entrevista Divaldo Franco: o retorno em questão Nesta edição, o eminen
Jornal de Espiritismo nº 1 · Novembro 2003Página 52 min
Divaldo Franco: o retorno em questão
Nesta edição, o eminente orador brasileiro responde a perguntas sobre a vida intra-uterina, a recapitulação das formas embrionárias e outras, tudo centrado no tema mais amplo das vidas sucessivas.
Pessoa simples, profundamente culta, é figura de destaque a nível mundial, seja no meio espírita seja fora dele, fazendo este ano 53 anos de actividade mediúnica e de divulgação do espiritismo de uma forma entusiástica e gratuita.
A sua cultura, o seu saber bem como a sua mediunidade, são cartões-de-visita que lhe granjearam respeito e credibilidade. Cerca de 8.600 conferências efectuadas, 52 países visitados nos cinco continentes, e mais de 1100 entrevistas de rádio e TV em mais de 450 emissoras, fazem de Divaldo Franco uma pessoa muito respeitada.
Qual a situação do espírito na vida intrauterina?
Divaldo Franco — Conforme nos ensina a doutrina espírita, todos os fenómenos que dizem respeito à realidade do ser decorrem do estado evolutivo de cada qual. Desse modo, quando a concepção tem lugar, o espírito vincula-se ao óvulo que se transforma lentamente em ovo, através do perispírito, passando a ser absorvido pelas células em desenvolvimento.
Quando se trata de espírito lúcido, assim permanece até quase ao momento em que é expulso da câmara intrauterina. Quando, porém, se encontra em perturbação ou está vinculado às paixões recalcitra, luta para evitar o retorno, entorpecendo-se à medida que o corpo se vai formando, terminando por «hibernar», assim perdendo a lucidez.
E comum um médium vidente ver o espírito do bebé em gestação? DF — Que eu saiba, somente raros médiuns clarividentes podem ver o feto em gestação. Não obstante, é muito comum ver-se o espírito vinculado ao corpo da gestante pelos denominados «fios de prata», que são as vigorosas vibrações do perispírito. — Há quem diga que o espírito passa por formas de animais, como embrião. Se assim é, como e porquê? DF — A informação é destituída de fundamento doutrinário no Espíritismo, porquanto, em realidade, não é o espírito que se expressa em formas evocativas do processo antropológico, mas sim o corpo, obedecendo ao fatalismo biológico de que se faz herdeiro.
Das moléculas elementares, que formaram as primeiras cadeias de açúcares na intimidade das águas abissais dos oceanos, como efeito do fluxo e do refluxo das ondas golpeando as encostas vulcânicas, surgiram as primeiras aglutinações

