Literatura / Cinema Antologia do Perispírito Palais Royal «O Espírito
Jornal de Espiritismo nº 34 · Maio 2009Página 196 min
Literatura / Cinema Antologia do Perispírito Palais Royal «O Espírito, propriamente dito, vive a descoberto, ou, como pretendem alguns, envolvido por alguma substância? - O Espírito é envolvido por uma substância que é vaporosa para ti, mas ainda bastante grosseira para nós; suficientemente vaporosa, entretanto, para que ele possa elevar-se na atmosfera e transportar-se para onde quiser.» (Questão nº 93 de O Livro dos Espíritos) Um dos elementos básicos na construção da Doutrina Espírita, ou Espiritismo, é a existência do PERISPÍRITO – o envoltório fluídico do espírito.
Excluindo o primeiro fundamento do Espiritismo – a existência de Deus –, ele, o PERISPÍRITO, está na estrutura, se assim nos podemos exprimir, na base, de todos os outros princípios fundamentais da doutrina codificada por Allan Kardec. Assim, não poderíamos comprovar a imortalidade da alma; entendermos a comunicabilidade dos Espíritos, ou seja, a mediunidade; compreendermos a pluralidade das existências – a reencarnação – e a pluralidade dos mundos habitados, sem a existência desse «corpo subtil» do espírito, que Kardec designou de PERISPÍRITO.
O erudito professor brasileiro José Jorge (1931-2006), compreendendo a grande importância desse corpo invisível ao olhar humano normal, realizou uma paciente investigação bibliográfica do vocábulo «perispírito» e deixou-nos esta obra de 375 páginas – Antologia do PERISPÍRITO – que já vai na sua 6ª edição. Foram analisados sistematicamente as obras de Allan Kardec (excluindo a Revista Espírita), Léon Denis, Gabriel Delanne e do Espírito André Luiz.
Foram ainda estudadas obras do Espírito Emmanuel (Roteiro, Emmanuel e O Consolador), do médico português, co-fundador da Federação Espírita Portuguesa, António Joaquim Freire (Da alma humana), do metapsiquista francês Gustave Geley (Resumo da Doutrina Espírita) e do venerando Adolfo Bezerra de Menezes, ainda quando médico encarnado (A alma sob novo prisma). Ao tomarmos ciência de toda esta informação sob o PERISPÍRITO, passamos a ter um conhecimento mais esclarecido e seguro a respeito desse «corpo energético do espírito», que Hernâni Guimarães de Andrade designou de «organizador biológico», a base da encarnação e de todos os fenómenos inusitados – fenómenos espíritas – que sempre existiram na história da humanidade e que até ao surgimento de O Livro dos Espíritos, em Paris, no dia 18 de Abril de 1857, estiveram envoltos nos véus do mistério, da fantasia, da superstição, em suma da ignorância, que gerou tanta angústia, crueldade e sofrimento.
O livro tem um índice remissivo com 1455 verbetes; a relação dos dicionários que definem a palavra «perispírito»; e ainda, uma apresentação do emérito e saudoso Deolindo Amorim. Aproveitamos a oportunidade para registarmos alguns extractos que integram a antologia: «Hão dito que o Espírito é uma chama, uma centelha. Isto deve-se entender com relação ao Espírito propriamente dito, como princípio intelectual e moral, a que se não poderia atribuir forma determinada.
Mas, qualquer que seja o grau em que se encontre, o Espírito está sempre revestido de um envoltório, ou PERISPÍRITO, cuja natureza se eteriza, à medida que ele se eleva na hierarquia espiritual.» (Allan Kardec, in O Livro dos Médiuns, item nº 55) «Quanto mais elevado é o espírito, tanto mais subtil, leve e brilhante é o PERISPÍRITO, tanto mais isento de paixões e moderado em seus apetites ou desejos é o corpo.» (Léon Denis, in Depois da Morte) «A experiência mostra-nos que a alma é inseparável de um corpo fluídico, chamado PERISPÍRITO.
» (Gabriel Delanne, in A reencarnação) «Formado por substâncias químicas que transcendem a série estequiogenética conhecida até agora pela ciência terrena, é aparelhagem de matéria rarefeita, alterando-se de acordo com o padrão vibratório do campo interno. Organismo delicado, com extremo poder plástico, modifica-se sob o comando do pensamento.» (Emmanuel, in Roteiro, psicografado por Francisco Cândido Xavier) «Com respeito aos Espíritos que se mostram nestas ruas sinistras (cidade do plano espiritual inferior), exibindo formas quase animalescas, neles reparamos várias demonstrações de animalidade a que somos conduzidos pela desarmonia interna.
Nossa actividade mental nos marca o PERISPÍRITO.» (André Luiz, in Libertação, psicografado por Francisco Cândido Xavier) PA, 22.02.2009 Chico Xavier obrigatório Em 2 de Abril passado, o mais conhecido médium do movimento espírita mundial, Francisco Cândido Xavier, contaria, se já não tivesse regressado ao plano espiritual, 100 anos. Curiosamente, no Brasil, o país que foi palco da sua extraordinária vida, irão ser lançados três filmes.
O trabalho que está com a produção mais avançada será dirigido por Daniel Filho e é baseado em biografias como “As Vidas de Chico Xavier”, escrito pelo jornalista Marcel Souto Maior. As outras duas produções também prometem. Uma delas é a adaptação do best-seller de Chico, “Nosso Lar”, que já teve os direitos cedidos pela Federação Espírita Brasileira e deverá ser distribuído pela Fox. O outro vem do empresário Luís Eduardo Girão, que no ano passado financiou Bezerra de Menezes e, agora, lançará “As Mães de Chico Xavier”.
O único nome do elenco confirmado para o filme de Daniel Filho é o do actor Nelson Xavier, que interpretará Chico adulto. O roteiro, escrito por Marcos Bernstein (de “Central do Brasil”), já está pronto. Marcel Souto Maior, autor da biografia, diz: “Eu e o Daniel Filho chegamos a ler outros dois roteiros, mas o de Bernstein ficou à altura da história.” Enquanto os actores não são escolhidos, a leitura do roteiro já foi feita com dez actores presentes, entre eles Tony Ramos, Cristiane Torloni e Camila Pitanga.
Antes mesmo de ser filmado, o filme já causa polémica. Eurípedes Humberto Higino dos Reis, filho adoptivo de Chico e detentor da marca ‘Chico Xavier’, diz que o filme não será baseado apenas na biografia de Marcel. “Até por isso, o filme se chamará apenas Chico Xavier”, diz. “Meu pai teve mais de 30 biografias, seria uma injustiça deixar que apenas uma pessoa o retratasse.” Reis, apesar de ainda não ter lido o roteiro, confirmou que já fez reuniões com Daniel e que o filme vai realmente ser filmado: “Vou assistir ao filme antes de ser lançado.
Ensinamentos como ‘fora da caridade não há salvação’ deverão estar presentes.” Sobre a declaração de Reis, Marcel defendeu-se dizendo que seu livro é a base do roteiro. “O roteirista tem a liberdade de se informar em diversas fontes. O universo de Chico é vasto e ele deve, sim, ter lido outros textos.” Marcel, que nasceu no mesmo dia em que Chico, lembra que as pessoas faziam chacota quando ele dizia que escreveria sobre a história do médium.
“Falavam: ‘tem certeza de que não é a biografia do Chico Buarque, Chico Anysio ou Chico Mendes?’ Acho que se eu falasse que escreveria sobre o Chico Bento, receberia mais apoio.” O autor adiantou passagens sobre a vida do espírita que serão retratadas: “A traumática infância e o sofrimento de uma mãe em busca de informações sobre o filho vão emocionar. Antes de se tornar o mineiro do século, ele foi ridicularizado pela imprensa”, lembra.
“Como no caso em que o jornalista da revista “O Cruzeiro”, David Nasser, e o fotógrafo Jean Manzon fingiram ser jornalistas estrangeiros e fizeram fotos do Chico até tomando banho de banheira. Quando o Chico viu a revista, ficou envergonhado e começou a chorar copiosamente. O espírito guia de Chico, Emmanuel, alertou-o dizendo ‘pare de chorar. Jesus foi parar na cruz e você apenas no Cruzeiro’.” Outra passagem que também deverá ser lembrada é uma em que Chico se desesperou quando o avião em que estava entrou em uma zona de turbulência.
“Emmanuel, ao vê-lo desesperado, disse para ele: ‘Se vai morrer, que morra com educação’. E Chico respondeu: ‘Onde já se viu morrer com educação?’.” Além disso, parte das três entrevistas que o médium deu para o programa Pinga Fogo, da TV Tupi, na década de 70, serão recriadas. Adaptação livre de artigo visto na internet de Filipe Cruz.
