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Literatura | Vídeo Extremamente dedicada ao seu trabalho humanitário

Jornal de Espiritismo nº 49 · Novembro 2011Página 196 min

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Literatura | Vídeo Extremamente dedicada ao seu trabalho humanitário, Emily nunca mediu esforços para colocar o seu conhecimento ao serviço dos mais necessitados e, mesmo estando grávida, insistiu em viajar para a A mensagem da libélula Joe Darrow é um conceituado especialista em traumatologia e chefe do serviço de urgência do Hospital Chicago Memorial, nos EUA. O seu conhecimento científico torna-se, no entanto, irrelevante quando se vê na necessidade de lidar com a morte trágica da sua jovem esposa Emily.

Venezuela para prestar auxílio médico aos povos indígenas. Um acidente de autocarro no interior da selva não lhe permitiu concluir esse trabalho. Descrente da possibilidade da vida se prolongar para além da morte, Joe sofre o drama da finitude e a angústia do vazio que se abateu sobre a sua vida. No entanto, ele vai sendo protagonista de uma sequência de fenómenos que colocam à prova as suas certezas mecanicistas, conduzindo-o à clara percepção de que a sua mulher não morreu e pretende transmitir-lhe uma mensagem.

Abordando alguns temas como as experiências de quase-morte e a possibilidade de os desencarnados poderem exercer influência sobre a vida daqueles que ainda se encontram na Terra, o filme “O Poder dos Sentidos” desenvolve-se através da intensa luta interior de Joe, que procura encontrar um equilíbrio entre o seu extremo cepticismo, as evidências que se multiplicam à sua volta e aquilo que ele deseja como realidade. Mesmo sendo reféns de uma cultura materialista que pretende fazer prevalecer a crença de que nada existe para além da matéria densa, somos constantemente confrontados com subtis manifestações que nos mostram que a vida vai muito mais além daquilo que os nossos olhos conseguem perceber.

Mas tal como existe quem atravesse a mais densa floresta e não consiga ver mais do que lenha para uma fogueira, também são muitos os que apenas admitem a existência do que podem pesar, medir e tocar, excluindo tudo aquilo que transcende a brutalidade da matéria. Ao longo do enredo, Joe vai aprendendo a valorizar as suas intuições e a acreditar nos factos contra o preconceito e a ironia de amigos e colegas que, duvidando da sua sanidade mental, atribuem os fenómenos à sua renitência em aceitar a morte de Emily.

“O Poder dos Sentidos” proporciona-nos uma saudável reflexão sobre a morte e a separação daqueles que mais amamos. Sendo impossível evitar a dor que as separações sempre nos proporcionam, através do conhecimento é possível lidar com a morte de uma forma em que a angústia é substituída pela saudade. A dor da saudade é inevitável para quem se sente distante do ente querido e amado, mas para que essa dor não se transforme num sentimento desesperado, paralisante e perturbador, é necessário colocar a morte no seu devido lugar.

Aliás, nós já morremos e nascemos em incontáveis ocasiões. A morte é unicamente uma libertação para o Espírito, que depois de uma temporada em que esteve afastado do seu meio natural para que pudesse evoluir, crescer e aprender, retorna, esperando ter cumprido com o que se propusera a empreender. Através da persistência de Emily em tornar perceptível a sua enigmática mensagem e levá-lo à compreensão de que a morte é apenas uma aparência, Joe comprova de uma forma surpreendente o poder da fé e do amor, compreendendo que não existe distância, muro, abismo ou dificuldade que tenha a capacidade de separar duas almas que partilham sentimentos de amor genuíno.

Esta é também a forma de entendimento da morte que a doutrina espírita propaga, sendo que ela não é fruto de um simples desejo ou mera crença sem fundamento, mas de evidências concretas que nos levam a sentir tal como Allan Kardec afirmou no livro “O Céueo Inferno”: “Já não é somente a esperança que nos sustenta, mas a certeza que nos conforta.” Por Carlos Miguel Ficha Título Original: Dragonfly, 2002 95 minutos Realização: Tom Shadyac Elenco: Kevin Costner, Susanna Thompson, Joe Morton, Ron Rifkin, Kathy Bates, Robert Bailey Jr.

, Jacob Smith, Jay Thomas, Lisa Banes, Matt Craven. Parnaso de Além-túmulo Esta obra surgida em Julho de 1932, psicografada por Francisco Cândido Xavier, constitui um marco inamovível na História do Espiritismo. Foi eleita a terceira obra espírita mais importante do século XX, apenas ultrapassada pelo «Nosso Lar» (1944) do espírito André Luiz, a primeira, e pelo «Paulo e Estêvão» (1942) do espírito Emmanuel, a segunda; ambas psicografadas, também, pelo médium de Pedro Leopoldo.

A sua publicação abanou profundamente os meios cultos da época, no Brasil, tal como já o fizera «O Livro dos Espíritos» (1857), primeiro em França e depois na restante Europa, com as estruturas anquilosadas da Igreja e a juventude atrevida da Academia nascida da Grande Revolução (1789). A partir da sua publicação, o Espiritismo irá receber o impulso decisivo, sendo reconduzido ao caminho traçado pelo Espírito da Verdade, o aperfeiçoamento intelectual e moral do Homem, que é a sua finalidade precípua.

Pois com ele, - que subtilmente se vinha abastardando no misticismo saudosista e no cientificismo inconsequenteretoma o seu curso, iniciando uma nova fase da sua História. Estes poemas de «mortos» famosos, que constituem uma das mais sólidas provas da imortalidade, foram o som do clarim para despertar, chamar a atenção, para o que viria. Podemos identificar cada poeta pelas suas características, pelo seu estilo, que os torna inconfundíveis para qualquer estudioso da literatura luso-brasileira, no caso, a arte poética.

O «Parnaso de Além-túmulo» tornará conhecido o jovem caboclo mineiro, Francisco Cândido Xavier, o exemplo vivo do verdavieram juntar-se mais poetas «mortos», atingindo o número de 55, mais dois portugueses (António Nobre e José Duro), quatro que não se quiseram identificar, sendo os restantes 35, brasileiros. Inusitada foi a participação do poeta alentejano, José Duro (1875-1899), desconhecido da esmagadora maioria dos portugueses foto arquivo deiro «Homem de Bem», tão bem definido na Codificação Espírita; primeiro, em «O Livro dos Espíritos» (1857) e depois, em «O Evangelho segundo o Espiritismo» (1864).

A sua primeira edição inclui poesias de 14 poetas luso- brasileiros: quatro portugueses (Guerra Junqueiro, Júlio Dinis, João de Deus e Antero do Quental), nove brasileiros (Augusto dos Anjos, Castro Alves, Auta de Souza, Bittencourt Sampaio, Casimiro Abreu, Casimiro Cunha, Cruz e Souza, Pedro de Alcântara e Souza Caldas) e, ainda um anónimo. Nos anos seguintes e completamente desconhecido no Brasil até à sua intervenção pela mediunidade do obscuro jovem de Pedro Leopoldo.

José Duro, jovem estudante, foi cognominado de o «grande amargurado» por um amigo. Deixou-nos apenas um pequeno livro de poemas – «Fel» – publicado poucos dias antes da sua morte, numa manhã chuvosa e fria de Janeiro de 1899. Dezasseis anos depois o crítico literário Albino Sampaio assim se expressava: «José Duro esqueceu. Ninguém se lembra dele. Os velhos não o leram, os novos não o conhecem. Eu só uma vez vi citado o seu nome.

Foi quando o Dr. António Aurélio da Costa Ferreira respondeu a um inquérito literário no jornal «A República». […] Eu não conheci José Duro em vida. Não velei nem manipulei o seu cadáver, não o acompanhei à última morada. Mas fui um dos raros que compraram o seu livro…» O «Parnaso», tornamos a frisar, constitui uma das provas mais consistentes e robustas, que a Humanidade já conheceu sobre a imortalidade da alma. Depois da sua publicação, a «Espiritualidade Maior» irá iniciar através do humilde funcionário do Ministério da Agricultura e Pecuária, o trabalho de desdobramento, explicação e consolidação do legado de Allan Kardec.

Nessa imensa tarefa não poderemos esquecer as obras de Emmanuel (o educador) e as de André Luiz (o cientista), entre muitos outros autores, também convocados para darem o seu contributo ao grande trabalho de educação e instrução da Humanidade, a respeito da vida e do destino humano. Podemos resumir e concluir que com o «Parnaso de Além-túmulo» inicia-se uma nova fase da História do Espiritismo. Fase essa, que contribuirá para que o Movimento Espírita se liberte definitivamente da dogmática igrejeira e do materialismo petulante dos doutos, que paulatinamente se vinham insinuando e desvirtuando a doutrina consoladora, codificada pelo Sábio de Lyon.