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Consultório Estado vegetativo foto loucomotiv Dr

Jornal de Espiritismo nº 33 · Março 2009Página 45 min

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Ricardo Di Bernardi – Prezado Vítor Santos: sobre a primeira questão, muitas respostas de «O Livro dos Espíritos» são dadas sobre a vida no plano espiritual referindo- -se aos Espíritos em equilíbrio, ou seja, na situação habitual. Dê uma olhadela mais minuciosa nas suas páginas e irá encontrar diversas respostas onde podemos perceber que há esta característica. O mesmo ocorre para a média das pessoas encarnadas.

Assim: cada fenómeno de sonambulismo é peculiar, cada caso tem especificidades muito interessantes, e não há um igual a outro. Idem em relação ao sono, aos sonhos, desdobramentos e assim por diante. Sabemos pela vasta literatura espírita, e observações diversas, que algumas pessoas, em algumas situações, ficam jungidas ao corpo físico, dormindo ao lado no corpo pe - «Li o artigo “Meses em estado vegetativo”, do Dr. Ricardo Di Bernardi.

Ficou-me em dúvida a ideia de que, durante o sono, o Espírito está mais livre. A resposta de «O Livro dos Espíritos» não se refere a Espíritos moralmente mais elevados nem abre excepções para nenhum dos diversos graus de evolução dos Espíritos. (…)», escreve Vítor Santos, que deixa uma segunda observação: «Qual a razão pela qual o estado de coma se diferencia do estado de sono no que se refere à liberdade relativa do Espírito em relação ao corpo?

Aparentemente tudo parece indicar que se deveria tratar de um estado de maior liberdade do que no sono... As aparências podem iludir, bem sei, o que acha da diferença entre sono e coma, no que se refere à liberdade do Espírito em relação ao corpo?». PUBLICIDADE PUBLICIDADE rispiritual; no entanto, é verdade que o mais comum é que fiquem libertos, como diz. Sobre as outras questões digo-lhe o seguinte: o cérebro perispiritual está fixo ao cérebro biológico, molécula a molécula, por uma estrutura intermediária denominada corpo etérico que é um campo de bioenergia (ou fluido vital).

No sono, a consciência do Espírito expressa- -se por um cérebro saudável. As ligações entre o sistema nervoso do perispírito e o sistema nervoso biológico estão organizadas, e o fluxo entre ambos faz-se normalmente. O desdobramento ou projecção astral ocorre sem maiores dificuldades, excepto nas peculiaridades de cada indivíduo. Lembro, novamente, que não há como generalizar esta afirmativa, pois ao contrário de matemática onde 2 + 2 é sempre 4, quando se trata de individualidades humanas, nunca há um caso idêntico a outro.

Todos somos diferentes. Há uma média de situações ou um modelo. E as respostas sempre serão dadas assim. No coma, a fixação do cérebro do corpo espiritual, ao cérebro do perispírito, se processa de forma fora dos padrões normais. Quando se trata de uma pessoa espiritualmente mais equilibrada, isto é um espírito mais desprendido dos valores materiais, o coma pode facilitar a saída do Espírito (com seu corpo astral junto) e este sentir-se consciente na dimensão extrafísica.

No entanto, a grande maioria das pessoas no nosso planeta não estão nessa condição, estão aferradas à matéria em todos os sentidos e, portanto, lutam mentalmente para se fixarem, para não saírem e se jungem ao corpo em coma. Tal postura pode ter diversos níveis e ser mais ou menos consciente. O cérebro enfermo dificulta a coordenação do raciocínio que embora venha do corpo mental e se expresse pelo cérebro perispiritual usa um cérebro biológico danificado em vias de se desestruturar ou já em processo de perda de funções.

Tal situação biológica tem repercussões muito diferentes em cada Espírito. Uma citação de «O Livro dos Espíritos», pergunta 401: «Durante o sono, a alma repousa como o corpo? Não, o Espírito jamais está inactivo. Durante o sono, afrouxam-se os laços que o prendem ao corpo e, não precisando este então da sua presença, ele se lança pelo espaço e entra em relação mais directa com os outros Espíritos». Sim, Vítor, esta é a regra geral.

Na doutrina espírita e na vivência mediúnica, aprendi que cada caso é diferente, cada espírito tem um grau de evolução, de consciência de liberdade específico. No entanto a regra geral é esta mesmo que está em «O Livro dos Espíritos». Quando indaga «Como é que o Dr. Ricardo Di Bernardi chegou às conclusões que lhe permitiram responder ao artigo: foi através de mensagens mediúnicas, de estudos científicos, da leitura de obras de outros autores?

Da comunicação com espíritos em estado de coma?», tenho a dizer-lhe – caro amigo e estudioso da doutrina espírita: as nossas conclusões decorrem do conjunto destes factores, citados por si na sua pergunta, incluindo leitura de obras espíritas, comunicações mediúnicas, estudos espíritas da ciência do mundo extrafísico e contactos com Espíritos em estado de coma. Tenho 60 anos, e desde criança que o meu pai me falava da vida espiritual.

Ele tinha uma vasta biblioteca. Aos 14 anos eu já participava da sessão mediúnica, portanto, há já 46 anos convivo com a dimensão extrafísica e participei de centenas de diálogos com os amigos do plano espiritual. Estudo muito e leio. Nestes estudos, sempre separo o joio do trigo, procuro seguir a recomendação do mestre lionês, Allan Kardec, que nos diz: só aceite se a informação tiver os três requisitos básicos: Universalidade – a informação vier por mais de uma fonte mediúnica; UtilidadeTraz algo construtivo; e Racionalidadeé lógica, é compatível com a razão.

Muitas respostas de «O Livro dos Espíritos» são dadas sobre a vida no plano espiritual referindo-se aos Espíritos em equilíbrio. Já fizemos alguns trabalhos para Espíritos em estado de coma. Recentemente, nas duas semanas anteriores, fizemos para o meu sogro, com 92 anos, que desencarnou logo de seguida. Foi fantástico. Os médiuns em trabalho, sob minha coordenação, desprenderam-se do corpo e o visitaram no leito. Observaram a atmosfera energética da família, as dificuldades e os problemas.

Foram encaminhados seres que mesmo querendo ajudar atrapalhavam. Vimos formas ideoplásticas – formas-pensamentode familiares. Foi feita a dissolução destas ideoplastias. Após duas sessões de duas horas exclusivas e específicas para o caso, o avô se comunicou agradecendo nosso trabalho e comentando particularidades. Não vou citar detalhes pois envolve questões de família. Ele era espírita palestrante e ex-presidente da Federação Espírita Catarinense.

Este foi, portanto, um exemplo de vivência prática. Desejo-lhe constante estudo e pesquisa.