Literatura/Cinema Até sempre Chico Xavier Palais Royal A vida e a obra
Jornal de Espiritismo nº 31 · Novembro 2008Página 196 min
Literatura/Cinema Até sempre Chico Xavier Palais Royal A vida e a obra de Francisco Cândido Xavier tem merecido ao longo dos anos, particularmente a partir da década de 70 do século passado, a atenção de estudiosos e admiradores. Já catalogámos cerca de sete dezenas de títulos, entre biografias, estudos, testemunhos e entrevistas, do inolvidável benfeitor mineiro. Este ano surge mais um livro que nos fala de Chico Xavier, editado pela editora de São Paulo, do Centro Espírita União (CEU), fundado pelo casal Galves, Nena e Francisco, por sugestão do espírito Bezerra de Menezes através da sua nobre faculdade.
Este livro fala-nos de vários episódios da sua vida particular e pública, desconhecidos ou mal conhecidos. Tais passagens constituem verdadeiras lições que nos edificam e estimulam na prática de ideais nobres. Estes episódios mostram-nos que Chico Xavier não era um Espírito qualquer. Com esta nossa observação não estamos a fazer a apologia da «divinização» do abnegado médium brasileiro, pois que somos radicalmente contrários às posturas insensatas de muitas pessoas que se dizem espíritas e cultivam o hábito de incensar, e adorar mesmo, médiuns e pessoas.
Baseamo-nos apenas em factos da sua vida. O livro está repleto de testemunhos da família Galves, narrativas de episódios pitorescos, documentos, fotografias, que registam indelevelmente a passagem desse Espírito pelo nosso meio. Esta informação foi possível porque a D. Nena Galves e a sua nora Beatriz, acharam por bem, e em boa hora, libertar esse espólio particular que com o tempo se poderia perder. A obra tem 285 páginas, abrange um período de 43 anos, em que a família Galves privou e conviveu com o abnegado médium de Pedro Leopoldo.
Eram conhecidos de outras vidas que se reencontraram no presente, conforme informação idónea dos Espíritos através da sua mediunidade. Episódios como a adulteração, em 1973, de O Evangelho segundo o Espiritismo por parte da Federação Espírita do Estado de São Paulo, em que envolveram Chico Xavier, são narrados e documentados. A intervenção pronta do professor Herculano Pires e a carta-confissão de Chico vêm repor a verdade adulterada.
A sua aparição na TV sofreu a crítica de companheiros zelosos, preocupados com a sua «queda», devido à vaidade, e consequente comprometimento da sua missão, também está documentada com fotocópia da carta do emérito Herculano Pires à U.S.E. - União das Sociedades Espíritas do Estado de São Paulo, em sua defesa. A respeito das pessoas que procuram os médiuns para que estes lhe resolvam os problemas sem esforço dos próprios, deixamos aqui o registo do capítulo intitulado «Receita dada»: «Certa vez, Galves e Chico foram à Drogaria Barão, na Rua Barão de Itapetininga, para comprar medicamentos que o médium empregava no tratamento dos olhos.
Aproximou-se um senhor que o interpelou: > Chico Xavier, há muito tempo quero encontrá-lo. Atravesso uma fase de duras provações, com muitos negócios problemáticos. Tudo parece dar contra, apesar das minhas orações. Fui muito amigo de Cornélio Pires. Ainda hoje cedo, senti perfeitamente que Cornélio estava junto de mim. Veja se você me ajuda… Chico passou a mão pela cabeça e disse: > Está bem, quem sabe Cornélio pode auxiliar o senhor… > Isso mesmo.
Tome aqui este papel e observe se escuta alguma coisa pra mim. Ando muito carregado… O médium tomou a folha de papel eolápis que o amigo lhe estendia. Apoiou-se sobre um livro e, em plena rua, escreveu em psicografia: Meu amigo pense nisso: Contra olho ruim, contra azar, Contra mandraca ou feitiço, O remédio é trabalhar. Abaixo, estava a assinatura de Cornélio Pires. Chico entregou o escrito e disse ao destinatário: > O que Cornélio escreveu para o senhor é isto.
A receita estava dada.» Vários outros episódios do dia-a-dia, na intimidade da família Galves, mostram-nos a grandeza desse nobre benfeitor. São lições vivas para todos, pois que ainda estamos longe de viver o seu desprendimento, a sua simplicidade, o seu saber. Não percamos a oportunidade de conhecer melhor Chico Xavier e enriquecer a nossa cultura espírita lendo esta obra. Ao fazê-lo passamos a conhecer mais algo da História do Espiritismo, porque Francisco Cândido Xavier é uma figura incontornável nessa História.
Bem-haja! Querido amigo. Obrigado por tudo o que nos legaste. Carlos Alberto Ferreira Médico Espírita inspira filme Adolfo Bezerra de Menezes, médico, espírita, político, é hoje uma referência a nível mundial. A sua vida foi tão marcante para o povo brasileiro que inspirou um filme, filme este que está a dar cartas em termos de audiência. Adolfo Bezerra de Menezes nasceu em 1831 na localidade de Riacho do Sangue, Ceará, Brasil.
No universo sertanejo forjou seu carácter e aos dezoito anos de idade vai estudar medicina para a cidade do Rio de Janeiro. Na Capital da República foi um grande abolicionista, e foi eleito vereador e deputado em várias legislaturas. Arriscou a sua reputação ao tornar pública a adesão ao espiritismo – cuja prática, àquela época, era considerada crime. “Com os seus artigos em defesa da causa na imprensa e a sua opção pela caridade, ele lançou as bases para o crescimento da religião no país”, diz o antropólogo Emerson Giumbelli.
Foi o seu trabalho anónimo em favor dos mais humildes que lhe trouxe o maior reconhecimento do seu povo, que lhe chamava “Médico dos Pobres”. Bezerra de Menezes era conhecido por em última instância dar tudo o que tinha em prol dos mais desfavorecidos, ficando mesmo sem dinheiro para si para as despesas mais imediatas. Acabou por morrer na maior miséria material, sendo hoje reconhecido pelo seu povo como um personagem da História do Brasil que engrandece não só a História desse país como da Humanidade.
A sua trajectória foi marcada pelo amor e pela caridade, fosse como político devotado às causas humanitárias ou como o médico conhecido por jamais negar socorro a quem quer que batesse à sua porta. Um exemplo de homem que fez da sua vida um meio de servir o próximo e a sua pátria. Refere a página na Internet em http:// www.bezerrademenezesofilme.com.br que contar a vida desse ilustre Cearense é um projecto que ambiciona, mais do que prestar tributo a um grande homem, possibilitar, através do audiovisual, o contacto do grande público com as minúcias do seu pensamento e conhecer passagens relevantes da sua vida para melhor compreender a magnitude da sua obra.
Até meados de Setembro de 2008, quando ainda não tinha completado três semanas em cartaz, Bezerra de Menezes contabilizava mais de 200 mil espectadores. Dirigido pelos desconhecidos Glauber Filho e Joe Pimentel, sob encomenda de uma entidade espírita cearense, o filme é uma produção histórica, embora tenha só 75 minutos. Recordando as ideias de Bezerra de Menezes, que colocava em prática no seu dia-a-dia, “O médico verdadeiro não tem o direito de acabar a refeição, de escolher a hora, de inquirir se é longe ou perto, ou que não atende por estar com visitas, por ter trabalhado muito e achar-se fatigado, ou por ser alta noite, mau o caminho ou tempo, ficar longe, ou no morro; o que sobretudo pede um carro a quem não tem como pagar a receita, ou diz a quem chora à porta que procure outro – esse não é médico, é negociante de medicina, que trabalha para recolher capital e juros os gastos da formatura.
Esse é um desgraçado, que manda, para outro, o anjo da caridade que lhe veio fazer uma visita e lhe trazia a única espórtula que podia saciar a sede de riqueza do seu espírito, a única que jamais se perderá no vaivém da vida”. A vida de Bezerra de Menezes é não só um exemplo luminoso para os seus pares de profissão, como para todos nós, seres humanos, ensinando-nos que somos espíritos eternos, que valemos pelas nossas aquisições morais e não pela nossa condição social.
Aprendemos com Bezerra que o verdadeiro Amor é o combustível do Universo.
