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Jornal de Espiritismo nº 6 · 2004Página 75 min

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David Fontana — professor universitário afirma: a vida continua após a morte

David Fontana participou em Vigo, na vizinha Espanha, na Conferência Internacional acerca da Sobrevivência à Morte Física, de 23 a 25 de Abril. Autor de 26 livros de Psicologia, traduzidos em 25 línguas e docente universitário no Reino

Unido, concedeu-nos esta entrevista.

David Fontana tem um currículo notável. Doutorado em Psicologia é, actualmente, Membro Distinguido e Professor Convidado da Universidade de Cardiff, no Reino Unido, e Professor de Psicologia Transpessoal na Universidade John Moores, em Liverpool, também no Reino Unido.

Para além disso, é Professor Convidado das Universidades do Minho e do Algarve, em Portugal. É ainda Membro da British Psychological Society e Conselheiro Psicológico contratado. O seu interesse pela pesquisa psíquica remonta aos tempos da sua juventude, sendo Presidente-fundador (actualmente Vicepresidente) da British Society for Psychical Research e Presidente da Comissão da Society Survival Research. Investigador da Mediunidade por largos anos, tem dedicado particular interesse aos casos de poltergeist e aos consequentes fenómenos físicos, escrevendo exaustivamente sobre o assunto.

Trabalhou com Montague Keen na investigação extensiva dos fenómenos testemunhados em Scole, no Reino Unido, e é um dos co-autores, com Montague Keen, do “Relatório Scole “.

David Fontana a firma: «O próximo passo é o de demonstrar, isfação dos cientistas cépticos, que parecem ser ceis de convencer, que não se trata apenas de possíveis capacidades psíquicas, mas sim que a vida continua

Electrónicas), durante muitos anos, mas só após ter começado a trabalhar com Anabela Cardoso, há cerca de três anos, é que se convenceu, finalmente, da paranormalidade desses fenómenos. Esteve presente nos estúdios de Anabela Cardoso, em Vigo e em Lion, quando foram obtidos resultados sob condições estritamente controladas. Acedendo ao convite desta investigadora, o Professor David Fontana faz, agora, parte da Equipa Editorial do «Jornal de TCI» (Transcomunicação Instrumental — Instrumental Transcommunication) Com Anabela Cardoso, foi co-organizador do I Congresso Internacional sobre “Investigação sobre a Sobrevivência à Morte Física, com especial referência à Transcomunicação Instrumental”.

- Apresentou pesquisas com médiuns onde assistiu a materializações de seres espirituais e outros fenómenos que demonstram a imortalidade da alma. Onde é que elas ocorreram?

DF- Sim, decorreram em Inglaterra. Estamos a falar das investigações levadas a cabo pelo Grupo Scole, acerca da produção de fenómenos físicos, num compartimento especificamente preparado para fins científicos, pois situavase debaixo do solo, isolado com paredes de tijolos, de modo a que não pudesse haver interferência do exterior. Dois anos de investigação com este grupo, inicialmente uma vez por mês, durante cerca de três horas, em que tivemos oportunidade de verificar toda uma vasta gama de fenómenos, em condições em que não seria possível haver fraude.

- Onde se passou isso? DF- Em Scole, Norfolk. - Quando, exactamente? DF- Publicámos os nossos relatórios em 1999, tendo a investigação terminado no início desse ano. Este trabalho foi apresentado no Simpósio “Aquém e Além do Cérebro”, em Portugal, na cidade do Porto, na Casa do Médico, organizado pela Fundação Bial, no ano de 2002.

- O que pensa ser necessário fazer, actualmente, para alterar os paradigmas científicos, no que respeita à sobrevivência do espírito como sendo uma Jrealidade comprovada? DF- Penso que não há dúvidas, P temos evidências suficientes para demonstrar que esses acontecimentos paranormais acontecem. Demonstrámos isso em condições inequívocas. O próximo passo é o de demonstrar, para satisfação dos cientistas cépticos, que parecem ser muito difíceis de convencer, que não se trata apenas de possíveis capacidades

psíquicas, mas sim que a vida continua após a morte.

O grande problema, no momento, é que todos sabemos que temos mensagens muito boas, de médiuns, através da TCI, enfim, de várias formas, temos efectivamente mensagens muito boas de pessoas que já morreram. Mas ainda que os cientistas acreditem no paranormal, a verdade é que eles dizem que tudo isso é causado pelos “vivos”, pela mente dos vivos, e que a informação provém da telepatia, da clarividência, ou da psicoquinese, que é a capacidade que a mente tem de produzir fenómenos físicos.

Por isso, eles diriam que nós não obtivemos essas mensagens através de um gravador ou de um vídeo, mas sim que esses registos teriam sido causados pela acção da psicoquinese ou do paranormal, ou seja pela mente dos vivos. Não temos evidências formais de que a telepatia, a clarividência ou a psicoquinese dos “vivos” são suficientemente poderosas para produzir estes efeitos. E, por isso, o argumento que deve ser utilizado com convicção é que, se estes efeitos são produzidosporque o sãoo normal é que sejam produzidos pelos mortos, pelos espíritos, pelos falecidos, mais do que pelos vivos.

Aliás, não devemos chamá-los de mortos, porque, na verdade, eles estão bem vivos, uma vez que têm o poder de produzir tais fenómenos. Em complemento, é certo que obtivemos determinadas informações que nenhum dos vivos sabia. Obtivemos comunicações de pessoas que nem sequer conhecíamos, tendo pesquisado e chegado à conclusão que tinham existido e que os detalhes que nos tinham sido fornecidos estavam correctos. Vejamos, nenhum vivo possui necessidades emocionais de produzir essa espécie de informação detalhada.

Eles não conhecem as pessoas, nem quem são, nada conhecem do seu passado, não têm qualquer ligação com elas, ou qualquer coisa do género e, mesmo assim, a informação é totalmente verdadeira. Este é um argumento muito forte, pelo facto de ser proveniente de um falecido e não de um vivo. E há mais: convém sempre enfatizar que os médiuns, por exemplo, são os peritos, uma vez que é através deles que o contacto se estabelece, e que há pessoas que dizem pertencer a outros planos.

Isto não advém das suas mentes ou das mentes dos que os rodeiam. Os médiuns são os peritos, e temos também de respeitar o que eles nos transmitem através dos seus dons. — Haverá uma revolução no nosso mundo? Acredita que a Ciência criará algum instrumento para detectar as vibrações dos espíritos?

DF — Bem, os cientistas estão sempre a mudar e o desenvolvimento, agora com a TCI, sugere, mas sugere fortemente mesmo que, da maneira como estes instrumentos se desenvolvem, poderão ser abertas novas “avenidas” para as comunicações. Estou, na verdade, muito optimista acerca do que pode vir a acontecer com todo este trabalho no âmbito da TCI. A electrónica move forças tão rapidamente, que poderemos descobrir, acidentalmente, algum equipamento novo capaz de provocar efeitos muito melhores do que os conseguidos

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