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Jornal de Espiritismo nº 36 · Setembro 2009Página 44 min
Consultório Pedofilia foto loucomotiv PUBLICIDADE PUBLICIDADE Ricardo Di Bernardi – Vamos por partes: Como o espiritismo vê o caso da pedofilia? Vê-o como um grave desequilíbrio mental e espiritual, necessitando severo tratamento multidisciplinar, isto é envolvendo diversos profissionais além de tratamento espiritual complementar. Qual a razão de existirem pedófilos? A mesma razão de existirem quaisquer outros desequilíbrios psíquicos.
São atitudes doentias que se estruturaram ao longo de uma ou mais existências ou seja reencarnações. Ninguém foi criado pedófilo. O que vai nessas cabeças? Cada um deles tem uma história. Não há como colocar em todos um mesmo rótulo. Mas poder-se-ia dizer que tem um impulso sexual doente e destituído de ética. Quais os traumas que eles têm? Diversos, e variam conforme cada caso. Podem ter sofrido violência infantil, abandono, desprezo, presenciado quando em tenra idade sexo entre os pais, enfim outras distorções de educação ou de vivência.
Como se explica tal comportamento? A resposta é tão difícil como explicar qualquer outra grave alteração de comportamento. São espíritos que pelo seu atraso, imaturidade, ignorância e sobretudo pelo mau uso do seu livre-arbítrio se desviaram da linha normal de conduta. E as vítimas? Em diversas oportunidades, quando fizemos palestras sobre reencarnação, fomos questionados posteriormente sobre a dolorosa e delicada circunstância da PEDOFILIA.
Principalmente, ao propiciarem-se perguntas dirigidas por escrito viabilizava-se este questionamento. Embora o tema seja potencialmente polémico e desagradável, não há como ignorá- lo no contexto de nossa situação planetária. A nossa abordagem será pelo ângulo transcendental e reencarnacionista considerando que são dois espíritos, no mínimo, envolvidos na tragédia em questão. Cumpre-nos esclarecer que o livre-arbítrio é o maior património que nós, espíritos humanos, temos alcançado ao atingirmos a faixa evolutiva pensante.
Livre-arbítrio que não legitima atitudes, mas oportuniza às criaturas decidir e se responsabilizar pelas consequências de seus actos posteriores. Outra premissa que deveremos estabelecer é aquela da maior ou menor repercussão dos actos perante a Lei Universal, em função do nível de esclarecimento que possuímos. Importante também salientar que não há actos perversos que tenham sido planeados pela Espiritualidade Superior.
Seria de uma miopia intelectual sem limites, a ideia de que alguém deve reencarnar a fim de ser violentado ou sofrer pedofilia. A concepção do Deus punitivo e vingativo já não cabe mais no dicionário dos esclarecidos sobre a vida espiritual. Deus é a fonte inesgotável de amor. É a Lei maior que a tudo preside, uma lei de amor que coordena as leis da natureza. Então, como conceber a violência física? Como enquadrar a omnipresença divina em situações e sofrimentos que observamos?
Deus estaria ausente nestas circunstâncias? Ou estaria presente? Para muitos indivíduos se estivesse presente já seria motivo para não crer na sua existência ou na sua infinita bondade e omnisciência. Outra questão importante: Quem é a vítima? Analisemos. Cada um de nós ao reencarnar trouxe todo o seu passado impresso indelevelmente em si mesmo, são os núcleos energéticos que trazemos no nosso inconsciente construídos no passado.
Espíritos que somos e pelas inúmeras viagens que percorremos, representadas pelas inúmeras vidas, possuímos no nosso “passaporte” inúmeros “carimbos” das pousadas onde estagiamos em vidas anteriores. Hoje, o somatório dessas experiências traduz- se em manancial energético que irradia constantemente do nosso interior para a superfície desta vida. Assim, é também a “vítima”. A criança, que hoje se apresenta de forma diferente, traz no seu passado profundas marcas de atitudes prejudiciais a irmãos seus.
Atitudes de desequilíbrio que são gravadas em si mesma. Algumas dessas, hoje crianças, participaram intelectualmente de verdadeiras emboscadas visando atingir de maneira dolorosa a intimidade sexual de criaturas; outras foram executoras directas, pela autoridade de que eram investidas, de crimes nesta área. Enfim, são múltiplas as situações geradoras da desarmonia energética que agora pulsa constantemente nos arquivos vibratórios da criança, a nossa personagem neste drama.
Pela Lei Universal da sintonia de vibrações, poderá ocorrer, num dado momento, uma surpresa desagradável. O espírito, criança agora, poderá atrair e sintonizar com a frequência do agressor, ou seja, o pedófilo e ser agredida. Identificados dois dos protagonistas (agressor e criança), temos também de considerar o frequente processo obsessivo que vinha a desenvolver-se. Uma outra entidade pode estar fixa perifericamente ou até profundamente à trama perispiritual de um ou dos dois envolvidos no processo.
Lembramos, novamente, não foi em hipótese alguma programada a violência ou o estupro, nem ele em qualquer circunstância teria justificação. No entanto, o crime, existindo, torna-se necessário enquadrá-lo numa visão mais ampla. A espiritualidade sempre faráomáximo para evitar o “mal” ou não sendo possível, apoiar os que sofrem. O espírito submetido à violência da pedofilia sofre intensamente no processo, conforme o seu grau de maturidade espiritual.
Não houve a programação, mas a tendência que trazia era forte e havia o risco de passar por algo do género que a espiritualidade não conseguiu evitar. Perante a Lei divina sabemos que o espírito reencarnado não deve receber a agressão arbitrária em face da violência cometida por outro. Violência que gera violência, um ciclo triste que necessita ser rompido com uma postura de amor, de orientação e de perdão. A violência da pedofilia gera, muitas vezes, profundos traumas em todos os envolvidos exacerbando a dolorosa situação cármica da constelação familiar.
Há, também, espíritos afins e benfeitores que amparam os envolvidos nesta dor. Amigos do plano extrafísico cheios de ternura, com projectos de dedicação e amparo, sempre se fazem presentes. O tempo se encarregará de cicatrizar os ferimentos da alma. Todas as quartas-feiras, pelas 20h15, no horário de Brasília/Brasil, o Dr. Ricardo do Bernardi responde ao vivo a várias perguntas sobre os mais variados temas: Para isso basta aceder www.
redevisao.net. De Pontevedra, Espanha, Juan Ramón indaga: «Senhor Dr. Ricardo, como vê o espiritismo o caso da pedofilia? Qual a razão de existirem pedófilos, o que vai nas nessas cabeças? Como se explica tal comportamento? E as vítimas? Porquê isso?».
