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Jornal de Espiritismo nº 81 · Abril 2017Página 55 min
Alô! É do Plano Espiritual? Em 18 de Abril de 1857, Allan Kardec deu a estocada final sobre a morte: ela não existe, afinal os Espíritos estão vivos, comunicam - -se e dão provas da sua identidade. Tinha nascido a ciência espírita. Não era mais uma religião nem mais uma seita, mas uma filosofia de vida que ajudava o Homem a espiritualizar-se mais depressa, sem dependências, num esforço de autoaprimoramento.
O desejo de construir aparelhos para falar com o mundo dos Espíritos, é velho. Não se sabe onde começou, mas entre os mais conhecidos, encontramos Edison, Marconi, e os brasileiros Cornélio Pires, Próspero Lapagasse e Óscar D’Argonnel. A “Revista de Espiritismo”, órgão oficial da Federação Espírita Portuguesa (FEP) no seu n.º 1, ano IV, 1930, Jan / Fev., pág. 33, Lisboa, Portugal, faz referências, embora não muito concretas, sobre essa vontade de criação de um aparelho para esse fim.
Em 1959, Friedrich Juergenson, ucraniano naturalizado sueco, ao tentar gravar o chilreio de aves, verifica que apareciam vozes desconhecidas. Repetidas experiências e o descartar de alguma possível interferência levaram-no a pesquisar a fundo, coligindo muitas frases (algumas em várias línguas na mesma frase), o que lhe valeu ser condecorado pelo papa Paulo VI, em 1969. Konstantin Raudive, letão, apaixonou-se por esta pesquisa e, gravou 72 mil frases, algumas delas compiladas em disco de vinil, juntamente com o livro em alemão intitulado “O Inaudível torna-se audível”, mais tarde traduzido para o inglês com o título “Breakthrough”.
Os cientistas, pesquisadores e curiosos estavam eufóricos: finalmente o médium humano iria ser substituído pelos aparelhos electrónicos. A Trasncomunicação Instrumental (TCI), isto é, a comunicação com o Além por meios electrónicos, tinha dado a machadada final na Transcomunicação Mediúnica (TCM), a comunicação com o Plano Espiritual através de seres humanos. Cerca de 60 anos depois, em 2017, verificamos que foi entusiasmo a mais, mesmo que tais previsões façam igualmente parte de, pelo menos 3 dos 16 livros, ditados pelo Espírito André Luiz, através do médium Francisco Cândido Xavier, isto muito antes da TCI aparecer.
Mas voltemos aos anos 60. O entusiasmo era grande, e o eng.º George Meek criou o SPIRICOM, um aparelho destinado a comunicar-se com os Espíritos através da gravação das suas vozes. Esta técnica de gravação de vozes tem o nome de EVP, sigla em inglês que se refere aos fenómenos de vozes electrónicas. Com a colaboração do técnico de electricidade e médium William O’neill, Geroge Meek constrói a versão II, III e IV do SPIRICOM, com dicas fornecidas pelo Espírito do Dr.
George Muller, através da mediunidade de O’Neill. Hans Otto Konig, na Alemanha, construiu um equipamento que fez muito sucesso em várias partes do Mundo, onde o apresentou, tendo tido muito êxito por duas vezes na RTL, no Luxemburgo, em 15 de Janeiro de 1983 e em 24 de Janeiro de 1986, em directo, para cerca de 3 milhões de pessoas. No Luxemburgo vivia um casal, Jules e Maggy Harsch-Fischback, que começando com as experiências de EVP, rapidamente construíram dois novos modelos.
Os seus êxitos foram tais que, eram requisitados por todo o Mundo, para serem investigados, perante tanto êxito. Recebiam mensagens por computador (nesse tempo não havia a actual internet) e comunicação bilateral com uma entidade espiritual, que se chamava “Técnico”. Imagens apareciam na TV com caras conhecidas e desconhecidas (em 1987) e outras mensagens apareciam inopinadamente no gravador de mensagens acoplado ao telefone.
O casal Fischback foi uma das peças mais notáveis dos primórdios da TCI, rapidamente relegados ao abandono pelos seus pares, por motivos próprios da mundaneidade. Klaus-Schreiber, com o apoio de Martin Wenzel, é considerado o pai do VIDICOM, nome dado à técnica de captar imagens de seres espirituais através de TV (muitas vezes desligadas de qualquer canal e até da antena). Em 1 de Julho de 1988, consegue-se pela primeira vez uma gravação de imagem e som em simultâneo.
Adolf Holmes na Alemanha e Keneth Webster em Inglaterra começam a receber vários tipos de mensagens nos seus computadores, em casa, sem que ninguém lhes tocasse. Theo Locher, na Suíça, presidia à Sociedade Suíça de Parapsicologia, onde se reuniam amiúde investigadores de todo o Mundo. O padre François Brune, francês, deu-nos várias entrevistas em Portugal e em Espanha, onde afirmava que semanalmente falava com os Espíritos, quer através de médiuns humanos quer através de aparelhos electrónicos.
François Brune, afirmou ainda que o próprio Vaticano tinha uma equipa de pesquisa, nesta área, há muito tempo, com êxitos firmados. O físico Ernst Senkowski era uma autoridade na matéria, ao qual se juntaram o Prof. David Fontana (Inglaterra), a Dr.ª Anabela Cardoso (Portugal), Marcelo Bacci (Itália) e Marian Casademont (Espanha). No Brasil, o Quem não gostaria de falar com o Espírito de um familiar, saber como vai, como é a vida no Plano Espiritual?
Desde sempre que as pessoas buscam médiuns comerciantes e até centros espíritas, em prol de uma notícia de alguém que já partiu para o Plano Espiritual, pelo fenómeno natural da morte física. Mas, será tal desejo possível de concretizar, através de meios electrónicos? Eng.º Hernani Guimarães Andrade e o Prof. Carlos Luz formaram um grupo de pesquisa, e muitos outros nomes como Ney Prieto Peres, Sónia Rinaldi e Clóvis Nunes fizeram o mesmo.
Um pouco por todo o Mundo os pesquisadores chegavam às mesmas conclusões, demonstrando inequivocamente a universalidade dos fenómenos, bem como das comunicações. Em Itália, Marcelo Bacci, juntamente com Anabela Cardoso, David Fontana e outros, consegue uma proeza que ficou registada: de um velho rádio a válvulas ecoavam vozes, ditas de seres que já tinham morrido, sendo muitos deles identificados. Nesse dia, as válvulas foram retiradas, uma a uma, durante a experiência e, mesmo sem elas, as vozes continuaram.
Clóvis Nunes, no Brasil, conseguiu a comunicação por voz mais longa que se conhece, desta vez a voz do Espírito Astrogildo, no dia 2 de Novembro de 2012, no Centro de Convenções e de Congressos da Bahia, facto este presenciado por muitas personalidades, que assinaram uma acta, que foi registada em cartório. No Centro de Cultura Espírita de Caldas da Rainha foram recebidas também inopinadamente, num gravador digital, várias vozes paranormais.
Perante os críticos, Hernâni Guimarães Andrade, no seu livro “Morte, Renascimento, Evolução” refuta as teses anti-TCI, uma por uma, demonstrando a veracidade do fenómeno de comunicação com um mundo extrafísico, através de aparelhos electrónicos. A bibliografia é vasta, mas recomendamos especialmente os livros de Hernâni Guimarães Andrade, pela sua qualidade, assertividade, profundidade e abrangência. Os mais interessados poderão pesquisar mais sobre este assunto, no YouTube em www.
youtube.com/user/jcmlucas1. Acreditamos que os conhecimentos de agora, muito parcos, são a antecâmara de um futuro que virá inevitavelmente, quando tivermos mais e melhor tecnologia, que consiga captar a vibração do Plano Espiritual. A mediunidade humana não irá desaparecer, mas para adentrarmos em áreas mais evoluídas do conhecimento tecnológico, o Homem terá primeiro de fazer o seu trabalho de reforma íntima ao longo dos anos, em busca do estatuto de “Homem de Bem” (“O Evangelho Segundo o Espiritismo”, Kardec).
Afinal de contas, a TCI não é mais do que uma decorrência das pesquisas de Allan Kardec, que demonstram ao mundo esta verdade evidente: “Nascer, morrer, renascer ainda, progredir sem cessar, tal é a Lei” (frase esculpidacuja autoria se ignorano túmulo de Allan Kardec). Por José Lucasjcmlucas@gmail.com MARÇO.ABRIL.
