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Literatura Grosseira mistificação Palais Royal «Vaidade de vaidades!

Jornal de Espiritismo nº 33 · Março 2009Página 197 min

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… é tudo vaidade» (Eclesiastes 1: 2) Quando nos veio parar às mãos o livro «João Paulo II aconselha-nos», com a sua fotografia estampada em primeiro plano na capa, da responsabilidade duma instituição que se intitula de espírita, sentimos de imediato o trabalho das «Sombras», servindo-se da tola vaidade humana, para agredir e ridicularizar o Espiritismo.

Mais perplexos ficámos ao verificar que o prefácio era assinado por Chico Xavier que, agora, no plano espiritual perdeu a sua grande e nobre qualidade – a humildade –, tendo necessidade de se evidenciar, apoiando banalidades e o ridículo, ele que na Terra se apagou por completo, com a agravante de passar a ter problemas de memória, pois que passou a assinar o seu nome por Xico (Chico, com um “X”). Tais factos, se verídicos, viriam a pôr em causa O Livro dos Espíritos, ou seja, o saber de O Espírito da Verdade.

Analisemos as questões nºs 118, 778 e 805, que nos informam taxativamente que as qualidades intelectuais e morais conquistadas pelo Espírito jamais são perdidas, é património adquirido indelevelmente. O Espírito na sua evolução não pode regredir. Quando o fomos lendo, a certeza consolidou-se, não nos deixando margem para qualquer dúvida a respeito do trabalho inábil, que só pode convencer os papalvos e os que resistem em conhecer a obra de Allan Kardec, mas se intitulam de espíritas.

Não deixa também de ser uma enorme falta de respeito para com os católicos e a sua Igreja, que também tem os seus princípios, diferentes dos do Espiritismo, embora alguns apresentem aparentes semelhanças, é certo, mas são os seus, que temos que respeitar. Sabemos que existem muitas pessoas que integram o movimento espírita como verdadeiros «espiritólitos». Passamos a explicar. Há católicos que já sentem que muito da doutrina da Igreja já não os satisfaz, não os preenche plenamente e encontram no Espiritismo respostas racionais para as suas dúvidas e anseios, no entanto, ainda não estão preparadas para se desligarem, porque ainda possuem crenças e hábitos, que não questionam e portanto não conseguem libertar-se.

Ainda sentem um saudosismo pelas práticas «igrejeiras»; muitas vezes um grande sentimento de culpa fustiga as suas consciências, não os deixando em paz. Consciente ou inconscientemente procuram introduzir nas casas espíritas o pensamento e a cultura da Igreja de que ainda não se libertaram. Tal facto resulta de ainda não conhecerem o Espiritismo na sua essência e, sobretudo, na sua finalidade. O Espiritismo ainda não entrou nos seus corações, no seu entendimento.

Apegam-se aos fenómenos, às curas, à lei do menor esforço, aos dogmas, porque não conseguem, ainda, penetrar a compreensão da Doutrina e muito menos a sua vivência, liberta dos atavismos do passado mítico. Como na parábola evangélica, querem juntar o «pano velho» com o «pano novo», o que não dá, porque acaba por se romper. São presas fáceis dos Espíritos que querem combater o Espiritismo, são os seus instrumentos de eleição para inocularem as mistificações e as divisões no movimento espírita.

São também esses crentes que querem doutrinar a Igreja, o que é caricato, mostrando uma falta de senso e acima de tudo de caridade. O Espiritismo não faz proselitismo junto dos crentes da Igreja ou de outras denominações religiosas e filosóficas, veio como nos esclarece Kardec, para os descrentes e os que já não se satisfazem com as suas crenças. Ele não diz que «Fora do Espiritismo, não há salvação». O Espiritismo tem um profundo respeito por todos os crentes sinceros das diversas religiões, nomeadamente da Igreja Católica, porque sabe, como nos informaram os Espíritos Superiores, que existem tantas religiões, seitas e filosofias, ou seja, modos de crer e culturas, conforme as necessidades evolutivas dos indivíduos e dos grupos.

Nesse sentido, têm o seu papel, no tempo e no espaço, na longa epopeia da evolução da Humanidade. Portanto, querer doutrinar a Igreja é um absurdo, é repetir os erros do passado de intolerância. É procurar remendar, agora ao contrário, «pano velho» como nos diz o Evangelho, com «pano novo», o que não dá porque também se rompe. Essas criaturas, Espíritos e médiuns vaidosos, têm uma necessidade imperiosa de mostrarem intimidade com os Espíritos elevados, no presente caso, com o venerando Chico Xavier e o Codificador, afirmando, sem medirem o ridículo das suas afirmações: «… fui o segundo elemento encarnado, mais actuante na compilação de O Livro dos Espíritos.

Nessa época, fui Amélie Boudet, esposa e companheira de Allan Kardec.» Quando uma pessoa que não é espírita, lê uma atoarda deste género, diz de imediato que os espíritas são doidos, ridículos e que só podem merecer o desprezo, porque a sua presunção é do tamanho do mundo. Tal afirmação mostra que o médium e os que o rodeiam desconhecem em absoluto o Espiritismo, cuja base inamovível está na Codificação Espírita. Como tais criaturas temem não ser aceites, porque a impostura é tão evidente, que dizem vezes sem conta, de forma permanente e obsessiva, ao longo do texto: «Acreditai …», tal afirmação foi contada 98 vezes.

Contem para conferir. Registamos algumas: «Acreditai que Deus, o nosso Pai, nos ama a todos…»; «Acreditai que sou o mesmo a falar para a humanidade»; «Acreditai na reencarnação…»; «Acreditai que tudo isto é pura verdade»: «Acreditai que fui contemporâneo de Rivail, o nosso Allan Kardec, …»; «Acreditai que as leis divinas são justas»; «Acreditai que vos falo com muito amor…»; «Acreditai que não estou a trazer nada de novo.

»; «Acreditai e confiai nos canais da Mediunidade.» Pensam que por muito afirmarem as pessoas inteligentes vão mesmo acreditar, pelo efeito hipnótico da repetição. Só mesmo a fascinação impede o médium e seus companheiros de ver que estão a achincalhar a doutrina que dizem professar. Esses companheiros desconhecem e ignoram por completo O Livro dos Médiuns. Livro que deveria ser lido e estudado permanentemente, mas a vaidade e a presunção filhas dilectas do orgulho não os permite fazer.

Meditemos no que ele nos diz: 1.«Todas as imperfeições morais são portas abertas aos Espíritos maus, mas o que eles exploram com mais habilidade é o orgulho, porque é essa a que menos a gente se confessa a si mesmo. (…) O orgulho manifesta- -se, nos médiuns, por sinais inequívocos, para os quais é necessário chamar a atenção, porque é ele um dos elementos que mais devem despertar a desconfiança sobre a veracidade das comunicações.

Começa por uma confiança cega na superioridade das comunicações recebidas e na infalibilidade do Espírito que as transmite. (…) O prestígio dos grandes nomes com que se enfeitam os Espíritos que se dizem seus protectores os deslumbra. (…) Duvidar da superioridade do Espírito que os guia seria quase uma profanação. (…) Assim: confiança absoluta na superioridade das comunicações obtidas, desprezo pelas que não vieram por seu intermédio, consideração irreflectida pelos grandes nomes, rejeição de conselhos, repulsa a qualquer crítica, afastamento dos que podem dar opiniões desinteressadas, confiança na própria habilidade apesar da falta de experiência, – são essas as características dos médiuns orgulhosos.

» (Allan Kardecitem nº 228) 2.«Não existe comunicação má que resista a uma crítica rigorosa. Os Espíritos bons jamais se ofendem, pois eles mesmos aconselham-nos a proceder assim e nada têm a temer do exame. Somente os maus se melindram e procuram dissuadir-nos, porque têm tudo a perder. E por essa mesma atitude provam o que são. Eis o conselho dado por São Luís a respeito: “Por mais legítima confiança que vos inspirem os Espíritos dirigentes de vossos trabalhos, há uma recomendação que nunca seria demais repetir e que deveis ter sempre em mente ao entregar-vos aos estudos: a de pesar e analisar, submetendo ao mais rigoroso controlo da razão todas as comunicações que receberdes; a de não negligenciar, desde que algo vos pareça suspeito, duvidoso ou obscuro, de pedir as explicações necessárias para formar a vossa opinião.

”» (Allan Kardecitem nº 266) 3.«Na dúvida, abstém-te, diz um dos vossos antigos provérbios. Não admitais, pois, o que não for para vós de evidência inegável. Ao aparecer uma nova opinião, por menos que vos pareça duvidosa, passai-a pelo crivo da razão e da lógica. O que a razãoeo bom senso reprovam, rejeitai corajosamente. Mais vale rejeitar dez verdades do que admitir uma única mentira, uma única teoria falsa.» (Erasto, espírito – item nº 230) A presente mistificação é fácil de ser identificada, mesmo por espíritas iniciantes e leigos, sem se ter necessidade de utilizar O Livro dos Médiuns, porque é demasiado grosseira e banal.

Por fim, fazemos nossas as palavras que o espírito Erasto, um dos mais lúcidos e fiéis intérpretes de A Verdade nos diz sem rebuços, na obra que é considerada o coração da Codificação Espírita – O Evangelho segundo o Espiritismo – a respeito dos falsos profetas: «Desconfiai dos falsos profetas! (…) É contra esses impostores que se deve estar em guarda, e o dever de todo o homem honesto é desmascará-los.