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Jornal de Espiritismo nº 58 · Maio 2013Página 66 min

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“Depressão e Suicídio à luz do Espiritismo” foi o tema da conferência proferida por Gláucia Lima no dia 8 de março, no Funchal, integrada na comemoração do 8.º aniversário do Centro Cultural Espírita do Funchal. A conferência teve lugar no auditório da Escola Dr. Horácio Bento Gouveia, espaço que se tornou exíguo face ao interesse que a temática despoletou no seio do público madeirense. Como psiquiatra, Gláucia Lima abordou as principais causas e consequências dos transtornos mentais do século XXI, dando a conhecer diversos aspetos desta problemática, culminando a sua intervenção no papel da espiritualidade como fator protetor e preventivo da depressão e suicídio.

Sendo a temática apropriada para o momento que atravessamos, onde uma série de transformações sociais, económicas e morais vêm acontecendo, a conferencista soube prender a atenção do público que, sedento de soluções para os seus problemas, iam anotando queswww.adeportugal.org curso básico de espiritismo on-line em Associação de Divulgadores de Espiritismo de Portugal Madeira: depressão e suicídio na ótica espírita tões e dúvidas a serem apresentadas no momento final, apropriado a esse fim.

Iniciando a sua preleção, a convidada referiu que os estudos realizados indicam que uma em cada três pessoas apresenta alterações de saúde mental, o que reforçou a urgência de refletirmos sobre o tema em análise. A enumeração das possíveis causas, dos fatores de risco e a compreensão da universalidade dos transtornos mentais e de comportamento reforçou a importância de iniciativas deste tipo junto da população em geral.

Inúmeras causas podem estar presentes para surgirem situações depressivas ou de manifestações de fuga à vida, como deixou claro a exposição da distinta médica. Desde causas endógenas provenientes de alterações orgânicas a causas reativas, como perdas afetivas, rejeições, abandonos ou outras exigências de alterações profundas na vida quotidiana, a causas espirituais (sentimentos de culpa profundos, nostalgias) ou ainda a causas mistas.

Na maioria dos casos a origem das tentativas das pessoas porem fim à vida estão os problemas interpessoais, afetivos e familiares e não patologias psiquiátricas. Da exposição dos fatores causais, Gláucia passou ao ponto alto da conferência com a explicação de como o Espiritismo pode contribuir na cura da falta de vontade de viver e permitir a construção de um novo sentido para a vida. Tornou claro que pessoas com religiosidade profunda lidam melhor com situações de ansiedade, stress e outras emoções negativas que afloram da intimidade do ser perante os desafios existenciais.

Depois, a partir da clarificação do conceito de espiritualidade, como o processo pelo qual os seres humanos definem como princípio orientador das suas vidas, algo que transcende a transitoriedade da matéria, passou à exposição de orientações adequadas para o tratamento e prevenção do suicídio como a criação de uma psicosfera saudável em torno do paciente através de atitudes e comportamentos positivos; o combate às fixações mentais negativas; a ocupação mental e emocional com coisas gratificantes; a participação em grupos de autoajuda; o tratamento energético-espiritual (passe, desobsessão, água fluidificada); a psicoterapia; a terapia farmacológica e reforma íntima.

Para finalizar apresentou a especificidade do modelo espírita tendo como máxima o princípio ‘Fora da caridade não há salvação’, e a orientação de Jesus na promoção de uma vida mais saudável: ‘Fazei aos outros aquilo que queirais que vos façam’. No dia 9, Gláucia dirigiu um seminário para os trabalhadores do CCEF abordando os temas “Natureza das comunicações e espírito crítico em mediunidade” e “Transição planetária”, o qual veio ao encontro das necessidades atuais do grupo.

Terminamos o fim-de-semana de coração preenchido com profunda gratidão pelos momentos vividos e pela importante contribuição dada na divulgação do Espiritismo na nossa ilha. Por CCEF foto organização MAIO.JUNHO 2013 - Significa isto que o autismo pode ser considerado uma marca espiritual? Dr. Carlos Maciel – Acho que sim. Normalmente as raízes deste comportamento encontram-se em existências já remotas vividas pelo espírito.

Segundo afirma o Dr. Bezerra de Menezes, no livro «Loucura e Obsessão» muitos espíritos procuram na alienação mental – através do autismo – escapar ao resgate das suas faltas passadas, das lembranças que os atormentam e das vítimas que fizeram nesse mesmo passado. O autismo é um transtorno invasivo do desenvolvimento que se manifesta antes dos três anos de idade. Carateriza-se por um desenvolvimento anormal e por mostrar alterações em três áreas: interação social, comunicação e comportamento.

- Há casos de autistas que tenham conseguido uma cura completa? Dr. Carlos Maciel – Sim, mas são muito raros. No entanto, na literatura médico- -espírita há casos de pacientes que conseguiram uma certa autonomia e uma melhoria surpreendente, insólita e incomum. Até há livros publicados por estes autistas. Mas também sabemos que foram diagnosticados como padecendo de autismo e não era isso que acontecia, por isso é preciso ter cuidado com o diagnóstico.

O autismo é uma doença complexa, até para se fazer um diagnóstico diferenciado das outras doenças. - Quer deixar uma mensagem aos pais espíritas e não espíritas que procuram uma resposta para este problema? Dr. Carlos Maciel – O mais importante é não nos esquecermos de que eles são nossos semelhantes e que têm um nível de evolução muito próximo do nosso. Segundo os mentores da nossa associação médico-espírita, uma das poucas diferenças que existem entre eles e nós é que no nosso caso estamos num nível um bocadinho acima de boa vontade mas as nossas faltas são praticamente as mesmas.

Temos por isso a abençoada oportunidade de ocuparmos temporariamente a posição de “tratadores”. Aos pais eu diria que é muito importante a tolerância, a empatia, a compreensãoea paciência para com estes filhos. Devemos pôr-nos no lugar deles, para os podermos compreender e amar. Por Ismael Gobbi In «Folha Espírita» n.º 397. pode dizer-se que não há um psicofármaco específico para tratar o autismo. Os medicamentos que se usam são administrados apenas para controlar as agitações psicomotoras e as hetero e auto-agressões produzidas pelos autistas.

É uma doença muito complexa que requer uma abordagem multidisciplinar que envolve educadores, psicólogos e terapeutas ocupacionais, visto que é preciso que se dê atenção às questões da educação e socialização. Como médicos e espíritas que somos, sabemos que a terapia complementar espírita que o espiritismo recomenda é muito importante. Regra geral, nesta patologia há débitos passados muito graves acompanhados pela consequente obsessão espiritual, pelo que o tratamento indicado é o da desobsessão, da aplicação de passes e da utilização de água fluidificada.

- E o que são as marcas espirituais de que fala? Dr. Carlos Maciel – É uma terminologia genérica que costumamos usar ao tratar do assunto quando nos referimos à causalidade mais profunda do autismo. Nas obras da literatura médico-espírita vamos encontrar esclarecimentos sobre as suas causas e sobre o processo de formação dos sintomas. Estas vêm lançar uma nova luz sobre estes mesmos sintomas, dado que nesses livros cada pessoa é vista sob a ótica da reencarnação.

É importante mencionar aqui o processo de formação do autismo marcado pela culpa – acarretando lesões para o seu perispírito, a consequente impressão ao formar-se o sistema nervoso do novo corpo físico, e ainda os sintomas de autismo decorrentes desta impressão. - Será uma deformação do perispírito? Dr. Carlos Maciel – Há duas possibilidades para a formação do autismo. Uma delas, como acabo de referir, seria o reencarnante sofrer o efeito das marcas que traz no perispírito; estes danos perispirituais levam às lesões no sistema nervoso, as quais por sua vez desencadeiam manifestações de autismo.

Nestes casos o indivíduo não consegue comunicar devido às deformações ou lesões nos seus dois corpos – espiritual e físico. A outra possibilidade seria este espírito, marcado pela consciência da culpa, ter medo de uma reencarnação compulsiva, na qual iria colher os efeitos das faltas passadas. Os mentores da nossa associação informaram que este sentimento de culpa é provocado por choques frontais e pelos graves desvios do passado.

Nesta situação o espírito rejeita reencarnação provocando o autismo. Dá-se um processo grave de auto-obsessão devido ao abandono consciente da vida, isto é, um auto-encarceramento orgânico. Apesar de neste caso não haver uma lesão direta no perispírito, o rejeitar da reencarnaçãoeo recusar a comunicação danificam o cérebro.