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Notícia Seminário: pluralidade dos mundos O dia escolhido foi domingo

Jornal de Espiritismo nº 37 · Novembro 2009Página 63 min

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25 de Outubro. O local foi o Centro de Cultura Espírita, em Caldas da Rainha. De Lisboa, vieram o Carlos Ferreira e o Antero Ricardo, trabalhadores do Centro Espírita Perdão e Caridade, para apresentarem o seminário “Pluralidade dos Mundos HabitadosDescobre o teu Universo!”. Os participantes vieram de vários locais, tendo havido alguns de tão longe quanto Viseu ou Portimão.

Dos pilares da filosofia espírita (Deus, imortalidade da alma, comunicabilidade dos Espíritos, reencarnação e pluralidade dos mundos habitados), não erraremos muito se dissermos que o último é o de que habitualmente menos se fala. As nossas canseiras terrenas já nos ocupam o suficiente para que nos lembremos de olhar para os céus que se estendem por sobre as nossas cabeças. O estudo do Universo afigura-se-nos, ainda por cima, disciplina demasiado árida e técnica, só ao alcance de especialistas.

Eis porque a pluralidade dos mundos habitados é parente pobre nos estudos espíritas. E, no entanto, quantas maravilhas esse estudo encerra… Se nos maravilhamos com a obra de Deus que os nossos olhos abarcam, a obra que os potentes telescópios desvendam não é menos admirável. Foi isso que o Carlos e o Antero vieram demonstrar, com paixão e mestria. Saberão os nossos leitores qual a dimensão do nosso Sol, comparado com a do nosso pequeno planeta?

É a de uma bola de futebol para uma esfera de 2 milímetros de diâmetro. As distâncias, ao nível do sistema solar, são já difíceis de entender: o planeta Mercúrio, o mais próximo do Sol, está a “apenas” 57,9 milhões de quilómetros. E o nosso sistema solar é como um grão de areia na nossa galáxia, a Via Láctea, que tem cerca de 200 biliões de estrelas! À velocidade da luz, demorar-se-ia 100 mil anos a atravessar a Via Láctea!

E os astrónomos calculam em 125 biliões o número de galáxias existentes! Quando a Humanidade terrena começou a tomar consciência desta esmagadora realidade envolvente, o Universo pareceu um incomensurável deserto. A ideia de um Deus e de um Paraíso localizados acima das nuvens, foi destronada, e semeou a PUBLICIDADE PUBLICIDADE descrença. Deus, parece, à primeira vista, incompatível com as descobertas científicas, e com a Astronomia em particular.

Mas para os Espíritos (e para os espíritas), muito pelo contrário! Um big-bang, gases que se condensam e formam os corpos celestes e tudo o que neles há de material, um cosmos cheio de astros e mil segredos ainda por descobrir, um Universo infinitamente grande e em expansão, a possibilidade dos universos paralelos, as dimensões de Eternidade, em que tempo e espaço se confundem, todo esse incomensurável campo de estudo é para a nossa filosofia muito mais consentâneo com a glória e sabedoria divinas!

Como parece mesquinha, quando se tem uma pálida ideia do Universo, do infinitamente grande ao infinitamente pequeno, a concepção de um Deus pairando acima do nosso minúsculo planeta, vigiando, cioso, a Humanidade terrena… Como nos parece pretensiosa a ideia de todas estas maravilhas terem sido criadas para que as possamos eventualmente mirar à noite – se as luzes da cidade não no-las taparem… Eis porque ainda tantas religiões voltam costas às descobertas da Astronomia, que apontam para que pode existir uma infinidade de mundos habitados nas mesmas condições que a Terra.

A grandeza do Infinito rouba protagonismo à nossa Terra, se supusermos que só aqui Deus criou vida. Há 152 anos, em O Livro dos Espíritosrevelação do mundo espiritual compilada e comentada por Allan Kardecjá se defendia o que a Ciência actual afirma sobre o Universo. Há já até indícios de vida fora da nossa esfera. De vida inteligente, esperaremos para ver. O Espiritismo afirma a existência de vida biológica e espiritual em todo o Universo.

Não encontramos razão para este minúsculo grão de areia que é nossa querida Terra, ter sido o único mundo que Deus favoreceu. E cremos que estas deduções são ainda o início do entendimento da Criação. Quando se estuda, toma-se consciência da própria ignorância. Foi isso que fizemos neste seminário.