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Editorial / Conto

Jornal de Espiritismo nº 95 · Maio 2019Página 25 min

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EDITORIAL / CONTO Quando alguém sente uma sensação de profunda solidão vive temporariamente uma realidade subjetiva que não vai durar para sempre. Em “O Livro dos Espíritos”, de Allan Kardec, há páginas que ajudam a refletir sobre o cuidado e a intervenção discreta que os amigos espirituais empreendem no quotidiano a favor dos seus tutelados. Embora seja natural que a maior parte centre a sua atenção na figura afetiva de familiares, a verdade é que ninguém deixa de estar sob o cuidado oportuno de amigos espirituais que conhecemos, mas que a memória de vigília habitualmente não retém.

Múltiplas vezes intervêm sem que nos apercebamos, dão sugestões que ouvimos misturadas com os nossos próprios pensamentos... e aceitamos ou não, é normal. Podemos chamar aqui dois pontos de entendimento. Depois o resto vai-se compondo por acréscimo. Um desses passos consiste em ver que a vida espiritual possui uma hierarquia natural. Aqueles conceitos antropomórficos do bem absoluto e do mal terrível não existem se virmos o plano evolutivo de cada ser em milhões dos nossos anos.

A natureza humana tende lentamente para o eterno bem. Jesus de Nazaré veio explicar isso há 2 milénios e ainda temos dificuldade em perceber. a verdade é que ninguém deixa de estar sob o cuidado oportuno de amigos espirituais que conhecemos, mas que a memória de vigília habitualmente não retém. A ignorância nas várias inteligências que nos caracterizam, por força das experiências da vida em ambos os planos, material e espiritual, vai-se atenuando.

Evoca o labor do buril face ao carbono cru do ser espiritual que somos, quer acreditemos nisso ou não, que se vai transmutando em melhoramentos sucessivos até que se configurará, a seu tempo, no diamante que rivaliza em brilho com a beleza das constelações. Por isso, bem vistas as coisas, lá no fundo não há que temer o mal que nos possa ser feito, já que se nos colocarmos numa atitude interior de amor incondicional, ele fica fora da porta da nossa alma e não tem como perturbar.

Compreendendo que isto funciona bem deste modo, percebemos que só dependemos de nós próprios. Jesus deixou a ideia: ajuda-te eocéu te ajudará. Outro ponto importante a perceber é que todos temos o chamado desejo-central (1). Já chorou? Podemos variar nos pensamentos do dia-a - -dia, mas há uma ilha mental a que tendemos voltar mais vezes. É importante identificar, pois as relações de causa e efeito tecem-se com essas malhas.

As afinidades espirituais surgem com base nisso quase mecânicas, como um puzzle. É importante ver como reage o nosso mundo interior a pequenos factos do dia-a-dia, pois a forma como pensamos e como reagimos vai definir as companhias espirituais compatíveis. É sempre bom evitar pensar mal dos outros. Também temos falhas. As virtudes transversais a toda a humanidade começam no que sentimos e pensamos e vão definir respostas de mal-estar ou de bem-estar no nosso universo interior.

Sobre a sensação referida, há que configurar com fé que não faltará ajuda sempre que ela se fizer útil. Importa descobrir as reações automáticas que nos isolem dessa vertente. Por muito que nos amem os amigos espirituais, nunca conseguirão viver por nós. Assim, é bom pedir à fonte do eterno bem que tanto nos ama e abençoa que nos ajude a ser mais construtivos. Sobre a leitura destas páginas, que uma mão - -cheia de colaboradores se empenhou em levar da melhor maneira até si, resta desejar - -lhe uma boa leitura!

A Redação (1) Conceito exposto no livro psicografado pelo médium Francisco Cândido Xavier, de André Luiz, “Ação e Reação”. foto arquivo – Sim, meu filho, muito. Vou contar-lhe uma história em que muito chorei. Durante anos, visitámos uma amiga paralítica e muda, levando em cada visita um pacote de biscoitos, um pedaço de bolo ou um doce qualquer. Quando já havíamos completado seis anos de visitas, disse: – Valéria, hoje estou com a impressão de que pode falar.

Fale, Valéria. Diga pelo menos “Jesus”. Ela olhou-me demoradamente, olhos límpidos como um céu sem nuvens. Fez um esforço grande, mas não conseguiu falar. Após a prece, voltei a insistir: – Valéria, Jesus andou no mundo, curou tanta gente, tantos iam buscá-lo nas estradas, ou na casa onde permanecia e pediam-lhe a graça da melhora ou da cura e foram curados. Imagine-se a caminhar ao encontro de Jesus, embora não ande há tantos anos.

Imagine-se olhando-o e dizendo “Jesus”. Fale “Jesus”, Valéria. Ela fez novamente um grande esforço, olhou-me demoradamente. Por fim, conseguiu dizer: -“JESUSO”. Fiquei muito emocionado e as lágrimas vieram-me aos olhos. Pedi a alguém que chamasse a sua irmã. – Valéria, minha filha, fale para a sua irmã. Há muitos anos que não ouve o som de sua voz. foto pixabay Fale outra vez “Jesus”. Ela olhou-nos demoradamente. Fez novamente um esforço enorme e repetiu: “JESUSO”.

Fiquei muito emocionado e as lágrimas vieram-me aos olhos. Pedi a alguém que chamasse a sua irmã. Quando nos retirámos, estávamos todos contentes e achávamos que, com o tempo, Valéria iria conseguir pronunciar algumas palavras. Na semana seguinte, porém, ela desencarnou. Alguns anos mais tarde, começou a aparecer - -me uma entidade na forma de uma senhora muito bonita. Quando chegava, todo o meu quarto ficava iluminado.

Procedia então à transmissão do passe na região do tórax, mais propriamente sobre o coração. E assim procedeu por um mês, aproximadamente. Foi nessa época que tive o primeiro enfarte. Mais tarde, recuperado, graças à Misericórdia Divina, no período em que fiquei 20 dias mais ou menos imóvel, a entidade apareceu - -me novamente. Então disse-lhe: – Ah, minha irmã! Agora compreendo porque me dava passes no coração. Estava a fortalecer-me para resistir ao enfarte que viria, não é mesmo?

Acenou-me afirmativamente com a cabeça. – Olhe, quero que me dê o seu nome para orar por si. Estou muito grato pela carinhosa assistência. – Chico, somos tão amigos que não vou dar meu nome. Vou dizer uma palavra e vai lembrar-se de mim. – Será, minha irmã? – Tenho certeza, Chico. – Então diz. – “JESUSO” – Ah! Valéria, era você então... Como está bonita… não mereço a sua visita. – Sim, eu mesma. Vim lembrar os nossos sábados em que orávamos tanto.

Lembro-me com emoção da última palavra que pronunciei e vim trazer-lhe confiança em Jesus. O nome de Jesus tem muita força, Chico. – Então, ela colocou a mão sobre o meu peito e a dor desapareceu. Do livro «Chico, de Francisco» de Adelino da Silveira JULHO.AGOSTO.