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resgatar os equívocos e os erros de uma v imediatista, utilitarista e

Jornal de Espiritismo nº 9 · 2005Página 153 min

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resgatar os equívocos e os erros de uma v

imediatista, utilitarista e materialista da vida. Chegaremos à conclusão de que a segurança desejada, a verdadeira segurança, ainda não é possível num mundo, infelizmente, conturbado pela inconsciência colectiva de seres que mutuamente se agridem ao invés de se amarem. A paz não se constrói fomentando guerras, deflagrando arsenais, promovendo agressões, quezílias e divisões. A paz não se torna numa realidade permanente apenas porque a decretamos, com nobres e louváveis propósitos, como lei universal, através de tratados, nas instituições internacionais, ao conjunto dos seres humanos.

Enquanto persistirem no mundo tão grandes e flagrantes injustiças, enquanto a mentira encobrir a multidão dos equívocos deliberados, enquanto existirem multidões tratadas com indignidade a viver em situações de miséria deplorável, sem condições e sem direitos, enquanto não se investir numa educação que desenvolva as potencialidades espirituais do ser humano, a violência continuará a espalharse sob várias formas, acossando as consciências com o seu aguilhão de sofrimentos para um despertar que teimosamente adiamos.

Na data memorável de 18 de Abril de 1857, saiu a público, em Paris, França, “O Livro dos Espíritos”. Nele, Allan Kardec faz a seguinte pergunta aos Espíritos': “Por que indícios se pode reconhecer uma civilização completa?” Os Espíritos responderam-lhe: “ Reconhecê-la-eis pelo desenvolvimento moral. Credes que estais muito adiantados, porque tendes feito grandes descobertas e obtido maravilhosas invenções; porque vos alojais e vestis melhor do que os selvagens.

Todavia, não tereis verdadeiramente o direito de dizer-vos civilizados, senão quando de vossa sociedade houverdes banido os vícios que a desonram e quando viverdes como irmãos, praticando a caridade cristã. Até então, sereis apenas povos esclarecidos, que hão percorrido a primeira fase da civilização.” Acrescenta Allan Kardec: “A civilização, como todas as coisas, apresenta gradações diversas. Uma civilização incompleta é um estado transitório, que gera males especiais, desconhecidos do homem no estado primitivo.

Nem por isso, entretanto, constitui menos um progresso natural, necessário, que traz consigo o remédio para o mal que causa. À medida que a civilização se aperfeiçoa, faz cessar alguns dos males que gerou, males que desaparecerão todos com o progresso moral. “De duas nações que tenham chegado ao ápice da escala social, somente pode considerar-se a mais civilizada, na legítima acepção do termo, aquela onde exista menos egoísmo, menos cobiça e menos orgulho; onde os hábitos sejam mais intelectuais e morais do que materiais; onde a inteligência se puder desenvolver com maior liberdade; onde haja mais bondade, boa-fé, benevolência e generosidade recíprocas; onde menos enraizados se mostrem os preconceitos de casta e de nascimento, é por isso que tais preconceitos são incompatíveis com o verdadeiro amor do próximo; onde as leis nenhum privilégio consagrem e sejam as mesmas, assim para o último, como para o primeiro; onde com menos parcialidade se exerça a justiça; onde o fraco encontre sempre amparo contra o forte; onde a vida do homem, suas crenças e opiniões sejam melhor respeitadas; onde exista menor número de desgraçados; enfim, onde todo homem de boavontade esteja certo de não lhe faltar o necessário.

” Sá atenuando o sofrimento e a injustiça, vivendo em plenitude o amor, colocando os mais altos e nobres valores morais na relação entre as pessoas e os povos, promovendo a fraternidade e a solidariedade, se estará erradicando as causas primárias do terrorismo e da violência. É preciso continuar a trabalhar arduamente pelo nosso progresso moral para que a evolução nos conduza a uma civilização mais perfeita, equilibrada e feliz.

É preciso recusar o progresso à lei da bomba. “Ama ao teu próximo como a ti mesmo”, ensinava Jesus.

Texto: Reinaldo Barros Bibliografia:

1. KARDEC, Allan. O LIVRO DOS ESPÍRITOS. FEB. 76º edição. 1995. 3º Parte, capítulo VIII, Da Lei do Progresso. Pergunta 793.

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