100 — índice de conteúdos

Editorial

Jornal de Espiritismo nº 100 · Maio 2020Página 24 min

Partilhar
Idioma

Abrir ou fechar a porta: eis a questão EDITORIAL Na semana de dez de março, quando o número de pessoas infetadas com o vírus Covid-19 ultrapassou a centena em Portugal, apareceram informações várias de associações espíritas que suspendiam a partir dessa semana por prazo indeterminado as suas atividades públicas, como, por exemplo, as palestras de entrada livre. Não se pensava que em breve seria decretado por várias vezes o estado de emergência que iria impor isso inapelavelmente, como se compreende.

Alguns amigos, com responsabilidades associativas em alguns desses centros espíritas, viram-se entre uma decisão difícil, já que não queriam errar. Com a Itália de quarentena, com fronteiras fechadas, a Índia a impedir já a entrada de estrangeiros nos seus aeroportos e os EUA a mandarem para trás os aviões originários do espaço Schengen (União Europeia), algumas associações espíritas suspenderam atividades, enquanto outros centros acharam que, enquanto o Governo não tomasse medidas mais restritivas, deveriam continuar a funcionar normalmente.

Os argumentos de quem optou por suspender temporariamente as atividades foram os de prevenção da saúde pública, na verdade uma responsabilidade também de todos os cidadãos. Sendo a frequência de uma associação espírita útil mas não vital para a população, prevenia-se assim em tempo adequado esta parcela de dispersão do contágio. Não é justo dizer que foi por medo, mas sim por prudência, a pensar na quota de responsabilidade que teriam em franquear contágio a quem provavelmente não teria conhecimentos ou até cuidado suficiente para se preservar.

Por outro lado, os que mantinham as portas abertas argumentavam: 1 - «Para quê tanto medo? Afinal não vamos todos desencarnar?». 2 - «A lei de causa e efeito é soberana». 3 - «O espírita, depois de avaliados os riscos, deve sentir suprema alegria em ser útil principalmente nos momentos em que todos fogem». 4 - «Andando nós toda a semana fora do centro – na rua, no trabalho, em casa, etc. – por que motivo seria no centro que viríamos a ser contaminados?

». A pergunta prévia que deve ser feita é se estamos a colocar o ónus em nós próprios ou nos outros. Se pensamos em termos de saúde pública, temos de nos pôr no lugar do próximo. A pergunta prévia que deve ser feita é se estamos a colocar o ónus em nós próprios ou nos outros. Se pensamos em termos de saúde pública, temos de nos pôr no lugar do próximo. Por isso, é claro que todos vamos desencarnar, mas não devemos jogar essa parcela de tempo no plano material como numa lotaria.

Não é irrisória a vantagem de estarmos neste plano em múltiplas aprendizagens. Não vale abreviar, muito menos por incúria. Depois, nem tudo se esgota na lei de causa e efeito, quanto mais não seja porque «o amor cobre a multidão de pecados» (1 Pedro. 4:8). Além disso, decisões pouco amadurecidas trazem efeitos compatíveis. A alegria de ser útil deve medir bem os efeitos próprios de uma conjuntura viral tão contagiosa como a que invadiu o planeta.

Precisamente por se andar toda a semana em muitos outros sítios, pode não fazer sentido somar mais um encontro social, sobretudo se for dispensável, uma vez que é de esperar isto: será que todas as pessoas que vão habitualmente às associações têm discernimento para decidir ir por indispensável necessidade ou por rotina? A questão é complexa mas fica claro, a nosso ver, que quem decidiu fechar e quem decidiu manter aberto antes da declaração do estado de emergência, tendo em conta a realidade local semana a semana, não esteve necessariamente certo ou errado, valendo mais que tudo juntar a informação e os cuidados recomendados pela Organização Mundial de Saúde sobre o problema comum que enfrentamos.

Outros «vírus» serão mais difíceis de combater, como o da iliteracia. Cada um terá de fazer a sua parte. Entretanto, ficam os nossos votos de boa leitura! Texto: Redação foto arquivo Os Espíritos benfeitores já não sabiam como atender à pobre senhora obsidiada. Perseguidor e perseguida estavam mentalmente associados à maneira de polpa e casca no fruto. Os amigos desencarnados tentaram afastar o obsessor, induzindo a jovem senhora a esquecê-lo, mas debalde.

Se tropeçava na rua, a moça pensava nele… Se alfinetava um dedo em serviço, atribuía-lhe o golpe… Se o marido estivesse irritado, dizia-se vítima do verdugo invisível… Se a cabeça doía, acusava-o… Se uma chávena se espatifasse, no trabalho doméstico, imaginava-se atacada por ele… Se aparecesse leve dificuldade económica, transformava a prece em crítica ao desencarnado infeliz… Reconhecendo que a interessada não encontrava libertação, por teimosia, os instrutores espirituais ligaram os dois – a doente e o acompanhante invisível – em laços fluídicos mais profundos, até que ele renasceu dela mesma, por filho necessitado de carinho e compaixão.

Os benfeitores descansaram. O obsessor descansou. A obsidiada descansou. O esposo dela descansou. Transformar obsessores em filhos, com a bênção da Providência Divina, para que haja paz nos corações e equilíbrio nos lares, muita vez é a única solução. Por Hilário Silva (Espírito) através do médium Francisco Cândido Xavier. Fonte: “Caminho espírita”, editora IDE. Solução natural foto pixabay Reconhecendo que a interessada não encontrava libertação, por teimosia, os instrutores espirituais ligaram os dois em laços fluídicos mais profundos, até que ele renasceu dela mesma, por filho necessitado de carinho e compaixão MAIO.