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Jornal de Espiritismo nº 43 · Novembro 2010Página 84 min

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Reportagem www.adeportugal.org curso básico de espiritismo on-line em Associação de Divulgadores de Espiritismo de Portugal PUBLICIDADE Árias de Mudança: festival de música espírita Auditório da Associação Cultural e Recreativa de Vale de Cambra, 18 de Setembro de 2010, 21 horas: começa o 3.º Festival de Música Espírita “Árias de Mudança”, organizado pelo Grupo de Trabalho de Aveiro, sendo anfitriã a Associação Cultural Beneficente Mudança Interior.

Participam Reinaldo Barros, de Olhão; Nuno Cruz, de Lisboa; Filomena e o João Paulo, das Caldas da Rainha; Isabel, de Águeda; o grupo Cavatina, de Vale de Cambra. De mais longe, a Sara, a Sofia, e a Carlota, um grupinho que veio do Funchal, são do Centro Cultural Espírita e o Moacyr Camargo que veio do Brasil, aproveitando a vinda ao festival e a sua estadia aqui para fazer uma digressão pelos centros que o queiram receber.

João Xavier de Almeida é convidado a dar início às actividades programadas, proferindo palavras de estímulo e gratidão. Segue-se uma singela homenagem da organização do evento relembrando a presença amiga e os poemas de Sofia Lago. Foi convidado a subir ao palco Porfírio Lago que lembrou o espírito e os seus ideais, agradecendo a generosidade desta homenagem. Diante de um público atento, a música prosseguiu por mais de duas horas terminando num coro colectivo à volta de um tema de Moacyr Camargo.

Foi mais uma oportunidade de reencontro de almas, vindas de tantos pontos geográficos, para este banquete de alegria e fraternidade. Na circunstância, entrevistamos António Pinto da Silva, presidente da Associação Cultural e Beneficente Mudança Interior, um dos organizadores do evento que teve lugar a 18 de Setembro no auditório da Associação Cultural e Recreativa de Vale de Cambra. - Qual o objectivo da criação deste Festival?

António Pinto da Silva – O objectivo é levar o Festival ao Movimento Espírita. Pretendemos sair dos limites de Vale de Cambra e da nossa organização, para que este Festival, de música faça parte do Movimento Espírita, à semelhança de um ENJE ou de um CONCESP. Este ano a organização já foi assumida pelo Grupo de Trabalho de Aveiro, juntando associações e conhecidos, que trabalharam em conjunto, chamando a si a organização deste Festival.

O objectivo é descentralizar, fazer o Festival correr o país. Assim haja quem queira trabalhar nesta área e colaborar neste evento para fazê-lo singrar, dinamizando, não sóamúsica, mas a música feita por espíritas, para que haja também um crescimento espiritual de todos, através da música. – É natural que a música faça parte do movimento espírita? António Pinto da SilvaEntendemos que sim. Porque, segundo disse Rossini, Espírito, a Kardec, está nas “Obras Póstumas”, “a música tem um poder moralizador, por enquanto ignorado, por efeito de desmaterialização da alma”.

Ou seja, eleva a nossa frequência vibratória e nós espiritualizamo- -nos, acedemos, somos transportados, elevados a Deus. A música tem esse poder (pode também ter o efeito contrárionão é? -, conforme a própria música). Se nós nos estamos a espiritualizar, se estamos imbuídos de um princípio, vamos transmitir à música as nossas convicções, a moralização que estamos a adquirir. Então, também ela irá moralizar o ouvinte.

Daí a necessidade de uma música espírita ou feita por espíritas (porque não há música espírita: há música!) Mas o conteúdo das letras, os ritmos (que serão mais calmos), a nossa harmonização, tudo será transmitido à música. Isso vai afectar os outros, vai ajudar a transformar quem ouve, quem aprecia. – A música é também um factor de “mudança interior”? António Pinto da Silva – Exactamente: a música é um factor de mudança interior!

A ideia é essa: estimular à criação! Porque se não há nada, não há motivação para fazer nada. Se há algo, eu vou trabalhar para esse evento, para essa iniciativa, para esse Festival. Eu quero ir e quero levar algo: eu sou estimulado à criação. – A existência destes festivais e de outras iniciativas do género, ajudará o movimento espírita a ganhar uma outra expressão social? António Pinto da Silva – Sim, ajuda. Se nós quisermos trabalhar, ajuda, com certeza.

Como o Festival sai fora do nosso centro espírita, as pessoas vão. Como sabemos, as pessoas só vão às casas espíritas por necessidade, quando já não têm mesmo outra alternativa, porque não querem ser conotadas. Mas se é fora o preconceito é menor. Então, irãoea mensagem passa. Como é música, não é necessariamente algo doutrinário. As pessoas podem alegar sempre: era música. A música tem esse sentido universal e universalista e, portanto, poderemos chegar mais facilmente à sociedade e, ao mesmo tempo, a ajudaremos a crescer, transmitindo valores, noções, pelo conteúdo.

De que é que falamos? Falamos da reencarnação (sem falarmos necessariamente de reencarnação e dos nossos princípios), de tudo aquilo em que acreditamos e que sabemos que é comunicado de uma maneira subliminar que entra nas pessoas sem que estas se dêem conta do que está a acontecer. – Este Festival foi uma forma de enlaçar os espíritas? António Pinto da Silva – Sem dúvida. E pudemos verificar pelo próprio festival deste ano que não existiu um sentido competitivo mas de partilha, fraternidade, intercâmbio, de união pela música.

– Quais são as perspectivas para o próximo ano? António Pinto da Silva – Vamos ver se, para o ano, o festival já é feito fora de Vale de Cambra. Vamos trabalhar nesse sentido. Até porque Vale de Cambra é um local em ponto pequenino, deslocalizado e afastado e não consegue juntar tanta gente como um local central e de maior dimensão. Vamos tentar que ele seja realizado noutro ponto do país.