45 — índice de conteúdos

Publicidade

Jornal de Espiritismo nº 45 · Março 2011Página 68 min

Partilhar
Idioma

Correio PUBLICIDADE foto arquivo Peço ajuda Após a participação de um representante da ADEP na televisão, chegaram muitas mensagens por correio electrónico. Não cabem todas, e nem todas teriam interesse. Ficam as intervenções possíveis para este espaço. Em 21 de Fevereiro, Graça envia a sua mensagem com um assunto habitual: «Peço ajuda»: «Boa tarde! Tive conhecimento da vossa associação através da TVI. Vi, como toda a atenção o programa, também porque me tocou em particular, pois já passei por algumas experiências.

Frequentei dois centros espíritas. Sinceramente não me sentia bem, não havia tempo para dedicarem a quem tanto “buscava” uma palavra amiga de conforto. Depois, e até por ser muito mais perto de onde moro, frequentei durante algum tempo» outro centro. Este, «tinha um dia na semana para atendimento pessoal, marquei e fui atendida. A pessoa que me atendeu, mandou-me fazer banhos de descarga e muito mais coisas que de momento não me ocorrem, mas avisou-me do que já me tinham dito: Tem de começar a trabalhar.

A minha pergunta é sempre a mesma: Como posso trabalhar se nada sei?! Como e onde posso aprender? Ainda não encontrei resposta. Deixei de frequentar o centro, porque fiquei sem carro, e, porque pedir dinheiro para cadeiras e para tudo o mais... quem lá trabalha, no dia que está de serviço ao bar, tem que levar sopa, um prato, salada, pão, salgados e doces. Tudo é vendido no centro, todo o dinheiro realizado é para o centro.

DESCULPEM MAS NÃO CONCORDO. Muita gente até mesmo pessoas que lá trabalhavam se afastaram, para além disto ainda era pedido a quotização. Sim, fui convidada a lá trabalhar, e que só assim ia aprendendo com as pessoas que já estavam mais evoluídas. De forma alguma é isto que eu procuro. Procuro em primeiro lugar a verdade. Será que tenho capacidades? Como aprender, o que fazer, curso, seguir a intuição? Já vi uma luz forte, branca, que se movimentava e piscava, isto em minha casa.

Tenho “sonhos” que se tornam realidade em dias. Pressinto certas coisas. (…) Estou cansada de médicos, dor no peito, e sobre o coração, frequentes estados de humor, noites sem se quer conseguir fechar os olhos, aparecem coisas na minha mente que de manhã estou mais cansada do que quando me deito, dá a sensação que andei mentalmente a vaguear. Os médicos dizem que é depressão crónica, e que a minha profissão também não ajuda (técnica oficial de contas).

Já me alonguei demasiado o qual peço desculpa. Por favor digam-me o caminho que hei-de seguir. (…) Em nome de JESUS peço que me encaminhem. (…)». A resposta seguiu no mesmo dia ao início da noite: «Olá Graça, houve aí um pequeno mal entendido. Conhecemos as duas associações espíritas que refere e sabemos que nenhum deles tem as práticas que descreve. A Graça foi parar a um centro espiritualistaque há váriosmas não era espírita, de certeza.

Nos centros espíritas não há qualquer tipo de cobranças por serviços. Os centros espíritas podem ter livraria, mas quem compra um livro fá-lo voluntariamente e leva para casa um bem. Lamentamos que tenha caído nessa “esparrela”. Não concordamos com cobranças, nem com obrigatoriedades de quotizações. Nós não o fazemos. Banhos de descarga também não são prática espírita. São prática comum na Umbanda, por exemplo. Há centros de Umbanda que se chamam a eles mesmos “centros espíritas”, mas erradamente.

Respeitamos todas as religiões e filosofias, mas eles assim só induzem as pessoas em erro. Cada coisa deve ter o seu nome, para não haver confusões. Relativamente ao que lhe disseram sobre o “ter de trabalhar”, a Graça está mais que certa! Está a pensar muito bem; trabalhar como, se ainda não sabe realmente o que se passa consigo, se ainda não aprendeu que chegue para tomar esse tipo de decisões? A mediunidade (os cientistas chamam-lhe percepção extra-sensorial) é uma faculdade do organismo humano.

Todas as pessoas têm um bocadinho de mediunidade. Mas em algumas pessoas essa faculdade está mais desenvolvida. É como tudo: há quem ouça muito bem, quem veja muito bem, quem tenha mais força muscular. É do organismo de cada um, como dissemos. Quem tem a mediunidade mais desenvolvida costuma por exemplo ter pressentimentos, ter visões, ouvir coisas que os outros não ouvem. Quem tem mais mediunidade digamos que é mais sensível ao mundo espiritual que nos rodeia.

Algumas pessoas que gostam de mistérios e de coisas “ocultas”, teimam em que quem tem um pouquinho mais de mediunidade, tem por força que “trabalhar”. E o que entendem eles por “trabalhar”? Entendem que é a pessoa abrir consultório e começar a fazer de adivinho, ou estar horas a fio em contacto com o mundo espiritual. Com todo o respeito por essas ideias, nós discordamos. A mediunidade é coisa séria e é para se tratar com o devido sentido de responsabilidade.

A proposta da doutrina espírita, para quem tem mediunidade como para quem não tem, é, antes de tudo, o esclarecimento. Uma pessoa que esteja esclarecida, que estude o mundo espiritual e a relação deste com o nosso mundo, está logo mais harmonizada. Se for uma pessoa com mediunidade mais apurada, o esclarecimento pode fazer maravilhas por essa pessoa. Quem tem mais mediunidade tem geralmente um organismo sensível. Se estiver de cabeça “sossegada”, se estiver com paz interior, todas essas sensações começam pouco a pouco a desaparecer.

Pode-se ser médium e levar uma vida perfeitamente normal, feliz, com saúde e paz. E de graça! Ficamos à sua disposição. Muita paz!». Fiz o jogo do copo com alguns colegas Diz Ivone, preocupada, em 8 de Fevereiro: «Fiz o jogo do copo com alguns colegas da universidade e a minha vida parece que não anda para a frente desde então. Será que tem alguma coisa a ver com esse jogo? Que posso fazer para me apaziguar? Ajudem-me, por favor».

A ADEP responde pelo missivista de serviço, Mário, um par de dias depois da chegada da mensagem, ao fim do dia de trabalho: «Olá Ivone, de facto nós desaconselhamos vivamente o jogo do copo e outros “jogos” parecidos, sejam eles com copos, compassos, tábuas “ouija” ou outros artefactos. Independentemente do meio que se use, essas brincadeirasapesar de os participantes muitas vezes até nem o saberemconsistem basicamente em estabelecer contacto, mentalmente, com os Espíritos.

E quem são os Espíritos? Apenas pessoas como nós, que já viveram na Terra. Não existem diabinhos, anjinhos, ou outras criaturas míticas. Do lado de “lá” da vida existem apenas pessoas como nós. Com a diferença óbvia de que já não têm um corpo material. Estão temporariamente a viver numa dimensão diferente da nossa e não os vemosregra geral... Quando essas brincadeiras têm lugar, é como que um abrir a porta a desconhecidos.

O pensamento é uma realidade, e é pelo pensamento que os experimentadores dessas sessões mediúnicas atraem os Espíritos. E que Espíritos costumam aparecer nessas sessões em que se pretende basicamente brincar? Naturalmente que Espíritos brincalhões, que costumam divertir-se a dar respostas a tudo o que lhes perguntam, a dar comunicações de galhofa, ou mesmo ordinárias. Às vezes esses Espíritos aproveitam para assustar os participantes.

No caso que nos descreve, não nos parece ter- se tratado de uma daquelas situações em que os participantes se assustam (ou porque o copo se parte, ou porque os Espíritos fazem ameaças parvas, ou porque há barulhos ou movimento de objectos). No entanto, é vulgar acontecer o que nos conta. Algumas pessoas mais sensíveis, ou mais dadas a raciocinar sobre os factos, ficam por vezes a matutar acerca do que se passou, e com uma ligeira má impressão.

Não é, de forma alguma, caso para alarme. Se é uma pessoa crente em Deus, deposite nele toda a sua confiança, dirija-lhe uma prece sincera e simples, com palavras suas, e peça que essa má impressão se desvaneça. Para ficar mais tranquila, sugerimos que visite uma associação espírita e apresente o seu caso no atendimento privado. Todos os serviços espíritas são gratuitos e sem compromissos. O Espiritismo é cultura e fraternidade.

Pode ir descansada. Pode procurar associações espíritas que lhe fiquem perto, ou dizer-nos em que região mora, para que lhe indiquemos uma. Veja esta página, sff: http:// adeportugal.org/mambo/index.php?option=c ontent&task=category&sectionid=1&id=90&Ite mid=68&limit=20&limitstart=0 Numa associação espírita, caso o deseje, pode ouvir os esclarecimentos que terão para lhe dar, assistir a palestras, e se for necessário, pedir ajuda para o seu caso.

Sem querermos estar a fazer vaticínios, parece- nos sinceramente que o seu caso é daqueles em que a cabeça fica a “trabalhar” sobre coisas que não interessam. Um pouco como nos casos das pessoas que se julgam vítimas de algum procedimento “maléfico”, de alguma influência perniciosa. Acaba por ser as mais das vezes a própria pessoa a arranjar os problemas para si própria, sendo vítima da própria preocupação. A Ivone está a estudar, tem decerto os seus objectivos académicos e profissionais, os seus amigos, a sua vida familiar e afectiva.

Invista nisso, deite as preocupações e os temores para trás das costas. E não volte a meter-se nesses “jogos”, é claro. Ficamos à sua disposição». Inteligência dos animais Em 5 de Fevereiro, recebemos de África uma mensagem assinada por Rogério Ferreira, biólogo. Diz sobre a resposta do Dr. Ricardo Di Bernardi: «Após ler o Consultório do Jornal n.º 44, senti dever acrescentar o seguinte à parte sobre a inteligência dos animais.

Charles Robert Darwin uma vez escreveu… “There is no fundamental difference between man and the higher mammals in their mental faculties… The difference in mind between man and the higher animals, great as it is, certainly is one of degree and not of kind”. Darwin firmemente acreditava que as diferenças entre a inteligência humana e a animal eram apenas de grau e não de tipo. Para ilustrar ele citou vários exemplos onde mostrou que animais, não humanos, tinham traços cognitivos semelhantes como curiosidade, memória de longo prazo, capacidade para imitar outros, para prestar atenção e para racionar.

De facto ele afirmou que os animais que não conseguissem aprender não sobreviveriam à selecção natural – assim, só genes inteligentes acabam por se manter e dessa forma aumentar, gradualmente e ao longo do tempo, a inteligência de cada espécie, como ocorreu na evolução humana. A maioria de nós argumenta que existe uma diferença distinta entre a inteligência humana e a animal e que os cérebros humanos são, indiscutivelmente, superiores.

De facto muitos de nós acreditamos que os humanos são os animais mais complexos e inteligentes na terra. Por exemplo, nenhuma outra espécie iguala a nossa capacidade para usar a linguagem. Também acreditamos ser mais avançados nas áreas do pensamento abstracto, auto-consciência e auto-expressão. Para um melhor esclarecimento da ideia poderá ser lido o artigo de S. Siciliano, da ENSP (Brasil), publicado no jornal da Globo: www.

ensp. fiocruz.br/portal-ensp/informe/materia/index. php?matid=23388».