Literatura Pala O Livro dos Médiuns (1861-2011) No passado dia 15 de J
Jornal de Espiritismo nº 45 · Março 2011Página 193 min
Literatura Pala O Livro dos Médiuns (1861-2011) No passado dia 15 de Janeiro, a obra, por excelência da Ciência Espírita, fez 150 anos de idade. O seu berço foi a cidade de Paris e, nasceu pelas mãos do venerando Allan Kardec, sempre amparado pelo Espírito da Verdade e seus discípulos, dos quais não podemos deixar de registar dois espíritos: São Luís e Erasto. Este livro constitui, cronologicamente, a segunda obra básica da Codificação Espírita; foi antecedida por uma pequena brochura intitulada Instruções Práticas sobre as Manifestações Espíritas, publicada em 1858, o ano crucial para o arranque da epopeia do grande benfeitor da Humanidade, pois, nesse ano inicia-se logo em Janeiro, a publicação do primeiro número da Revista Espírita — instrumento fundamental para Allan Kardec estabelecer, fundamentar e divulgar a nova doutrina.
Depois, no primeiro dia um de Abril desse ano, o Codificador funda o primeiro centro espírita do Planeta — a Sociedade Parisiense de Estudos Espíritas, que também ficaria conhecida por Sociedade Espírita de Paris —, seria o núcleo central de intercâmbio com o Mundo dos Espíritos, centro de processamento de informações provindas da França, da Europa e do Mundo, determinantes para a elaboração do Livro dos Médiuns, primeiro, e depois das três obras restantes que completariam o pentateuco kardequiano: O Evangelho segundo o Espiritismo (1864), O Céueo Inferno (1865) eAGénese (1868).
Com O Livro dos Espíritos chega à Terra o Espiritismo, ou Doutrina Espírita, que não é nem mais nem menos que a sabedoria dos Espíritos para reorientar o pensamento humano, libertá-lo das grilhetas da matéria e contribuir definitivamente para a verticalização do Espírito rumo ao seu destino: a perfeição, a finalidade última da nossa criação. Mas havia necessidade de explicar o mecanismo, a lei, de que se serviram os Espíritos para trazerem esse acervo de sabedoria, à humanidade perplexa e confundida.
Essa explicação é feita por Allan Kardec e os seus amigos invisíveis com as informações que constituem O Livro dos Médiuns. Não obstante terem decorrido 150 anos, ainda existe muita ignorância a respeito da mediunidade, ainda em muitos sectores é rotulada por fenómeno sobrenatural, mágico e maravilhoso. Mas, o que mais impressiona e lamentamos, é vermos muitos espíritas desconhecerem o conteúdo dessa obra, cuja leitura e estudo atento, seriam suficientes para libertarem muitas pessoas, grupos e instituições da terrível ignorância que no passado gerou muito sofrimento e no presente gera fantasias, desequilíbrios e obsessões, que dão uma imagem deformada do Espiritismo.
Allan Kardec, logo no início da Introdução é muito claro ao dizer-nos: Diariamente a experiência confirma a nossa opinião de que as dificuldades e desilusões encontradas na prática espírita decorrem da ignorância dos princípios doutrinários. E acrescenta a respeito das reuniões feitas sem conhecimento: A ignorância e a leviandade de certos médiuns (e dirigentes) têm causado maiores prejuízos do que se pensa, na opinião de muita gente.
O Codificador como emérito pedagogo, para facilitar o estudo e a consulta, dividiu o livro em 32 capítulos que por sua vez incluem 350 artigos numerados. Apenas os três últimos capítulos, pelo seu conteúdo específico não é abrangido pelas divisões em artigos, ou itens, como os queiram designar. No último artigo, o nº 350, que encerra o capítulo XXIX, Reuniões e Sociedades, podemos compreender claramente qual a finalidade precípua do Espiritismo: a transformação da Humanidade.
Diz-nos o seguinte: Se o Espiritismo deve, como foi anunciado, realizar a transformação da humanidade, só o poderá fazê-lo pelo melhoramento das massas, o qual só se dará gradualmente, pouco a pouco, pelo melhoramento dos indivíduos. Entre muitas lições que o livro encerra, gostaríamos de registar aquela que nos diz quais as duas grandes dificuldades da prática mediúnica e como as ultrapassarmos. São elas a identidade dos Espíritos e a obsessão.
Gostaríamos também de dizer que a tese fundamental da obra é a existência do perispírito, o corpo energético dos espíritos, que está na base da mediunidade, portanto, de todo e qualquer fenómeno espírita e anímico. É um fenómeno natural, pois que faz parte integrante da Natureza, como o demonstrou à saciedade Allan Kardec. Dentre as mais diversas traduções de qualidade existentes, sugeríamos a do professor Herculano Pires que está enriquecida com mais de duas centenas de notas explicativas e que tem um texto de apresentação que constitui uma autentica jóia doutrinária e histórica.
Não poderíamos também deixar de registar a última tradução que conhecemos, de excelente qualidade, do confrade Evando Noleto Bezerra, estudioso profundo da obra de Allan Kardec e dirigente activo da centenária Federação Espírita Brasileira.
