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Literatura Darwin e Kardec Um diálogo possível Palais Royal Como nossa

Jornal de Espiritismo nº 36 · Setembro 2009Página 192 min

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modesta contribuição para as comemorações do bicentenário de Charles Darwin (1809-1882), vamos referir o livro Darwin e Kardec – um diálogo possível, da Dra. Hebe Laghi de Souza, bióloga especializada em genética, professora e investigadora, hoje aposentada, da Universidade de São Paulo e Unicamp. Podemos considerar Darwin como a criatura que veio estilhaçar, conjuntamente com Lamarck (1744-1829) e Wallace (1823-1913) o paradigma sobre a criação estabelecido até à época – meados do século XIX – a respeito da criação das espécies animais, em geral, e do homem, em particular – o Criacionismo.

A doutrina Criacionista diz-nos que o Criador fez os animais irracionais e o homem, tal qual o são hoje, tanto no que se refere ao corpo (forma) e à inteligência, jamais admitindo a sua transformação física – a evolução – ao longo dos tempos e do espaço. Esta doutrina tem as suas raízes na Bíblia. Darwin intuiu através das observações que fez na célebre viagem do Beagle, (22.12.1831 - 02.10.1836), a evolução do veículo físico, vulgo corpo, através das eras.

Estes estudos e observações ficaram registados no seu célebre livro A Origem das Espécies, publicado em Novembro de 1859. Praticamente, em simultâneo, Allan Kardec, como porta-voz dos Espíritos, trouxe-nos a compreensão da evolução do espírito através dos tempos pela palingenésia (reencarnação). Observemos, com atenção, a resposta à questão 540 de O Livro dos Espíritos. Na última obra da codificação espírita – A Génese (1868) – Allan Kardec fala-nos também da evolução do espírito e do corpo humano.

Vejamos o que nos diz a Dra. Hebe: «Kardec aponta-nos para a evolução da vida como processo accionado por um agente espiritual. Transfere, portanto, a evolução para o espírito, considerando-o como o agente que progride no tempo; que se utiliza das possibilidades do material biológico para impulsionar o processo de evolução orgânica na criação das formas, pelas quais passará, até alcançar a humanidade. Esses argumentos não contradizem, de forma alguma, os argumentos darwianistas mas, ambos, permitem uma visão integral do ser humano.

Eis, então, um diálogo possível, numa linguagem comum, apresentando o homem como produto de evolução espiritual, que se faz acompanhar e é dependente de toda a evolução biológica, nos moldes descritos por Darwin.» Donde podemos deduzir e concluir que o princípio espiritual no seu processo de evolução vai necessitando de veículos físicos diferentes, mais aperfeiçoados, até atingir a condição hominal, ou seja, a condição de Espírito, continuando sempre a progredir rumo a outros patamares superiores de evolução, que ainda estamos longe de compreender.

Podemos apenas vislumbrar um pouco essa evolução superior, por Jesus, o ser mais evoluído que a humanidade pode conhecer até hoje. É um livro de 235 páginas, incluindo Bibliografia e Glossário, com a marca da Editora Allan Kardec, Campinas, SP – Brasil.