42 — índice de conteúdos

Pedagogia Grupo de estudos e dirigentes Este assunto, parece-nos da ma

Jornal de Espiritismo nº 42 · Setembro 2010Página 155 min

Partilhar
Idioma

Pedagogia Grupo de estudos e dirigentes Este assunto, parece-nos da maior relevância na casa espírita, relativamente à frequência e participação dos dirigentes e seus responsáveis, nos grupos de estudo da instituição. O estudo das obras de Kardec e complementares, na casa espírita, é fundamental, essencial sob todos os sentidos, pois a instrução conforme preconiza o Espírito da Verdade é um dos ensinamentos primordiais, imediatamente a seguir ao amor, que ressalta como primeiro ensinamento.

Sem o estudo metódico e perseverante da doutrina o que faremos do Espiritismo? E casa espírita sem formação doutrinária é campo de águas movediças que aparenta segurança e tranquilidade sem garantir estabilidade. As áreas de estudo da casa espírita são espaços de aprendizagem contínua, em torno das ideias e princípios espíritas. E aprender é exigência para todos, especialmente para quem se diz espírita e mais ainda, para quem tem responsabilidades ou cargos directivos.

Se existe divulgação em todos os sentidos, sobre a importância de cursos e grupos de estudo no centro espírita, que exemplos precisam dar seus responsáveis na instituição em que militam? Que mensagem passarão aos frequentadores os dirigentes que não estão envolvidos nas tarefas de formação doutrinária? Qual a natureza da informação que farão chegar ao coração dos necessitados de toda a sorte, que acorrem ao centro espírita, em busca de ajuda e orientação?

No nosso entendimento, os responsáveis ou dirigentes, de qualquer instituição A ingratidão dos filhos “Os meus filhos nasceram para a eternidade, eles foram-me confiados especialmente a fim de que os torne filhos de Deus.” Pestalozzi, in “Lettres sur l’éducation première” . “Ó espíritas! compreendei agora o grande papel da Humanidade; compreendei que quando produzis um corpo, a alma que nele encarna vem do espaço para progredir; inteirai-vos dos vossos deveres e ponde todo o vosso amor em aproximar de Deus essa alma”.

Espírito Santo Agostinho in O Evangelho Segundo o Espiritismo de Allan Kardec Faz parte do quotidiano ouvirmos os pais suspirar com tristeza: “dou tudo aos meus filhos, e eles são tão ingratos!”. A ingratidão advém de um sentimento egoísta e possessivo: eu dei alguma coisa e não obtive retribuição; ele é meu filho e por isso deve- -me respeito, atenção e amor. Mas como sabemos, não é possível exigir virtudes ou sentimentos a ninguém, muito menos àqueles a quem não contagiamos com o nosso comportamento exemplar.

Como nos explica o espiritismo, não é o acaso que une os membros de uma família. A reencarnação junta espíritos no mesmo seio familiar para que se auxiliem a progredir, para que superem as “desavenças”, os rancores de vidas pretéritas e assim se solidarizem na construção de um lar feliz. São, em muitos casos, os filhos que escolhem os pais, e não o contrário como sustenta o materialismo, para que estes sejam os educadores intelectuais e morais do novo ser que volta à Terra.

Quantas vezes não são os próprios filhos que vêm mostrar aos pais o caminho da responsabilidade e do dever, levando estes a modificar atitudes, a transformar sentimentos e a adquirir até novos conhecimentos. Na verdade, ao invés de falarmos de ingratidão, deveríamos falar de gratidão na oportunidade que surge de ser pai/mãe de um novo ser que renasce. Gratidão por poder contribuir na educação de um filho rebelde que espera dos seus progenitores a orientação, a dedicação sincera e o exemplo a seguir.

Mas o que fazem os pais ao primeiro revés? Duvidam da justiça de Deus e “cobram” dos seus filhos, todo o investimento afectuoso, ou até material do bem que fizeram. Se a criança os repele ou se mostra ingrata, mesmo perante a sua protecção atenta e o ensino constante do caminho do Bem, pode não ter como causa acontecimentos presentes mas, provavelmente, situações do passado que ainda persistem na consciência adormecida de vidas anteriores daquele filho.

Não é caso para desistir, pois Deus nunca põe no nosso caminho provas maiores do que podemos suportar, nem para sentir no coração resquícios de ingratidão: é oportunidade de mostrar firmeza e cativar pelo amor, sem condições, aquele filho que aparentemente se afasta do caminho recto. Mas nem sempre os pais fizeram todos os esforços para criarem os laços de segurança afectiva, e nem sempre (por causa da terrível falta de tempo!)

foram capazes de educar com uma palavra compreensiva ou orientar espiritualmente e moralmente o seu filho. E se já existiam discordâncias, estas agravam-se deitando por terra aquela possibilidade almejada de estabelecer afinidade entre os pais e filhos. Em ambos os casos, existe sempre um sentimento a ser ultrapassado: os filhos não são propriedade dos pais, assim como estes não são responsáveis pelas acções dos seus filhos.

Aos pais cabe a tarefa de educar para o progresso moral, de forma a que se aproximem cada vez mais de Deus. Aos filhos o dever de respeitar aqueles que os acolhem, escutando-lhes os conselhos e seguindo- -lhes o exemplo. Não é fácil, como sabemos, porque acima do ensejo de educar, está sempre o interesse pessoal que impede de estimular no outro virtudes que o próprio ainda não possui. No entanto, muito pode ser feito, se houver consciência de que ser pai não é sinónimo de perfeição, mas que tem uma responsabilidade insubstituível: orientar para o conhecimento do mundo e da vida do novo ser, ampara-lo com tolerância, mostrar-lhe a infinita Bondade do Criador, visível em toda a Criação universal, e cultivar no comportamento diário a prática do Bem.

Exercido o dever, não mais há lugar no coração para o sentimento de ingratidão ou de injustiça, e sim o regozijo e a satisfação da missão cumprida! Por Regina Figueiredo reginasaiao@gmail.com espírita, devem frequentar ou monitorizar trabalhos de formação doutrinária, a fim de que os seus ensinos e conselhos encontrem respaldo naqueles que buscam ajuda e orientação. Se os dirigentes vivem ausentes da participação e envolvimento destes trabalhos, que tipo de integração terão nas tarefas espíritas de âmbito regional e nacional no movimento espírita?

Que tipo de mensagem veiculam os dirigentes sem uma boa estrutura de conhecimento doutrinário? Que tipo de mensagem veiculam os dirigentes sem uma boa estrutura de conhecimento doutrinário? Por essa e muitas outras razões, sentimos que, todos os dirigentes espíritas, devem obrigar-se, por uma questão de razoabilidade e bom senso, à participação de trabalhos de estudo e formação doutrinária, como forma de garantia e sustentabilidade no conhecimento do Espiritismo.

Como desejamos que o centro espírita esteja daqui por 10, 20 ou 30 anos? Que aspectos devem ser melhorados e trabalhados dentro da casa espírita? Que melhorias a empreender hoje, para que o dia de amanhã seja diferente para melhor? O que queremos nós para o centro espírita e sua acção doutrinária a nível da região ou do país onde se enquadra? Queridos amigos, que o Mestre Jesus nos ampare e inspire às melhores realizações.