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Correio Setembro.outubro

Jornal de Espiritismo nº 60 · Maio 2013Página 34 min

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CORREIO SETEMBRO.OUTUBRO 2013 Sacrifício da própria vida? Carlos escreveu: “caros colegas, é com muito prazer que venho aqui pedir-lhes auxílio, para minha melhor compreensão. Estou a ler o “Evangelho Segundo o Espiritismo” e deparei-me com esta passagem no tópico “Sacarifico da própria vida”, onde relata: “Se um homem se expõe a um perigo iminente para salvar a vida a um dos seus semelhantes, sabendo previamente que sucumbirá, pode o seu acto ser considerado suicídio?

” Gostaria que me esclarecesse com mais lucidez e compreensão, para que eu venha melhor compartilhar essa bela obra. Um grande abraço! Resposta: o Mário respondeu: Olá amigo Carlos, imagine um bombeiro, um polícia ou um nadador-salvador. São pessoas que põem a vida em risco diariamente, e que têm probabilidades significativas de se atirarem a uma situação em que talvez pereçam. Talvez morram em serviço ao próximo, muitas das vezes em que entram em acção.

A pergunta de Kardec aos Espíritos foi se esses heróis profissionais (ou os heróis ocasionais que todos às vezes somos) podem ser considerados suicidas por arriscarem assim a vida. A resposta dos Espíritos foi de que não, antes pelo contrário. Arriscar a vida para que outros possam viver é um acto bastante nobre. O lema dos bombeiros, curiosamente, até é «Vida por Vida». É certo que nenhum desses profissionais deseja a morte, mas se for preciso, entre a vida deles e a das vítimas, eles oferecem a deles para salvar as dos outros.

É sublime, convenhamos. E essas pessoas nem sempre têm o reconhecimento que merecem. CHEIROS INOPINADOS Natália, mandou-nos a seguinte questão: “Bom dia, Desde há algum tempo atrás que, de vez em quando sinto um cheiro intenso a flores, mesmo estando em locais onde não há flores. Já tive a oportunidade de verificar com outras pessoas que estão comigo e que não sentem esse cheiro. A 1ª vez que me aconteceu tinha acabado de acontecer um acidente em que morreram 2 pessoas.

Apenas tive conhecimento da morte destas pessoas, horas mais tarde, mas quando senti este cheiro, lembro-me de ter falado para mim mesma que senti o cheiro a morte. Já voltei a sentir mais vezes e, mais recentemente, aquando do falecimento da minha avó, voltei a sentir o mesmo odor. Após conversa com um amigo que costuma frequentar um Centro Espírita, ele indicou-me a ADEP, uma vez que seria o local indicado para me ajudarem a esclarecer esta situação.

Podem ajudar-me a esclarecer qual o significado de toda esta situação? Resposta: Olá Natália, longe vão os tempos em que a morte era um grande ponto de interrogação, ou um «papão» horrendo. Os velhos mitos do Céu, Inferno e Purgatório, por via da razão amadurecida da Humanidade, dão lugar a uma visão mais próxima da realidade, e que a Ciência, a pouco e pouco, vai estudando. Quem morre, não acaba. Não fica a dormir à espera do Juízo Final, nem vai para um dos três «departamentos» que acima citámos.

Quem morre, apenas muda de residência. Passa do mundo material para o mundo espiritual. E como para o mundo espiritual não se pode levar o corpo físico, esse fica cá, como um casulo de onde sai uma bela borboleta. Quando nascemos, saímos de um «casulo» para darmos entrada no mundo material. Quando morremos, morre o nosso «casulo» físico e regressamos para onde viemos. Somos Espíritos temporariamente «dentro» de um corpo material, grosseiro, que envelhece e deixa de nos servir.

As percepções que teve, significam que é uma pessoa normal, e que, como toda a gente, tem uma faculdade latente chamada «mediunidade». A «mediunidade» permite-nos ter sensações, percepções, captar mensagens ou impressões que vêm do mundo espiritual. O mundo espiritual não fica perto nem longe. Fica numa outra dimensão que se sobrepõe à nossa. É vulgar, por isso, haver pessoas que, em maior ou menor grau, vêem ou ouvem os Espíritos, captam ideias do mundo espiritual, ou recebem mensagens que de lá lhes chegam.

Um exemplo clássico é o de Jesus de Nazaré, que após a morte do corpo físico, apareceu várias vezes aos seus apóstolos e a outras pessoas. Aliás, em vida, no episódio da Transfiguração, Jesus esteve no alto do Monte Tabor em conversa com os Espíritos dos profetas Moisés e Elias. A mediunidade é de sempre, de todas as culturas e lugares. Deus o permite para que todos possamos ter evidências de que a Vida continua. Entenda pois o que lhe aconteceu como momentos de felicidade, em que Deus lhe concedeu a graça de saber que é mais que corpo material, é acima de tudo um Espírito imortal.

Para saber mais acerca destas coisas, sugerimos que visite uma associação espírita. A pergunta de Kardec aos Espíritos foi se esses heróis profissionais (ou os heróis ocasionais que todos às vezes somos) podem ser considerados suicidas por arriscarem assim a vida. Pode também ir ao nosso “site” e fazer o “download” de “O Livro dos Espíritos” e até inscrever-se no Curso Básico de Espiritismo, em www.adeportugal.org/ cbe.

A ideia base do Espiritismo é a vivência plena do Evangelho de Jesus, sem cerimónias, rituais ou dogmas, de forma racional. Não há, nos centros espíritas genuínos, nada de assustador ou «obscuro». Pode ir tranquila, pois é um lugar como qualquer outro lugar onde se estuda e pratica Cultura. E, muito importante: todos os serviços espíritas são gratuitos e sem compromissos. O Espiritismo é um movimento de voluntariado, sem lugar para o negócio.

Abraço amigo e disponha sempre, ADEP.