaçãoÊ entre a Fiísica e o Espiritismo, até agora escrito em idioma português. Se traduzido para o inglês será, sem dúvida, apreciadissimo, inclusive pelos fisicos mais modernos que, atualmente, divulgam obras acerca do relacionamento entre a Consciência e o Universo, vislumbrado sob a óptica das Físicas Quântica e Relativística. Menciono, como exemplos, os livros de Michio Kaku (Hiperespaço, ed. Rocco, Rio de Janeiro, RJ) e de Amit Goswami (O Universo Autoconsciente, edit.

Rosa dos Tempos, Rio de Janeiro). Hernâni Guimarães Andrade

Bibliografia (1) Andrade, Hernâni Guimarães, Introdução deste artigo, In Janeiro de 2002, RIE, São Paulo, Brasil

2) CernOrganisation Européenne Pour La Recherche Nucléaire -

(3) Dyson, Freeman em Infinito em Todas as DirecçõesEdições Gradiva - 1990 - Portugal.

(4) EsaEuropean Space Agency -

(5) FermilabFermi National Accelerator Laboratory

(6) Greene, Brian em O Universo EleganteEdições Gradiva — 2000 — Portugal.

(7) Hawking, Stephen em Breve História do Tempo (Edição actualizada e aumentada, comemorativa do 1º Aniversário) - Edições Gradiva — 2000 - Portugal.

(8| — Hawking, Stephen em O Fim da FísicaEdições Gradiva — 1994 — Portugal. (9) — Kardec, Allan em O Livro dos EspíritosEdições

(10) — Magueijo, João em Mais Rápido que a Luz Edições Gradiva — 2003 — Portugal.

(11) — NasaNational Aeronautics & Space Administration -

(12) — Reeves, Hubertem O Primeiro SegundoEdições Gradiva — 1996 — Portugal.

(13) — Sagan, Carl em Um Mundo Infestado de Demónios — Edições Gradiva — 1997 - Portugal.

Aprendemos, quando estudamos a doutrina consoladora, que somos constituídos por corpo, espírito e

Se é pacífico entendermos o corpo e o espírito em nós, já o que diz respeito ao perispírito, por não haver até ao aparecimento do Espiritismo alguma ciência que falasse dele tecnicamente, foi permanecendo inacabado enquanto objecto de estudo.

Mas se percorrermos a cronologia terrestre e os assuntos debatidos pelos pensadores de cada época conseguimos destinguir o perispírito como objecto de estudo, em várias fases do pensamento humano. Paulo de Tarso terá designado o perispírito como corpo espiritual na sua famosa citação da carta aos Coríntios. Também os filósofos da Antiguidade e os iniciados das doutrinas espiritualistas falavam do perispírito sob outra designação.

O que mais interessa a este estudo é perceber: afinal, o que será perispírito? Entendemos que, em síntese, o perispírito pode ser designado como baú do que fomos, sede do que somos e programa do que seremos. Na realidade, a natureza do perispírito provém da condensação do fluido cósmico universal (LE q.94) em torno da centelha que o anima, a alma ou espírito. Nas obras básicas de Espiritismo codificadas pelo professor de Lyon, Allan Kardec, temos que este é constituído por uma substância vaporosa aos nossos olhos que reveste o espírito, podendo deslocarse para onde queira.

(LE q.93). Peris significa à volta de, portanto é um corpo que se encontra a envolver o espiírito. No seu estado normal o perispírito é invisível, mas pode sofrer alteração, segundo a vontade do espírito e em determinadas ocasiões que o tornam perceptível e até tangível, sendo possível vê-lo e até tocá-lo como foram exemplo algumas experiências com inúmeros pesquisadores (o caso do espírito Katie King e do investigador William Crookes ou ainda a exemplo o espírito Ana através do médium Peixotinho e tantos outros).

Designa então, Allan Kardec, este corpo como sendo semimaterial mais ou menos grosseiro, segundo a evolução espiritual do ser.

É bom entendermos que o perispírito não se encontra encarcerado no corpo físico. Devido à sua natureza fluídica é expansível,

podendo irradiar para o exterior com mais ou menos intensidade segundo a vontade e a força do pensamento do espírito. Mas nem só irradia. As suas características fluídicas são semelhantes às do mundo espíritual, portanto, facilmente ele os absorve e como serve de contacto entre o espírito e o corpo, molecularmente, imediatamente estes fluidos se misturam na orgânica do templo carnal. Daií a importância da terapia complementar dos passes onde os fluidos provenientes da Espiritualidade se convertem em medicamento para o depósito carnal.

É neste corpo que se encontram registados todos os momentos das nossas existências, desde a criação até ao momento presente. O seu somatório resulta naquilo que somos e o que seremos. Um erro a desfavor da Lei Universal deixa uma marca perispiritual negativa, uma experiência favorável à Lei Divina é abono rumo à ascensão. Passamos a explicar. No processo reencarnatório, como sabemos, escolhemos provas e expiações da próxima existência, para evoluirmos.

Estas têm a ver com o registo da memória do espírito e encontram-se seladas no corpo perispiritual, para que, ao longo de milénios de existências, possamos tornar o envoltório cada vez mais étereo. Usando uma analogia, o erro fica escrito na areia para que a força de vontade e um vento certeiro sejam capaz de apagar, enquanto o acerto fica gravado em rocha para jamais ser esquecido e ser nosso advogado em toda a parte.

Então, se eu fui saudável noutra existência e não aproveitei a saúde para ascender e, ao invés, atentei às leis do Criador, poderei escolher vir com alguma doença que me obrigue a reflectir. Pietro Ubaldi, pesquisador, escreve numa das suas obras “A dor leva à evoluçãoea evolução gradativamente anula a dor”.

Isto não quer dizer, e é relevante, que o perispírito seja a sede da memória, o que é errado, segundo podemos perceber na codificação como sendo atributo do espírito tal qual o pensamento, sendo “que o pensamento, criando imagens fluídicas, se reflecte no envoltório perispiritual como numa chapa de vidro, ou ainda como essas imagens de objectos terrestres que se

reflectem no vapor do ar; aí toma um corpo e se fotografa de alguma sorte” (OP - 1º Parte). Usando novamente uma ilustração vamos imaginar um computador: tem entre os seus componentes memoória e disco duro que interagem entre si e no entanto são elementos diferentes. Para que a informação seja passada para o disco é necessário que haja memória. Assim é com o espírito e o perispírito. O espírito “é a memória” e o perispírito “o disco duro”.

É importante lembrar que quando um espírito migra de um mundo para outro, vai formar o seu perispírito consoante as características do ambiente desse outro mundo e o perispírito antigo desaparecerá. Se o perispírito fosse a sede da memória, todas as suas lembranças se desvaneceriam com o perispírito anterior. O que acontece é que o espírito impregna o novo corpo subtil com as experiências pretéritas para dar continuidade à evolução interagindo com o corpo físico.

Vamos concluir, então, que o perispírito é uma resenha, um molde a partir do qual o espírito reencarnante vai construir seu corpo físico futuro. Hernâni Guimarães Andrade refere-se também a este como Modelo Organizador Biológico, uma vez que é em sua intimidade energética que se agregam as células e se modelam os órgãos, proporcionando-lhes o pleno funcionamento.

Entendemos, de uma forma muito simples, como se dá o processo reencarnatório através dos acertos e desacertos pretéritos e também um pouquinho acerca da natureza íntima deste corpo subtil, no qual Kardec disse estar a chave para o conhecimento do Homem.

Ainda que muito haja para falar acerca do perispírito, não podemos estender-nos muito, ficando a promessa de novos resumos para edições vindouras.

Bibliografia: LEO Livro dos Espiíritos, Allan Kardec; OPObras Póstumas, Allan Kardec; A Grande Sintese, Pietro Ubaldi; Teoria Corpuscular do EspíritoHernâni Guimarães Andrade; Perispírito — Baú do que fomos, sede do que somos, programa do que seremos — Frederico HonórioIV CNEMaia.

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