opinião Sem papas na língua!
Jornal de Espiritismo nº 1 · Novembro 2003Página 55 min
Em fecho de edição, procurámos três notáveis da história do movimento espírita português: Julieta Marques, de Lagos, João Xavier de Almeida, do Porto, e Manuel dos Santos Rosa, de Lisboa.
- Como comenta a oportunidade de surgimento do «Jornal de Espiritismo»?
Manuel dos Santos RosaCom imensa satisfação. O movimento espírita português há muito que exigia o aparecimento de um periódico capaz de sair do círculo fechado em que se encontram os demais existentes.
Importa, todavia, que seja um jornal que nos traga a visão espírita dos factos sociais, culturais, científicos, económicos, religiosos, etc. Que seja isento, que informe com precisão, com objectividade, desubjectivando as referências ou análises aos acontecimentos no movimento. Enaltecer o que é recto, digno e se enquadra nos princípios essencialmente espíritas, com vista ao bem colectivo.
João Xavier de AlmeidaParece-me perfeitamente oportuno; acho que não lhe falta espaço na praça do jornalismo espírita português, que está longe do ponto de saturação.
Julieta MarquesE da maior importância o surgimento de um órgão de comunicação espírita isento de quanto possa dividir o movimento, mas antes aglutiná-lo para que se faça tanto quanto possível a união entre os espíritas.
Manuel dos Santos RosaComo costuma dizerse o futuro a Deus pertence. Entendemos, contudo, que o futuro de qualquer projecto como este dependerá de vários factores a que não serão alheios Os recursos financeiros.
Não obstante, é minha convicção de que, se primar pela qualidade, pela elevação na análise e se se mantiver fiel aos valores inestimáveis do Espiritismo na apreciação sociológica, cultural, filosófica, ético-moral do movimento espírita, destacando o papel eminentemente cultural e educativo da doutrina espírita, creio que será cada vez mais procurado e, nessa medida, será certo o seu triunfo.
João Xavier de AlmeidaOs bons antecedentes dos fundadores, em matéria de dedicação, conhecimento, criatividade e de conduta espírita, permitem antever um jornal cheio de pujança em qualidade doutrinária, gráfica e literária. Julieta MarquesNaturalmente que se o trabalho
for sério, se os temas forem tratados com isenção, sendo as notícias o mais fielmente possível traduzidas, ele irá impor-se pela sua importância e pela necessidade que há dentro do movimento espírita em Portugal de um órgão de comunicação que responda às necessidades do grande público. Porque deve haver a preocupação de atender ao público que não é espirita e que precisa de uma informação de acordo com os cânones do Espiritismo, que é uma nova forma de educação, logo de postura no mundo, e a sociedade precisa de directrizes de segurança face ao descalabro éticomoral que se verifica em todos os quadrantes da vida.
Espiritismo é seguramente a bússola e a âncora neste tempos tão periclitantes que estamos a viver.
Por tudo isto, auguro um futuro promissor para o "Jornal de Espiritismo".
- Quer deixar uma mensagem para os seus leitores?
Manuel dos Santos RosaNa hora difícil que a humanidade atravessa, importa sermos vigilantes perante as notícias que nos chegam, as informações que nos dão, as propostas que nos fazem, os conceitos que se expressem... O egoísmo e o orgulho campeiam no mundo, em todos os quadrantes. Os homens, na sua maioria,, sem excepção dos espíritas, raramente agem visando o bem do próximo: alardeiam os seus feitos, procuram os aplausos das assembleias, falam de moralidade, de honestidade, de amor, humildade e às vezes até se comovem com o que dizem, mas não se dão conta de que os seus actos atestam exactamente o contrário.
Precisamos estar vigilantes! A doutrina espírita não é propriedade de ninguém. Ela está, por dádiva divina, ao dispor de quem a quiser tomar, acima de tudo, como norma de vida. Não é possível confundir movimento espírita com a doutrina e aquele (movimento) só conseguirá a sua finalidade, contribuir para a espiritualização do mundo, destruindo o materialismo, o fanatismo e a visão utilitária da vida, quando aplicar a si mesmo o que procura transmitir, teoricamente, aos outros.
Nessa medida, caros leitores, reflictamos: vejamos se o que nos chega traz o cunho da coerência com
princípios doutrinários; se impulsiona o movimento no sentido da fraternidade; se objectiva a união real construída na tolerância, lealdade, honestidade. Todo o periódico, jornal ou revista, que se diga espírita, terá de provar que o é naquilo que publica. Importa ainda salientar que o lema fundamental do Espiritismo, conforme nos ensina o Espírito de Verdade, é: «Espíritas amai-vos! Espíritas instruívos!». Logo, ninguém pode "formar-se" em conhecimento espírita apenas pela leitura de jornais, mesmo que da especialidade.
Por isso, vamos estudar cada vez mais, instruamo-nos na vasta bibliografia espírita, em especial na codificação de Allan Kardec, pois sem ela não há Espiritismo. Assim, estaremos mais aptos a distinguir a verdade da mentira, ampliando o nosso sentido de responsabilidade moral que leva à descoberta de que não basta inteligir teorias é preciso consolidar valores. Sem esta visão, estaremos a gastar tempo e dinheiro sem proveito para ninguém.
João Xavier de AlmeidaFelicito de antemão os leitores. Permito-me exortá-los à participação activa, levantando questões úteis e pertinentes, sem esquecer jamais que o Espiritismo e sua prática são sobretudo reforma íntima, edificação, cooperação, amor.
Julieta MarquesTodas as horas são boas ou más consoante a orientação que lhes dermos. Como trabalhadora espírita de mais de 40 anos dentro das lides do movimento, muito tenho aprendido e testemunhado. O movimento espírita em Portugal estava necessitado de um órgão informativo que trouxesse ao grande público, espírita e não espírita, temas bem elaborados, isenção na informação, o reflexo de quantos tenham vontade e capacidade de se integrar no jornal e de colaborar com ele, portanto, os seus colaboradores, o material, ou o apoio indispensável para que o "Jornal de Espiritismo" possa ter longa vida e vida abundante entre todo o público, e possa merecer deste a atenção que com certeza irá merecer.
Unidos num esforço de generosidade e humildade será possível muito fazer pela divulgação do Espiritismo em Portugal, pois essa é a tarefa urgente que nos cabe realizar nestes tempos de mudança. Parabéns aos que se propõem realizar tão magna e útil tarefa.
:1 ;ãbalhadom no movimento espírita em Portugal desde
- Presidente da Associação Espírita de Lagos.
- Radialista há longos anos, hoje com programa na Rádio Racal de Silves.
- Colaboração da feitura dos Estatutos da Federação Espírita Portuguesa (FEP) após 25 de Abril.
- Participação dos Corpos Sociais da FEP
- Fundadora da União Espírita do Algarve e presidente durante vários mandatos
- Organizadora das Semanas da Mulher Espírita.
- Estudioso do Espiritismo desde jovem
- Aposentado do funcionalismo público
- Trabalhador de vários centros espíritas em Portugal
- Fez parte da Federação Espírita Portuguesa durante Vvários anos, alguns deles como presidente da Federação Espírita Portuguesa.
- Actualmente é presidente do Centro Espírita Amor e Caridade, em Lisboa.
- Aposentado dos serviços de Fazenda em Angola
- Espírita em Angola desde 1961
- Em 1971 e 1975 organizou as duas primeiras visitas de Divaldo Franco a Angola
- De 1979 a 1983 foi trabalhador da Comunhão Espiírita Cristã, em Rio Tinto
- Esteve no Conselho Directivo da Federação Espírita Portuguesa de 1984 a 1998, ocupando vários cargos, sendo presidente da FEP durante 3 mandatos
- Co-fundador do Grupo Espírita Batuíra, em Algés, e do Cenáculo Espírita Isabel de Aragão, em Queluz
- Actual trabalhador do Centro Espírita Caminheiros da Luz, no Porto.

