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Jornal de Espiritismo nº 45 · Março 2011Página 43 min

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Editorial Tuneméslámuitofeio… foto arquivo PUBLICIDADE PUBLICIDADE O manicaísmo não está com meias medidas: para um lado atira a perfeição, para outro a monstruosidade. Mas o ser humano não encaixa completamente nem num perfil nem noutro. Entre o branco imaculado e o negro mais puro distingue-se uma enormidade de tons intermédios, numa sucessão clara-escura em que se sedimentam sabedorias diversas, feitios e defeitos a reparar.

Afinal, não é esse o percurso da evolução? Em pleno trajecto, oscila o esforço de imaginar o que ainda não se alcançou, os estádios mais adiantados, e ensaia-se a imaginação nos degraus recuados, onde não é bom parar muito tempo. Até há histórias bem inteligentes para crianças sobre este jogo de aparências e de potenciais qualidades, como a bela e o monstro, posta a rodar em desenho animado há já uns valentes anos pela Disney.

Percebe-se que é bom para todos, começando nos mais pequeninos, entender que as aparências nem sempre revelam conteúdos, personalidades, talentos ou qualidades. O assunto é joeirado pela mente de cada um, meditado, amadurecido, até se perceber e ultrapassar a questão. Foi assim que o Nessy apareceu um destes dias nas conversas lá de casa. Chegado por fim o tal computador com nome de gente, Magalhães, o petiz caiu nas suas divagações cibernautas numa página de informação para infantes sobre mitos como o Yeti, o tal do “loch Ness”, até o Quasimodo, e outros que tais, um assunto que claramente me escapa.

A dada altura não resisti a perguntar por que razão se detinha tanto aquela mente curiosa a recolher dados sobre monstros em vez de fadas boas e outras que tais. A resposta era afinal que com tanto falatório sobre monstros esta criança nunca tinha visto nenhum. Havia que brincar. Disse-lhe: “Olha para mimsou careca, tenho pêlos no nariz, nas orelhas, sou feioso, eu sou um monstro!”. O petiz parou um momento a processar a resposta.

Por fim ouvi naquela música doce da infância a solução manipulada: “Tu nem és lá muito feio!”. Confesso que já não recebia assim um elogio tão gentil há muito tempo, e desfiz-me numa gargalhada feliz. Tornou-se imperioso reter que há muitas maneiras de lidar com os nossos semelhantes onde a gentileza se pode fazer presente, sem arrogância ou sobranceria, na certeza de que o Reino dos Céus de que Jesus falava nunca chega dentro de cada um com o preâmbulo de trombetas e passadeiras vistosas, mas no sorriso singular de crianças que equilibram a verdade e o afecto em relances de luz.

Fazemos votos de que ao passar os olhos neste jornal se sinta também assim. Boa leitura! Por Jorge Gomes Obreiros Um homem saiu a recrutar pessoas para a realização de um trabalho importante. Procurou os jovens. Muitos disseram que não tinham experiência, nem vocação para o serviço. Senhores de meia-idade alegaram compromissos inadiáveis. Alguns velhos discorreram sobre dificuldades de locomoção, raciocínio lento ou doenças que reclamavam repouso.

Disse o homem: Que farei? E teve uma ideia. Contratou músicos e parou na esquina de uma praça movimentada. Ao som de tamborins, pandeiros, reco-reco, cuícas e muita cantoria não tardou enorme ajuntamento de pessoas de todas as idades. Era bom de ver: cantavam, dançavam. Todos queriam mostrar a boa forma e brincar, de verdade, a mais valer, com o máximo empenho. Depois de algum tempo, dispensou os músicos e começou a falar sobre assuntos cívicos, deveres para a família, a pátria e a humanidade, coisas dessa grandeza.

Como previra, notou que poucos ficaram ouvindo; muitos se foram. Continuou falando sobre moral e rectidão do carácter, vigília religiosa e ensinos evangélicos. Aí a situação piorou. E não demorou a perceber pequena plateia ao seu redor. Finalmente, conclamou à reduzida assembleia: - Agora, preciso de operários. De gente para trabalhar. Quem se habilita? Ficaram cinco jovens, duas senhoras, um homem de meia-idade e dois velhos.

Levantando as mãos para o céu o recrutador orou jubiloso: - Graças te dou, meu Pai, por me teres concedido esta pequena e excelente multidão! Um erudito, desses bem tolos que a tudo assistia, compadecido, aproximou-se dele e colocando a mão sobre seu ombro, disse- lhe: - Pobre homem, perdeste uma multidão e ainda rendes graças? Havia mais de mil pessoas aqui... - Ah, meu irmão! - disse o homemÉ porque tu não sabes...

Cada um dos que ficaram vale por mil dos que se foram! http://www.omensageiro.com.br/mensagens/mensagem-260.