Crónica (pág. 15)
Jornal de Espiritismo nº 91 · Novembro 2018Página 153 min
Para além disso, a alimentação desempenha um papel fundamental na prevenção de certas doenças (por exemplo: obesidade, doenças cardiovasculares, diabetes, certos tipos de cancro, etc.) e é parte fundamental da manutenção do nosso estado de saúde físico e mental. No entanto, nas últimas décadas, assistimos a um consumo crescente de produtos de origem animal (nomeadamente carne e gordura) e da ingestão energética, com consequente aumento da proporção das doenças crónicas (obesidade, diabetes, doença cardiovascular, entre outras.)
De facto, a obesidade é a epidemia global do século XXI, assim classificada pela Organização Mundial da Saúde. Depois do tabagismo, a obesidade é, nos dias de hoje, a segunda causa de morte passível de prevenção. E o que tem o espiritismo a dizer sobre este assunto? Na questão 716 de “O Livro dos Espíritos”, Allan Kardec escreve que “(…) o homem é insaciável. A Natureza traçou limites às suas necessidades na sua organização, mas os vícios alteraram a sua constituição e criaram para ele necessidades artificiais”.
“(…) o homem é insaciável. A Natureza traçou limites às suas necessidades na sua organização, mas os vícios alteraram a sua constituição e criaram para ele necessidades artificiais”. De facto, sabemos que não é fácil controlar os nossos impulsos num mundo cheio de tentações. Todos os dias, somos seriamente confrontados com a necessidade de realizar escolhas alimentares em situações como a visita ao nosso restaurante favorito ou a ida ao supermercado.
Nessas alturas nem sempre é fácil fazer escolhas alimentares conscientes baseadas nos princípios de uma alimentação saudável. Mas também sabemos que dispomos de livre-arbítrio e somos responsáveis pelo que fazemos. Percebemos isso no livro “Nosso lar”, quando André Luiz é chamado de suicida pelos excessos que cometeu na vida terrena: “… É de se lamentar que tenha vindo pelo suicídio… Todo aparelho gástrico foi destruído à custa de excessos de alimentação e bebidas alcoólicas, aparentemente sem importância.
Devorou-lhe as energias essenciais. Como vê, o suicídio é incontestável...”. A mesma ideia é reforçada novamente em “O Livro dos Espíritos”, na pergunta 964: “Deus tem Suas leis a regerem todas as vossas ações. Se as violais, vossa é a culpa. Indubitavelmente, quando um homem comete um excesso qualquer, Deus não profere contra ele um julgamento, dizendo - -lhe, por exemplo: Foste guloso, vou punir - -te. Ele traçou um limite; as enfermidades e, muitas vezes, a morte são consequências dos excessos.
Eis, aí, a punição; é o resultado da infração da lei. Assim é tudo”. E as consequências estão à vista de todos. À medida que aumenta o peso corporal, aumenta o risco de mortalidade e desenvolvimento de AVC, Diabetes tipo 2, patologia osteoarticular e alguns tipos de cancro (incluindo cancro da mama, dos ovários, do Somos o que comemos foto pixabay É uma necessidade básica e faz parte da nossa rotina diária: a alimentação.
É através da ingestão de alimentos que conseguimos assegurar a nossa sobrevivência e o fornecimento de energia e nutrientes necessários ao bom funcionamento do organismo. endométrio, da próstata, do fígado, do cólon e dos rins). Para além de fazermos mal a nós próprios, a gula pode ser vista como uma manifestação do egoísmo que cada um de nós carrega, uma vez que os alimentos que estão destinados a uma determinada população poderiam ser distribuídos por um número muito maior.
Posto isto, a obesidade deve ser encarada como uma doença que é preciso combater e que está nas nossas mãos debelar. Não é apenas uma questão de vaidade: é uma questão de saúde e, como vimos, uma questão moral. Por Joana Santos Recursos bibliográficos: 1 - KARDEC, Allan. O Livro dos Espíritos. 2- ANDRÉ LUIZ (Espírito). Nosso Lar. 3- Site “Alimentação Saudável” da Direção Geral da Saúde: http://www.alimentacaosaudavel.
