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Cinema Depois da vida Por esta altura é possível que «Hereafter» – Dep

Jornal de Espiritismo nº 45 · Março 2011Página 153 min

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Cinema Depois da vida Por esta altura é possível que «Hereafter» – Depois da vida – já tenha deixado o circuito dos cinemas, após a sua temporada em Portugal. Carregando consigo nomes de gigantes da indústria de Hollywood, como Clint Eastwood* e Matt Damon, com anteriores desempenhos em películas de acção, este filme mostra ao mundo a outra face desta gente, ainda por cima tratando-se de mais um filme que retém fenómenos da mediunidade, como seria de esperar, à luz do pragmatismo anglo-saxónico.

A história não será talhada para grandes audiências, de mente cansada e pouco reflexiva, o que lhe dá uma leve conotação com o solo europeu em que se passa a acção, basicamente Londres e Paris. Cruzam-se três caminhos. O de dois gémeos em idade escolar, com a partida de um deles por atropelamento. O do médium que teve o bom senso de abandonar a prática mediúnica como solução profissional. E, no arranque da história, a jornalista francesa que teve um cheirinho de experiência de quase-morte no mais mediático tsunami da Ásia e não resiste a espreitar por essa nova janela.

No fim torna-se evidente, segundo quem escreve o argumento do filme, Peter Morgan, que não só a morte é o começo de uma outra vida, mais diáfana, com características específicas, como também é possível comunicar com quem partiu no quadro de certas circunstâncias. Afinal, nada de novo para quem estuda espiritismo, e para muito mais gente que não conhece esta doutrina. Até pela televisão se assiste a esse fenómeno com relativa credibilidade.

Por cabo, foi muito visto um programa de um médium norte-americano cujo nome não me lembro, com mediunidade semelhante à da médium britânica que na TVI, portuguesa, creio ainda aparece altas horas da noite a mostrar este tipo de mediunidade de forma tranquila. De facto, hoje parece só ser explicada esta segregação das janelas da imortalidade pelo medo do desconhecido e pela tal «conspiração do silêncio» de que fala a jornalista do filme no livro que acaba por escrever.

Com bom senso, este trabalho deixa questões em aberto. A mediunidade é vista pelo médium, que não conhece o espiritismo ou doutrina espírita, como uma maldição; o mano diz-lhe que é um dom. Porém, não é nem uma coisa nem outra, é uma faculdade, uma ferramenta de aplicação grátis que deve ser utilizada, educada, nos tempos pós-profissionais, na medida do possível, para ajudar outrem, com disciplina e sem pagamentos quaisquer.

Mesmo assim os médiuns enganam-se, e por que não? O erro mais básico de alguns é o de obterem mensagens que nada dizem de novo assinadas por nomes de personagens conhecidas. O fenómeno é recorrente, mais ainda para quem não estuda Allan Kardec. No fim torna-se evidente, segundo quem escreve o argumento do filme, Peter Morgan, que não só a morte é o começo de uma outra vida, mais diáfana, com características específicas, como também é possível comunicar com quem partiu no quadro de certas circunstâncias.

Pergunta o menino no filme para onde vamos depois de abandonarmos o corpo físico. O médium não sabe, é honesto. Mas o facto é que são eles próprios, os que partiram, que nos dizem o que se passa, e já o fazem desde o século XIX em jornais um pouco por todo o mundo. Veja-se Ernesto Bozzano em «A crise da morte». Fazem-no ainda hoje, e, mais recente, a obra de André Luiz/Francisco Cândido Xavier, entre outras, com «Nosso Lar» a ser um êxito nos cinemas do Brasil no ano passado.

Joeirada a história, no melhor jeito de mão, o que é que permanece? Os afectos… cintilantes. Entre irmãos, entre pais e filhos, entre pessoas. Nunca a Terra foi tão iluminada como nestes dias. E, a julgar pelo calendário, não será de crer que vem aí mais luz?