Editorial foto arquivo Num curto espaço de tempo, aquilo que parecia e
Jornal de Espiritismo nº 39 · Março 2010Página 25 min
Editorial foto arquivo Num curto espaço de tempo, aquilo que parecia estável e seguro como uma rocha imensa esboroa-se. Primeiro, com destaque noticioso, o Haiti, o arquipélago assente numa falha tectónica sob o oceano Pacífico; depois as chuvas torrenciais aceleradas pela gravidade e pela escassez de bosques na Madeira; uma semana depois, o sismo no Chile com grau 8 na escala de Richter. Confesso que se chegou a pensar: entre o fecho da ediçãoea saída deste jornal irá ainda ocorrer algo mais?
Oxalá não. Sobre as lutas e as aflições das populações O menino e o arco-íris Toninho era um garoto que, embora não fosse rico, não passava por dificuldades. Tinha tudo! Pais amorosos, uma casa confortável, roupas bonitas e estudava numa boa escola. Mas Toninho era um garoto que só conseguia ver da vida o que ela tinha de pior. Nas pessoas e nas coisas, procurava sempre o lado negativo. Se um amiguinho se aproximasse após ter tomado um banho, de roupas limpas, cabelos penteados, ele olhava o outro dos pés à cabeça procurando algo para criticar: — Que sapatos feios!
Em casa, a comida era sempre feita com carinho pela mãe, ansiosa para lhe agradar. Ele provava e franzia o nariz: — Não gosto, está salgada! A mãe ficava triste, porém nada podia fazer. Debalde procurava fazê-lo mudar de comportamento, ensinando-lhe que tudo tem o seu lado bom e que é preciso olhar a vida com outros olhos. Contudo, Toninho não se modificava. Pelo contrário, parecia que cada dia estava pior. Ninguém gostava dele.
Os colegas na escola evitavam a sua presença, por causa das críticas constantes. E, com isso, ele foi ficando cada vez mais sozinho e mal-humorado. A mãe, preocupada, fazia sentidas preces a Jesus, rogando-lhe a ajudasse a modificá-lo. O que seria dele no futuro se continuasse assim? A vida ser-lhe-ia um fardo difícil de suportar. Certo dia, contudo, ao brincar no quintal, quando passava a correr por baixo de uma árvore, Toninho não viu um galho e bateu violentamente nele.
De imediato sentiu uma dor terrível nos olhos, não conseguia abrir as pálpebras e lacrimejava muito. A mãe levou-o ao médico. Examinando Toninho, o médico acalmou os receios da mãe. Disse: — Graças a Deus não foi nada grave. Os olhos foram arranhados levemente pelo galho. Todavia, há necessidade de manter repouso e ficar com os olhos vendados. O médico colocou uma pomada, aplicou um curativo em cada olho, o que lhe tapou completamente a visão.
Depois recomendou: — Voltem dentro de dois dias. Amparado pela mãe, Toninho saiu do consultório médico reclamando. — Não te lamentes, filho. Agradece a Deus, pois poderias ter ficado cego — considerou a mãezinha, paciente. Aqueles dois dias foram um tormento para o menino. Chorou, bateu com os pés no chão, fez birra, mas acabou por se conformar. Afinal, o médico disse que, se quisesse sarar, teria que ficar com os olhos vendados.
Naquele período aprendeu até a andar pela casa, embora esbarrando nos móveis; já conseguia saber se estava sol ou não, pelo calor que sentia no corpo; sentia o perfume das flores, a carícia do vento e tudo o resto a que não dava importância antes. No final dos dois dias, estava mais tranquilo. À hora marcada, voltou ao médico. Ao sair do consultório, após ter retirado os curativos, a emoção foi grande ao ver de novo a rua, as pessoas a caminharem, os carros no trânsito, o céu, as árvores...
Toninho até chorou de felicidade. Puxando- o pela mão, a mãe disse: — Vamos, rápido, meu filho. Veja como o tempo está feio. Acho que não tarda a chover mais! Toninho olhou para o alto, fitando o céu, cheio de nuvens escuras e sorriu, retrucando: — Não acho que o céu esteja feio, mãe. Acho até que está muito bonito! E veja o lindo arco-íris que surgiu entre as nuvens! Parece que ele está a saudaar-me e a dizer: “Bem-vindo à vida, Toninho!
”. A mãe o olhou surpreendida, ao notar a mudança que se operara nele. Toninho explicou: — Sabe, mãe, estes dois dias fizeram-me ver as coisas de outra maneira. Não poder ver, ver sempre tudo escuro é horrível, e fez-me dar valor ao que me cerca. Entendi que antes, mesmo tendo uma visão perfeita, na realidade enxergava menos do que um cego. Compreendo agora porque a senhora vivia tentando fazer-me mudar de comportamento.
Vejo agora que tudo é belo na natureza, as pessoas, as coisas que nos cercam. A mãe suspirou e, olhando para o Alto, intimamente agradeceu a Jesus a lição que seu filho tinha recebido. Por Célia Xavier Camargohttp://www. consolador.com.br/textos.php?id=870 envolvidas, os Espíritos desdobram sobejamente o seu pensamento na codificação trabalhada por Allan Kardec e ensinam: estamos num planeta de provas e expiações e os resgates colectivos surgem nos cenários da Terra.
A medida da escassa evolução conquistada encaixa nesse perfil e salienta a necessidade de uma organização mais capaz de suster a violência e a fome, para que o esforço de solidariedade brilhe ainda mais eficaz e generoso do que já por si tem sido. A vida linear, sob a batuta do «sonho americano» profusamente difundido, de príncipes e princesas, é uma utopia semelhante à figura de uma criança lambareira que diz, sincera, querer ser pasteleira de profissão quando adulta.
Do ponto de vista material a Terra é um planeta dinâmico. As forças telúricas que se expressaram ao longo da sua formação parecem estáveis no breve instante que é uma vida humana. Vista mais dilatada, num tempo geológico, mexe-se muito, ajusta placas tectónicas, que ora se afundam nas fossas abissais ora se confrontam, gerando montanhas qual ocorre com a cordilheira do Himalaia. Sob os oceanos e continentes, essas placas quando se ajustam geram sismos.
Não é novidade, nem é «o fim dos tempos». Contas antigas de outras vidas saldam-se na consciência dos envolvidos, dizem as entidades espirituais invariavelmente, algo difícil de perceber para quem não recolheu informações do outro lado da vida. Detrás da cortina da matéria agem incansáveis equipas de Espíritos benfeitores, ajudando quer os que partem a se reajustarem ao plano espiritual quer inspirando e fortalecendo as equipas de médicos, enfermeiros, socorristas, bombeiros e outros que acodem no fito de concretizar em acções a fraternidade.
Portugal Continental não está fora desse sistema. Haja a sabedoria de perceber que nenhum humano ganha no braço de ferro com a natureza e que o que a vida trouxer, em momento certo, deve ser encarado com coragem e fé, sabendo-se que é na caridade que todos retemperamos o ser para os inevitáveis caminhos da imortalidade.
