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Editorial foto loucomotiv Zás-trás-pás

Jornal de Espiritismo nº 46 · Maio 2011Página 23 min

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Editorial foto loucomotiv Zás-trás-pás... silêncio. O estardalhaço, às dez horas, levantou um pico de áudio no panorama sonoro do pequeno apartamento. Para o pai, o som estava inconscientemente identificado a partir de experiências de outros dias. O comando da TV tinha voltado a cair ao chão. Havia que reforçar a ideia. Passo e voz calma, abeirou-se do petiz, olhos retidos no mundo fantástico dos desenhos animados, lábios pousados na atitude de beber o leite da manhã: «Sabes uma coisa?

Se pousares o comando na mesinha de cabeceira e não no cobertor ele já não cairá quando mexeres as pernas». A voz não tinha o peso da austeridade. Nada disso! Se tivesse a reacção do pequenito, que não gosta de errar, teria sido ainda mais contestatária. Faltava concluir para que o evento fosse aproveitado: «O mal não está em errar. Está em não aprender com o erro. Se aprendermos com os nossos erros não precisamos de voltar a repeti-los».

O assunto era fácil de perceber. A partir das experiências da escola primária, lembrava-se o progenitor que nas suas primeiras cópias o professor tinha assinalado erros. Se não os tivesse visto, demoraria muito a reconhecê-los e a corrigi-los. A ideia encadeou-se nos seus primeiros estudos do espiritismo como o fio de uma qualquer camisola. No processo de aprendizado chegaram depois os ditados. Nos primeiros teria dado vinte erros, passado umas semanas dez, até que se resumiam a um ou dois nas palavras menos habituais.

Tornava-se acessível entender que o erro afinal parecia um degrau de um trilho que se sobe na inesgotável montanha do conhecimento. Pode até ser uma queda... quando se está a subir. Desde longo tempo que o erro pede contenção. Mas não há por que ignorar o facto dessa figura do universo dos equívocos ter uma amplitude notável: há erros terríveis, aqueles que não precisamos de praticar uma vez que já os vimos em outrem, e aqueles erros normais do dia-a-dia que se revelam instrumentos fundamentais na construção da sabedoria de cada um.

Se os primeiros foram no passado punidos com vergastadas e amputações, hoje o Estado de Direito sugere a utilização de mecanismos que, inibindo o acto contumaz, potenciem a possibilidade de reabilitação. Quanto aos segundos, os equívocos ligeiros, na maior parte das vezes não pedem a solução imediatista da gritaria ou da bofetada. Pedem, sim, o contributo do poder discreto do amor esclarecido que, como a fé de que falava Jesus, consegue transportar montanhas de dificuldades.

Nesta edição, alinhamos vários pontos de vista à luz da doutrina espírita. De uma ou de outra maneira, esta equipa oferece-lhos no desejo sincero de que possa contribuir para a tal «educação do futuro», onde nós próprios, como não poderia deixar de ser, nos encontramos na posição de aprendizes. Boa leitura! Por Jorge Gomes O vaso foto loucomotiv Um velho oleiro, muito dedicado ao trabalho, certa feita adoeceu gravemente e entrou a passar enormes necessidades.

Os parentes, aos quais ele mais servira, moravam em regiões distantes e pareciam haver perdido a memória... Sem ninguém que o auxiliasse, passou a viver da caridade pública, mas, quando esmolava, caiu na via pública e quebrou uma das pernas, sendo obrigado a recolher-se à cama, por longo tempo. Chorando, amargurado, fez uma prece e rogou a Deus alguma consolação para os seus males. Então, dormiu e sonhou que um anjo lhe apareceu, trazendo a resposta pedida.

O mensageiro do Céu conduziu-o até ao antigo forno em que trabalhava, e, mostrando-lhe alguns formosos vasos de sua produção, perguntou: - Como é que conseguiu realizar trabalhos assim tão perfeitos? O oleiro, orgulhoso de sua obra, informou: - Usando o fogo com muito cuidado e com muito carinho, no serviço da perfeição. Alguns vasos voltaram ao calor intenso duas ou três vezes. - E sem fogo realizaria a sua tarefa? - indagou, ainda, o emissário.

- Nunca! - respondeu o velho, certo do que afirmava. - Assim tambémesclareceu o anjo bondoso -, o sofrimento e a luta são as chamas invisíveis que Nosso Pai Celestial criou para o embelezamento de nossas almas que, um dia, serão vasos sublimes e perfeitos para o serviço do Céu. Nesse instante, o doente acordou, compreendeu a Vontade Divina e rendeu graças a Deus. Meimei . Psicografia do médium Francisco Cândido Xavier.