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Editorial / Conto Março.abril.2017

Jornal de Espiritismo nº 81 · Abril 2017Página 24 min

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EDITORIAL / CONTO MARÇO.ABRIL.2017 Nesta edição há a primeira publicação de uma nova secção fixa: espiritismo e ecologia. A abertura era inadiável, e não ocorre tão-só pelo advento dos dias maiores que vivemos agora. A consciência do caudal limitado dos recursos naturais de que depende a vida da espécie humana na Terra é cívica, logo, no mínimo é também apanágio do adepto sincero das ideias espíritas. Como explica André Trigueiro, um jornalista entendido na matéria que virou entrevistado, há diversas afinidades entre espiritismo e ecologia.

A mais forte, independentemente do surgimento sincrónico de ambas as áreas de conhecimento na história da humanidade ou de outros itens de proximidade, será a de que se reportam a leis da natureza. Isso quer dizer que não precisam do reconhecimento humano para funcionarem irrestritamente. Se o espiritismo matou a morte ao revelar a existência de um corpo espiritual que se desprende no decesso, preexistindo e sobrevivendo sob comando do Espírito à morte do corpo material, a ciência ambiental demonstra que os bens vitais à vida do homem encarnado – a água potável e o ar respirável, alimentos e medicamentos, usufruto de energias limpas e equilíbrio do clima, etc.

– são renováveis só até um certo ponto. Outros nem isso. Os ecossistemas precisam de algum tempo para refazerem os recursos que nos são vitais. É imperioso equilibrar, assim, o consumo para que o vórtice do consumismo não torne este planeta inóspito para a vida humana, que depende de muita, mas mesmo muita, biodiversidade. É imperioso equilibrar, assim, o consumo para que o vórtice do consumismo não torne este planeta inóspito para a vida humana, que depende de muita, mas mesmo muita, biodiversidade.

É interessante notar que as leis da natureza são transversais a todos os formatos de crença. Por isso, quando são interpretadas com limpidez, à maneira de um ribeiro de montanha A multa maior fresco e cheio de oxigénio dissolvido, espelham-se nos trabalhos de quem tem talento para as explicar. Um documento surgido, estranhamente, dentro de um sistema dogmático clássico, e que consegue uma meta luminosa de forma surpreendente para nós, que não somos católicos, veio do papa Francisco – “Laudato si” (louvado seja).

O texto desta encíclica está cheio de lucidez, pragmatismo, profundidade em forma de fundamentação, clareza e bom senso. Se alguém não gostou de ler estas últimas palavras diz a razão que não deve criticar sem saber do que está a falar. E não fica mal a nenhum habitante da Terra que ainda o não tenha feito, inclusive espiritistas, passarem os olhos por essas páginas cheias de sentido. É a mesma tonalidade altissonante, harmoniosa, que encontramos na leitura de Allan Kardec, a talhe de foice, em «A Génese», capítulo XlV: «Assim, tudo no Universo se liga, tudo se encadeia, tudo se acha submetido à grande e harmoniosa lei de unidade, desde a mais compacta materialidade até à mais pura espiritualidade».

Caminhar num trilho evolutivo resulta sempre melhor quando se beneficia de raios de sol, de melhor luz. É nesse intuito que lhe entregamos estas páginas – boa leitura! Redação foto ulisses.com O recinto do Tribunal estava lotado, não tanto pela importância dos crimes que seriam julgados, mas pela presença do prefeito de Nova Iorque, La Guardia, que costumava, nessas ocasiões, sentenciar casos policiais simples, com decisões que ficavam famosas pelo seu conteúdo de sabedoria e originalidade.

Um dos acusados fora pilhado em flagrante, roubando pão em movimentada padaria. O homem inspirava compaixão: muito magro, barba por fazer, roupas em desalinho – era a própria imagem da miséria!… La Guardia submeteu-o, solene, ao interrogatório, consultou as testemunhas e, após rápida apreciação, considerou-o culpado, aplicando-lhe a multa de 50 dólares. A alternativa seria a prisão… Diríamos que somente na medida em que estivermos dispostos a socorrer a infelicidade da Terra é que estaremos a caminho da Felicidade do Céu.

Em seguida, dirigindo-se à pequena multidão que acompanhava, atenta o julgamento, disse, peremptório: – Quanto aos presentes, estão todos condenados a pagar meio dólar cada um, importância que servirá para liquidar o débito do réu, restituindo-lhe a liberdade. E ante a estupefação geral, acentuou: – Estão multados por viverem numa cidade onde um homem é obrigado a roubar pão para matar a fome!… Todos nós, habitantes de qualquer cidade do Mundo, estamos sujeitos a uma multa muito mais severa, a uma sanção muito mais grave – a frustração dos anseios de Felicidade, os desajustes intermináveis, as crises de angústia – por vivermos num planeta onde as palavras fraternidade, bondade, solidariedade, são enunciadas como virtudes raras, quando são apenas elementares deveres, indispensáveis à preservação do equilíbrio em qualquer comunidade.

Dizem os Espíritos Superiores que a Felicidade do Céu é socorrer a infelicidade da Terra. Diríamos que somente na medida em que estivermos dispostos a socorrer a infelicidade da Terra é que estaremos a caminho da Felicidade do Céu. Não há alternativa. Podemos isolar-nos da multidão aflita e sofredora, mas jamais estaremos bem, porquanto a infelicidade é o clima crónico dos que se fecham em si mesmos. Mãos servindo são antenas que estendemos para a sintonia com as fontes da Vida e a captação das Bênçãos de Deus!