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Consultório Métodos anticoncepcionais Pergunta Manuela Trindade, de Si

Jornal de Espiritismo nº 31 · Novembro 2008Página 45 min

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Consultório Métodos anticoncepcionais Pergunta Manuela Trindade, de Silves: «O que tem o Dr. Ricardo Di Bernardi para dizer sobre o uso de métodos anticoncepcionais e sobre o“laquear das trompas”?». Ricardo Di Bernardi – Vamos dividir sua pergunta em duas partes. O controlo da natalidade tem sido utilizado desde os primórdios dos tempos. A civilização humana sempre encontrou raízes ou ervas com as quais feiticeiros ou médicos procuraram interferir no processo da concepção ou mesmo da gestação em curso.

Mesmo aqueles casais avessos aos métodos artificiais frequentemente optam por “métodos naturais”, evitando relacionamento sexual nos dias férteis e objectivando o mesmo resultado: a limitação da natalidade. Teoricamente, em todos os casais haveria uma possibilidade de um número maior de filhos caso não houvesse alguma forma de controlo ou planeamento familiar. Esta constatação nos leva a crer, que há na quase totalidade dos casais, alguma interferência, por livre iniciativa, sobre a natalidade dos seus filhos.

Em face do exposto, o bom senso leva-nos a uma posição realista, sem perdermos a visão idealista. Nós, seres humanos, já conquistamos o direito da liberdade de decidir, evidentemente com a responsabilidade assumida pelo livre-arbítrio. O Homo sapiens já possui a possibilidade de escolher a rota do seu progresso, acelerando ou reduzindo a velocidade do seu desenvolvimento espiritual... Somos os artífices da escultura do nosso próprio destino.

Nas informações que são colhidas, psicográficas ou psicofonicamente, os espíritos expõem a planificação básica de nossa vida aqui na Terra, projecto desenvolvido antes de reencarnarmos. Se é verdade que os detalhes serão aqui por nós construídos, o plano geral foi anteriormente traçado no plano espiritual, frequentemente com a nossa aquiescência. Desta planificação básica é comum constar o número de filhos. Se um casal deveria receber 4 filhos na sua romagem reencarnatória e não o fez, pelo uso das pílulas anticoncepcionais ou outro método bloqueador da concepção, ficará com a carga da responsabilidade a ser cumprida.

Não se permitiu a complementação da tarefa a que se propôs antes de renascer. A grande questão que surge é com relação às consequências advindas da decisão de limitar a natalidade dos filhos. Sabemos que pode haver uma transferência do compromisso estabelecido para outra encarnação. Sucede muitas vezes que esta decisão de postergar compromissos determina a necessidade de um replaneamento espiritual com relação àqueles designados à reencarnação num determinado lar.

Podem os mesmos obter “novos passaportes” surgindo como netos, filhos adoptivos ou outras vias de acesso elaboradas pela espiritualidade maior. Ocorrerá, nestes, casos, a necessidade de um preenchimento da lacuna de trabalho que se criou ao se impedir a chegada de mais um filho. O trabalho construtivo, consciente ou inconscientemente desenvolvido para substituição do compromisso, poderá compensar pelo menos parcialmente a dívida adiada.

Qualquer débito cármico poderá ser sanado ou atenuado por potenciais positivos, às vezes bem diversos dos sectores daqueles que originaram as reacções. No entanto, o labor construtivo e amoroso na área mais específica da maternidade e infância carentes são naturalmente mais indicados para a harmonização das energias deficientes nesta área. Se o ideal é que cumpríssemos o plano de vida preestabelecido, é também quase geral o facto de que neste planeta a maioria não logra êxito na execução total das suas tarefas.

Resta-nos a necessidade de consultar honestamente a consciência, pois pela intuição ou sintonia com nosso eu interno encontraremos as respostas às dúvidas (ou dívidas...) particulares neste mister. É constatação evidente o facto de, normalmente, não nos recordarmos dos planos previamente traçados, mas é verdade também que frequentemente fazemos “ouvido de mercador “ aos avisos que o nosso inconsciente nos transmite. Não esperemos respostas prontas ou transferência de decisão para quem quer que seja, afinal estamos, ou não, lutando para fugir das mensagens dogmáticas, do “ isto é permitido” e “ isto não é”.

Cada casal deverá valorizar o mergulho no seu inconsciente, sentir, meditar, e das águas profundas do seu espírito, trazer à superfície a sua resposta. Vejamos a questão de laquear as trompas. Ao nos referirmos a esta temática, consideraremos as digressões aqui feitas extensivas à situação correspondente no organismo masculino. A vasectomia, processo que no homem visa interromper o fluxo de espermatozóides em direcção ao exterior, também segue a mesma linha de raciocínio a ser exposto.

Há sem dúvida, indicações médicas muito definidas e claras no que tange à laqueação de trompas. Situações onde o risco de uma nova gestação é bastante elevado, podendo determinar o óbito da mulher. Ressalvam-se aqui os casos onde uma pseudo-situação é criada consciente ou inconscientemente, tanto pelo profissional como pela mulher, que na realidade procuram uma razão que justifique a decisão prévia. O percentual mais expressivo deste processo é, sem dúvida, por motivo de planeamento familiar.

Observa-se uma crescente permissividade nas indicações cada vez mais precoce e com menor número de filhos. Não nos referimos especificamente a um país ou região, mas ao contexto planetário, onde a situação é preocupante. As lesões ou mutilações aceitas por nós, ou ainda consentidas e estimuladas pelo cônjuge, hão de trazer repercussões a médio e longo prazo. O corpo espiritual regista as alterações e automaticamente surgirão consequências nesta ou em outras encarnações ligadas à esfera atingida.

Fragilidades orgânicas, predisposições a patologias e dificuldades na área da fertilidade poderão (veja bem poderão!) ser algumas situações a ser observadas nos indivíduos que no passado optaram por esta intervenção. Qualquer débito cármico poderá ser sanado ou atenuado por potenciais positivos, às vezes bem diversos dos sectores daqueles que originaram as reacções. Importante, também, que cada caso seja de per si analisado, pesando-se os inúmeros factores envolvidos.

Não há como se colocar num mesmo grupo situações diametralmente opostas do ponto de vista socioeconómico, cultural ou ético. A laqueação de trompas, efectuada preventivamente numa mulher que sistematicamente aborta ao engravidar e afirma irá abortar sempre que engravide, não poderá ter o mesmo nível de consequência cármica de outra que simplesmente diz ao médico não deseja ter filhos pelo prazer de conviver exclusiva e egoisticamente com o seu companheiro.

As circunstâncias de miserabilidade, patologias mentais e outras, de natureza diversas, em mães de prole numerosa, reduzem o efeito desarmonizador da laqueação de trompas. Não pretendendo legitimar ou estimular as intervenções nesta área, cumpre-nos, no entanto, o dever de salientar que o livre- -arbítrio será respeitado como direito do ser humano. No tocante aos graus de débito cármico, é importante ter-se em mente que a mínima ou grave consequência estará relacionada à intencionalidade que move os envolvidos no processo.