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Jornal de Espiritismo nº 45 · Março 2011Página 93 min
Notícia PUBLICIDADE Caldas da Rainha: aniversário do Centro de Cultura Espírita O Centro de Cultura Espírita (CCE), de Caldas da Rainha fez oito anos no passado dia três de Janeiro. foto arquivo PUBLICIDADE Foi há oito anos que transpus as portas desta associação, a primeira associação espírita que visitei, por sugestão do meu médico. Não fazia ideia do que fosse um centro espírita. Associava o termo a ideias difusas de sábios e de mesas de pé-de-galo.
Mas a impressão que colhi foi a das reuniões simples e profundamente fraternas dos primeiros cristãos. Os Actos dos Apóstolos foram um dos meus livros de infância, a par das aventuras d’ Os Cinco ou do Robin dos Bosques. E não pensava que fosse possível viver o ambiente que ali encontrei, nos dias de hoje. O mesmo ambiente que se mantém, inalterável, 8 anos volvidos. Nunca poderei agradecer devidamente a abertura de espírito do médico que em boa hora me recomendou o centro espírita – e não fui caso único… Como eu, foram chegando outros, diferentes em tudo, unidos no interesse pela mensagem cristã como o Espiritismo a vive.
Uns, que tinham saúde, disponibilidade e vontade, pediram para ser colaboradores, e integraram-se nos diversos departamentos da casa: palestras públicas, cursos, acção social, evangelização infanto-juvenil, livraria, actividades mediúnicas, passe, alfabetização de adultos, etc.. Outros, igualmente entusiastas da cultura espírita, tornaram-se frequentadores assíduos, contribuindo com a sua presença amorosa para o bom sucesso da missão do CCE.
Cerca de 20 sócios pagam as suas quotas para custear a renda de casa, água, luz e despesas habituais de uma associação cultural sem apoios estatais. Para outros, o CCE tem sido uma “placa giratória”. Vêm esclarecer dúvidas, compartilhar problemas, satisfazer inquietações, buscar apoio moral, recuperar auto-estima. Como é ponto de honra para o Espiritismo, ninguém, jamais, paga um tostão. Para comemorar estes 8 anos a fazer amigos, o CCE convidou quatro amigos para quatro palestras.
Perante um auditório cheio, passaram e encantaram, com o seu conhecimento e simplicidade, Paulo Mourinha, médico homeopata que traçou um paralelo entre o Espiritismo e a Homeopatia – o Espiritismo é a Doutrina dos Espíritos, e a Homeopatia é a Medicina que vai além do corpo físico; passou o Hugo Guinote, oficial da PSP e Prof. universitário, que tratou o tema da caridade, conceito caro ao Espiritismo, se entendido na sua acepção mais nobre – como foi o caso.
Alguém disse que esta palestra foi “pão”, e entendo porquê; na semana seguinte, Antero Ricardo, licenciado em medicina tradicional chinesa, levou a assistência em visita guiada pelo Universo, a que Jesus chamava a casa de seu Pai; finalmente, Francisco Curado, membro da Associação de Divulgadores de Espiritismo de Portugal, cientista, engenheiro e professor universitário, veio falar sobre o papel da intuição na Ciência e no Espiritismo, dando uma perspectiva actual e esclarecida de um dos aspectos mais interessantes da Doutrina Espírita: o desfazer de incompatibilidades entre ciência e religião.
As palestras estão disponíveis no site do Centro de Cultura Espírita – www.ccespirita.org. Se não pôde estar presente, não deixe de escutar. O pequeno grupo de amigos e entusiastas do Espiritismo que há 8 anos abriu as portas do CCE alargou-se a muitos mais amigos. Fazem lembrar formiguinhas, que continuam, pequeninas mas laboriosas, a carregar grãos de paz, de amizade, de esclarecimento. Indistintas, em grupo unido, transportam montanhas… Todas as sextas-feiras vou assistir à palestra pública, que me convida sempre à fé raciocinada.
Nesta casa, que é de todos e não é de ninguém, aprendi definitivamente a ver cada homem como irmão, quer as suas ideias coincidam ou não com as minhas. Todas as sextas-feiras sou saudado pelo mesmo aroma de violetas e pela mesma paz que me acolheu da primeira vez, há 8 anos. Obrigado CCE... e parabéns.
