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Jornal de Espiritismo nº 91 · Novembro 2018Página 56 min

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foto pixabay Autismo: entender e amar O diagnóstico de Síndrome de Asperger hoje em dia é entendido dentro da Perturbação do Espectro do Autismo (PEA). O conceito de autismo passou de uma perturbação do comportamento de limites bem definidos para uma perturbação do espectrode gravidade e sintomas que podem ser variáveis, a depender do nível de desenvolvimento e idade cronológica. Nesse espectro inclui-se perturbações ora referidas como: Perturbação de Asperger; autismo infantil precoce; autismo infantil; autismo de Kanner; autismo de alto funcionamento; autismo típico; perturbação global do desenvolvimento sem outra especificação; perturbação desintegrativa da segunda infância.

Se a manifestação da perturbação tem uma variabilidade individual, podemos estabelecer algumas características essenciais para o diagnóstico: 1. Défice persistente na comunicação social e interação social (critério A), DSM 5; 2. Padrões restritos e repetitivos de comportamentos, interesses ou atividades (critério B), DSM 5; 3. Estes sintomas estão presentes desde a primeira infância e limitam ou comprometem o funcionamento do dia a dia (critério CeD), DSM 5.

Os défices verbais e não verbais apresentados pelas crianças na comunicação social podem ser de vária ordem e dependem de muitos fatores como: idade, nível intelectual, estimulação cognitiva. Podem variar desde uma ausência de fala, atraso na fala, a pobreza da linguagem, fala em eco, fala excessivamente literal. As crianças autistas apresentam dificuldades na reciprocidade sócio-emocional manifesta pela incapacidade ou inabilidade em partilhar sentimentos ou pensamentos.

A criança autista mostra pouca iniciativa na interação social e capacidade reduzida na partilha dos seus afetos, com limitada capacitada de mimetizar comportamentos. Também se verificam défices nos comportamentos não verbais utilizados para a interação social, como por exemplo: reduzido contacto ocular ou ausência do mesmo; pobreza de gestos; expressões faciais e corporais ou entoação da fala. Uma característica precoce da PEA é manifestada pela falha em seguir o apontar ou olhar de alguém.

Por exemplo, o bebé que não olha para a mãe enquanto é amamentado. Os padrões repetitivos incluem os comportamentos estereotipados como: bater com as mãos, agitar os dedos; o uso repetitivo de objetos: alinhar objetos, girar moedas; discurso repetitivo: ecolalia – uso imediato da palavra ouvida; rotinas excessivas e padrões restritos de comportamento, com desconforto e angústia a mudanças destes padrões. Podemos ainda observar crianças com sensibilidade extrema aos cheiros, sabores, texturas, com rituais, com restrições alimentares, característicos no PEA.

Essas características têm de causar défice no funcionamento social, ocupacional ou noutras áreas importantes do funcionamento atual do indivíduo (critério D, DSM 5). O diagnóstico das PEA normalmente é feito na primeira infância, habitualmente, antes do 3.º ano de vida e, mais frequentemente, durante o segundo ano de vida. Entretanto, podem ser diagnosticadas antes dos 12 meses se os sintomas forem muito evidentes ou após os 24 meses.

As características comportamentais revelam-se através de uma falta de interesse na interação social no primeiro ano de vida, como também uma deterioração ou estagnação no desenvolvimento o que pode ser um alerta útil. Eis alguns motivos de alerta a considerar: falta de interesse na interação social; interações sociais incomuns – puxar alguém pela mão sem objetivo; padrões de brincar incomunstransportar brinquedos e não brincar com eles; padrões de comunicação incomuns – não responder pelo nome (habitualmente, os pais pensam que os filhos sofrem de surdez); comportamentos estranhos e repetitivos – exemplo: uma criança que alinha carrinhos durante horas e se sente muito angustiada se algo é alterado.

É de referir, que a PEA não é uma perturbação degenerativa e a criança poderá adquirir competências ao longo da vida, no entanto, tendencialmente podem permanecer socialmente “ingénuos e vulneráveis, apresentar dificuldades na organização das exigências práticas sem ajuda e têm propensão para ansiedade e depressão”, DSM 5. Entendendo, que o Autismo como uma dificuldade da criança em comunicar, interagir socialmente e manifestar as suas emoções, podemos entender a perturbação na ótica do espírito, como um bloqueio na sua capacidade de regulação emocional e afetiva em termos reencarnatórios.

Sem generalizar, por exemplo, espíritos vingativos, perseguidores, presos à culpa e ao ódio do passado, fecham-se nas suas mágoas e na vingança, a vivências emocionais perturbadoras, negando-se ao amor e ao perdão. Ou outros, Inteligentes e maliciosos, egoístas e hedónicos, a viverem concentrados no seu prazer e na sua auto-realização e indiferentes ao outro e a tudo que o rodeia, com comportamentos autodestrutivos e heteroagressivos, traduzindo para o seu corpo perispiritual a marca das suas experiências, as emoções vividas ou não sentidas, mas experienciadas e registadas no perispírito.

As crianças autistas apresentam dificuldades na reciprocidade sócio- emocional manifesta pela incapacidade ou inabilidade em partilhar sentimentos ou pensamentos. Seguindo este pensamento, o Ser reencarnado, em processo de evolução, afasta-se de uma vivência emocional equilibrada e de uma regulação emocional positiva, tornando-se em certa medida, pelas suas próprias vivências um “autista emocional”, retornando, por sua vez, Autista, pelo distanciamento afetivo marcado em outras vivências.

Os seus próprios comportamentos pretéritos determinam as vulnerabilidades físicas predisponentes ao autismo, em termos orgânicos. Vale uma ressalva que engloba os autistas com grande desenvolvimento em determinados focos, que eventualmente seriam espíritos com elevado quociente de inteligência mas pouco desenvolvimento a nível emocional e de interação social, podendo apresentar aspetos de grande genialidade em determinadas áreas, mas pouca desenvoltura no aspeto emocional e social.

A família tem sempre uma grande aprendizagem a fazer com a criança Autista, no sentido da aquisição das competências sociais, relacionais, mas sobretudo no compromisso espiritual e desenvolvimento moral desses seres. A grande tarefa destes espíritos é reaprender a comunicar, a interagir socialmente, a dominar os impulsos da alma na interação social. A dar e receber de uma forma saudável e feliz, no sentido pleno do amor.

Texto: Gláucia Lima * Psiquiatra, Terapeuta com Formação em Terapia Familiar e Abordagem Sistémica, Psicodrama; Terapeuta Transpessoal. Uma senhora indaga: “Tenho um filho com diagnóstico de síndrome de Asperger. Pode esclarecer se é o mesmo que autismo?” NOVEMBRO.DEZEMBRO.2018 Açores: Jornadas Culturais Espíritas da Ilha Terceira O auditório do Teatro Angrense, na ilha Terceira, no arquipélago dos Açores, acolheu sábado, dia 20 de outubro, as Jornadas Culturais Espíritas da Ilha Terceira.

Organizado pela Associação Espírita Terceirense, o tema em pauta foi «A vida continua: vale a pena viver». O programa abriu de manhã com Leonor Leal, de Alcobaça, que dissertou sobre «Problemas da vida». Seguiu-se Ana Duarte, de Évora, que analisou o item «Casamento: que fazer?». Amélia Reis, de Caldas da Rainha, foi entrevistada sobre um problema premente: «Perdi um filho: um caso real». Pedro Silva, da associação anfitriã, explicou o assunto «Vícios: como superá-los?

». Por fim, José Lucas, de Caldas da Rainha, abordou o tema «Mundo quadrado». O evento contou com música lírica e poesia, pela voz de Luís Peças, João Paulo, João Gomes e Esteves Teiga. Nos intervalos, uma livraria esteve aberta aos interessados, incluindo sessões de autógrafos, dada a presença de alguns dos autores. União Espírita da Região Porto A União Espírita da Região Porto organizou no fim de semana de 20 e 21 de outubro as suas Jornadas de Cultura Espírita do Porto subordinadas ao tema «Reencarnaçãoa sua programação e os seus objetivos».

Gláucia Lima em Alcobaça Sábado, dia 8 de setembro, pelas 16h00, a Associação de Cultura Espírita de Alcobaça acolheu uma conferência de Gláucia Lima, médica psiquiatra, que dissertou sobre «O médium no consultório médico». A autora focou inúmeros conteúdos de grande interesse para o auditório, como por exemplo, circunstâncias próprias de quando o “médium” procura ajuda médica, bem como a compreensão da fenomenologia na óptica psiquiátrica e as diferenças entre psicopatologia (doença) e mediunidade propriamente dita.