Cinema | Opinião Espiritismo invade cinemas foto arquivo “O Espiritism
Jornal de Espiritismo nº 46 · Maio 2011Página 155 min
Cinema | Opinião Espiritismo invade cinemas foto arquivo “O Espiritismo é, ao mesmo tempo, uma ciência de observação e uma doutrina filosófica. Como ciência prática, ele consiste nas relações que se estabelecem entre nós e os Espíritos; como filosofia, compreende todas as consequências morais que dimanam dessas mesmas relações. O Espiritismo é uma ciência que trata da natureza, origem e destino dos Espíritos, bem como das suas relações com o mundo corporal”.
(Allan Kardec, in “O que é o Espiritismo”) Para quem tivesse dúvidas sobre o que é o Espiritismo (ou Doutrina Espírita), fica agora mais claro. A Doutrina Espírita tem 5 pontos básicos: a existência de Deus, a imortalidade do Espírito, a comunicabilidade dos Espíritos, a pluralidade das existências (reencarnação) e a pluralidade dos mundos habitados. Para se conhecer bem o que é o Espiritismo, deve o leitor começar por ler “O Livro dos Espíritos”, “O Evangelho Segundo o Espiritismo”, “A Génese”, “O Céueo Inferno”, “O Livro dos Médiuns” (de preferência por esta ordem).
Os livros “O que é o Espiritismo” bem como “Obras Póstumas”, todos de Allan Kardec, também são de considerar. Através da Doutrina Espírita (que não é mais uma religião nem mais uma seita, mas uma doutrina, um conjunto de ideias que contribui para o aumento da religiosidade, da espiritualidade do ser humano, aproximando-o assim mais rapidamente de Deus), as pessoas encontram respostas para as questões essenciais da vida: quem sou, de onde venho, para onde vou após a morte do corpo de carne, porque sofremos de forma dissemelhante, porque somos felizes de forma diferente?
Baseada em factos, a Doutrina Espírita providencia uma fé raciocinada, esclarecendo e consolando as pessoas, que assim encontram uma lógica para a vida na Terra e suas assimetrias. A Doutrina Espírita apareceu em 1857, em Paris, com o lançamento de “O Livro dos Espíritos” de Allan Kardec, na sequência dos estudos deste sábio francês, que pesquisou acuradamente os fenómenos mediúnicos (contactos com o mundo espiritual), comparando-os, experimentando, repetindo, aplicando o método experimental como ainda hoje se conhece.
Doutrina ainda muito jovem, tem despertado de tal modo o interesse junto das populações pelo mundo inteiro, que desde 2008 que a 7.ª Arte se tem voltado para a temática espírita. No Brasil foi lançado um 1.º filme de grande impacto, sobre a vida do médico, político, espírita, Adolfo Bezerra de Menezes, apelidado de médico dos pobres, figura nobre da sociedade brasileira, agora retratado no filme “Bezerra de Menezes: o diário de um Espírito”, que foi um verdadeiro êxito de bilheteira.
Em 2010, o filme “Chico Xavier” sobre a vida de um dos maiores médiuns na Terra, um homem bom cuja vida foi um hino ao Amor ao próximo, teve mais de 3 milhões de espectadores em salas de cinema brasileiras. Ainda em 2010, seguiu-se o filme “Nosso Lar”, que traz para o cinema a história de uma cidade no mundo espiritual, do livro “Nosso Lar”, ditado pelo Espírito André Luiz através do médium Chico Xavier, que teve mais de 4 milhões de espectadores nas salas de cinema brasileiras.
Em 2011, Hollywood rendeu-se à temática com o filme de Clint Eastwood, “HereafterOutra Vida”, e em breve estreará no Brasil novo filme intitulado “As Mães de Chico Xavier”, que abordará as comunicações espíritas através deste famoso médium, onde milhares de mães encontraram provas inequívocas de que os seus filhos, falecidos precocemente, voltavam do Além para as consolar, provando a sua imortalidade. Já nos idos do século XIX Allan Kardec preconizara a importância da arte na divulgação do Espiritismo, doutrina esta que esclarece e consola quem busca conhecer um pouco mais da Vida, e quem busca espiritualizar-se.
Curiosamente, nos dias que correm, múltiplos cientistas vão-se adentrando em áreas fronteiriças do Espírito, comprovando em laboratório as teses espíritas, compiladas por Allan Kardec, em meados do século XIX. Por José Lucas O maluco Mais um dia de trabalho. Após os cumprimentos da praxe, cada um ia relatando, como de costume, algo mais inusitado que tivesse acontecido recentemente. Um colega, que vem todos os dias de longe, utilizando vários meios de transporte, vinha alegre, sorridente, passando a explicar: “Oh pá, hoje no autocarro vinha um cromo do caraças; o gajo entrou no autocarro a falar alto e imagina...
cumprimentou todas as pessoas do autocarro, uma a uma e depois foi um fartote de rir com as anedotas dele... Há cada cromo neste mundo...!!!”. Depois de ter repetido algumas anedotas, alegres e sem malícia, fiquei a pensar com os meus botões: “Então fulano é maluco, é conhecido pelo Maluco, mas... quando o “Maluco” não aparece, os “normais” vão de cara cerrada, cada um com os seus auscultadores na cabeça, cada um no seu mundo, ninguém se fala, chegam ao trabalho cansados...
e o outro, o tal que cumprimenta toda a gente, o tal que distribui alegria e bem-estar, o tal que faz com que as pessoas cheguem sorridentes ao trabalho, esse é que é “maluco”?” Na minha simples lógica algo não batia muito bem... Afinal quem são os “malucos” e os “normais”? Dir-me-ão que não é “normal” um adulto entrar num autocarro pejado de gente e começar a distribuir cumprimentos e alegria a toda a gente... e eu pergunto: porquê?
Dir-me-ão que se ainda fosse uma criança, as pessoas achavam graça, agora um adulto... parece mal... e eu pergunto: porquê? Dir-me-ão que a sociedade tem regras, tem expectativas, que não é expectável um adulto comportar-se assim... e eu pergunto: porquê? Dir-me-ão que o “normal” é sermos recatados e não falarmos por dá cá aquela palha com gente desconhecida... e eu pergunto: porquê? Em “O Livro dos Espíritos”, de Allan Kardec, podemos encontrar na 3.
ª parte, as “Leis Morais”, sendo que uma delas é a “Lei de Sociedade”, que aborda dentro da óptica espírita a necessidade da vida social, fala sobre a vida de isolamento, sobre o voto de silêncio e os laços de família. Se adentrarmos pelas restantes Leis Morais, verificamos que um dos objectivos da nossa vida em sociedade é precisamente a nossa interacção, a aprendizagem e auxílio mútuo, no sentido da evolução intelectual e moral do ser humano, como espírito eterno que é ao longo das suas múltiplas reencarnações (vidas sucessivas).
Dir-me-ão que não é “normal” um adulto entrar num autocarro pejado de gente e começar a distribuir cumprimentos e alegria a toda a gente... e eu pergunto: porquê? No meio da nossa sociedade, egoísta, triste, ansiosa, queixosa, a Doutrina Espírita (ou Espiritismo) mostra-nos que a vida é bela, que é um conjunto de oportunidades que temos para sermos mais felizes, passo a passo, vida após vida, e que vivemos uma vida de relação precisamente para que possamos evoluir, aprender uns com os outros, apoiarmo-nos mutuamente, fraternalmente, procurando contribuir para uma sociedade mais feliz, mais justa, mais pacífica.
Nesse ínterim, fico cá a pensar com os meus botões quem será o “maluco” e quem serão os “normais”, no caso em pauta. Por mim, preferia partilhar todos os dias a presença do “maluco” do que partilhar um autocarro cheio de gente triste, com “headphones” na cabeça, onde cada um finge que os outros seres humanos que o rodeiam não existem ou não têm nada para conversar, para partilhar...
