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Capa da edição nº 100 do Jornal de Espiritismo

100Jornal de Espiritismo nº 100

Maio 2020 · 20 secções · ≈ 75 min de leitura

A edição 100 do Jornal de Espiritismo aborda os desafios impostos pela pandemia de Covid-19, incluindo o dilema das associações espíritas em manter ou suspender atividades. Explora temas como a espiritualidade, a lei de causa e efeito, a questão do sexo no espírito e a obsessão, oferecendo perspectivas sobre como o espiritismo enfrenta as contingências da vida e a morte, além de discutir cerimónias fúnebres e cremação com base na doutrina espírita.

Espiritismo
Covid-19
Comportamento Social
Obsessão
Vida após a morte
Dilemas Éticos

Capa

Página 11 min

100 ANO XVII JDE JORNAL BIMESTRAL DA: ASSOCIAÇÃO DE DIVULGADORES DE ESPIRITISMO DE PORTUGAL RUA DO ESPÍRITO SANTO, 38, NOGUEIRA, 4710-144 BRAGA MAIO.JUNHO.2020 | DIRETOR . ULISSES LOPES | PREÇO € 1.00 O novo coronavírus deu a volta à Terra e revelou a tendência de devolver ao Plano Espiritual mais pessoas do sexo masculino do que do feminino, segundo os dados colhidos até à redação deste artigo. É possível comparar esses resultados com outros universos da tradicional balança de género?

PAG 10 5 CONSULTÓRIO VAMOS FICAR BEM! Surgem naturalmente os conflitos colaterais... O Espírito não tem sexo? 14 OPINIÃO ACEITAR A DIFERENÇA NO OUTRO Ana Duarte pergunta: Será que a aceitamos? 8 ENTREVISTA A CONSEQUÊNCIA MAIOR Isaías Sousa, um notável vulto do movimento espírita, conversa connosco. 17 LITERATURA EVOLUÇÃO DAS ESPÉCIES Novo livro relaciona Allan Kardec, Russel Wallace e Darwin. foto ulisses.com.pt MAIO.

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Editorial

Página 24 min

Abrir ou fechar a porta: eis a questão EDITORIAL Na semana de dez de março, quando o número de pessoas infetadas com o vírus Covid-19 ultrapassou a centena em Portugal, apareceram informações várias de associações espíritas que suspendiam a partir dessa semana por prazo indeterminado as suas atividades públicas, como, por exemplo, as palestras de entrada livre. Não se pensava que em breve seria decretado por várias vezes o estado de emergência que iria impor isso inapelavelmente, como se compreende.

Alguns amigos, com responsabilidades associativas em alguns desses centros espíritas, viram-se entre uma decisão difícil, já que não queriam errar. Com a Itália de quarentena, com fronteiras fechadas, a Índia a impedir já a entrada de estrangeiros nos seus aeroportos e os EUA a mandarem para trás os aviões originários do espaço Schengen (União Europeia), algumas associações espíritas suspenderam atividades, enquanto outros centros acharam que, enquanto o Governo não tomasse medidas mais restritivas, deveriam continuar a funcionar normalmente.

Os argumentos de quem optou por suspender temporariamente as atividades foram os de prevenção da saúde pública, na verdade uma responsabilidade também de todos os cidadãos. Sendo a frequência de uma associação espírita útil mas não vital para a população, prevenia-se assim em tempo adequado esta parcela de dispersão do contágio. Não é justo dizer que foi por medo, mas sim por prudência, a pensar na quota de responsabilidade que teriam em franquear contágio a quem provavelmente não teria conhecimentos ou até cuidado suficiente para se preservar.

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Correio

Página 35 min

Dos artigos pedidos às cerimónias J.M. diz em fevereiro por correio eletrónico: «Frequento habitualmente um centro espírita na zona de Loures, onde normalmente adquiro e leio com muito interesse o JDE - «Jornal de Espiritismo». No Jornal n.º 96, de Setembro-Outubro, na página de Cinema/Literatura, vinha publicado o artigo “Ramatís, o Espírito Pseudo-sábio”, escrito pelo Companheiro Carlos Alberto Ferreira. Gostaria muito de possuir o ensaio completo.

Seria possível enviarem-mo em formato pdf? O jornal n.º 97, de novembro - -dezembro, na página Consultório, publica também um outro artigo muito interessante, assinado pela médica Gláucia Lima, que muito gostaria de ter. Trata-se “Do Vazio Existencial à Vivência da Espiritualidade”. Se for possível da vossa parte enviarem-me os ficheiros com estes dois referidos artigos, desde já deixo aqui os meus sinceros agradecimentos».

A resposta foi simples: «Na sequência do seu pedido anexamos os artigos solicitados. Disponha. Seguem as nossas saudações fraternas. Mais informamos que encontra no seguinte link as edições do JDE – www ». EM FRANÇA A TRABALHAR Diz I.M.: «Pretendo saber o seguinte: não sou espírita, estou em França a trabalhar. Tenho uma filha adolescente. Depois vários exames os médicos não sabem o verdadeiro diagnóstico. Tudo estava normal até que duas semanas antes de novembro começou a ter vários problemas.

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Educar

Página 43 min

+ Quem é o meu filho? FEP foto arquivo Com a “avalanche” de crianças “diferentes” que estão a nascer atualmente, à questão ”quem é o meu filho?” está, na maioria das vezes, camuflada um pouco da nossa vaidade que cuida das aparências, alimentando o orgulho de casta que está enraizado no Ser desde o pretérito. A crença de que há sempre o melhor, o primeiro, o especial, vem da nossa pequenez que ainda dorme sobre a ilusão de que uns são filhos de Deus e, outros, menos filhos… Essa crença que já levou a humanidade a tantas atrocidades e que, se olharmos para trás, e para as nossas tendências atuais, percebemos o nosso envolvimento nesses enganos.

Muito embora, ainda, a situação de guerra em partes do mundo, aqui e ali corrupção, distúrbios de vária ordem, o ser humano tem lutado para reparar os erros e criar condições para dignificar a Vida em muitos sentidos. Que bom! Visível se torna a luta entre o bem e o mal, onde, queiramos ou não, vamos aferindo as nossas capacidades espirituais perante as escolhas que fazemos quando chamados a essa mesma luta. E a nossa tarefa é a de despir esse homem/ mulher velho, ruidoso, ignorante… para uma nova veste, mais límpida, mais transparente.

A nova geração vai chegando, são os nossos filhos. Não importa de onde vêm, pois necessitam de nós, de bons exemplos, de ânimo para conseguirem habitar o momento de transformação por que passamos. O mundo precisa das suas conquistas mas, eles, do mundo precisam. A reencarnação, sendo lei divina, possibilita-nos despertar para evoluir. Quanto mais despertos, maior a possibilidade do autoconhecimento e de sermos cooperadores nas boas obras.

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Consultório

Página 56 min

Vamos ficar bem Estávamos longe, muito longe de saber o que estava à nossa espera. Tantos planos de catástrofe simulados e ali estava uma verdadeira catástrofe não ensaiada. Para muitos com contornos de filme de terror, mas, para outros mais impressionáveis, um cenário esperado, previsto por muitos, como uma necessidade de limpeza terrestre, como parte da anunciada “transição planetária”. Sem sombra de dúvida, nenhum de nós estava à espera de tal apelo à capacidade de adaptação, de limitação da liberdade, de modificação da manifestação dos nossos afetos, de reaprendizagem da ocupação dos nossos tempos em família e da obrigatoriedade da convivência familiar, por um lado, e do afastamento social obrigatório de outras atividades que faziam parte do nosso dia a dia e da nossa higiene mental.

Há muito temos observado desencarnações coletivas de vária ordem, em várias partes do Globo terrestre, incluindo outras tantas pandemias, que assolaram populações inteiras e não escaparam decerto às leis de Deus e as necessidades evolutivas do nosso planeta. Não estamos a falar em apocalipse ou final dos tempos. Com toda a convicção, podemos afirmar que essa pandemia não foi a primeira, e também, por uma ordem natural, não seráaúltima.

Nesse cenário de pandemia, foi- nos retirada a primazia do TER, ensinando-nos que o essencial está no SER, porque tudo pode ser-nos retirado de repente. E, nesse contexto, elevaram-se conflitos de variada ordem, que aqui vamos chamar de efeitos colaterais do efeito COVID-19, objeto deste texto. Não deixa de assustar até os mais avisados, este movimento agora, em massa e globalizado, que não se compadece da etnia, género, raça, ideologia política ou orientação religiosa, que nos remete a todos para uma condição de vulnerabilidade.

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Breves

Página 64 min

O olhar do médico perante a dor e o sofrimento Nesse exercício, ele é regido pelo código deontológico com base nos princípios da beneficência, da não maleficência, da autonomia e da justiça. Para além do código deontológico têm ainda sido aprovadas diversas leis que reforçam os direitos dos doentes. Mas todos estes princípios, regras e leis não obrigam à compreensão do sentir do doente em relação à sua doença.

Porque a compreensão desse sentir está para além das leis, passa pelo amor e pela compaixão, que não se impõem, apenas se sentem. Dentro de uma medicina materialista, reducionista, exclusivamente baseada na evidência, o médico centra-se na doençaenão no doente distanciando-se, dessa forma, do sentimento. Afinal, medicina é ciência, por isso, não venham falar de amor! Esta é a visão da medicina à luz do paradigma materialista, mas este paradigma é apenas um esboço do que deve ser a medicina, porque o exercício da medicina na sua plenitude tem de ir além do corpo físico.

Nas últimas décadas, já foram dados alguns passos nesse sentido. Cecyli Saunders – mulher extraordinária, criou os Cuidados Paliativos e introduziu o conceito de dor total, afirmando que a dor, para além do seu componente físico, tinha uma dimensão psicológica, social e espiritual. Depois de tanto tempo em que a ciência estava instalada no mundo exclusivo do racionalismo, ali estava ela estabelecendo uma ponte segura com o mundo das emoções e dos sentimentos.

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Breves (pág. 7)

Página 73 min

Palestras on line em altura de pandemia Não puderam, assim, estabelecer o contacto presencial com as numerosas pessoas que ali afluem. Porém, o facto é que se foi percebendo pelas redes sociais da internet que algumas destas coletividades foram criando meios de produzir palestras diretas on line, normalmente através do Facebook. Aliás, repare-se que o estado de emergência bem acatado pela população reteve praticamente toda a gente em casa.

A própria Associação de Divulgadores de Espiritismo de Portugal (ADEP) teve essa iniciativa, aos sábados pelas 18h00. Ulisses Lopes, de Braga, dia 21 de março, falou sobre “Pandemias”. Na semana seguinte Carlos Miguel, da cidade do Porto, dissertou: “Vai ficar tudo bem”. Seguiu-se em 4 de abril “Tecnologia e espiritualidade”, por José Lucas, de Caldas da Rainha. Betina Ferreira, de Braga, explanou “Convivendo com o vírus” dia 11.

Dia 18 de foto arquivo Em tempo de pandemia com direito a estado de emergência, as palestras públicas semanais de entrada livre foram suspensas por todo o país. abril, altura em que se comemorava os 163 anos passados sobre a primeira edição de “O Livro dos Espíritos”, em Paris, França, e na proximidade do Dia da Mãe, o tema foi “Elas sãoomáximo”, entre outras. Estas apresentações ficaram disponíveis no canal de YouTube da ADEP e durante a transmissão estas apresentações tiveram muita interação com quem acompanhou o direto.

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Entrevista

Página 83 min

Isaías Sousa é, podemos dizer, património moral do movimento espírita português. A sua serenidade natural, bondade espontânea e solidariedade são conhecidas de uma autêntica multidão. Interessado pelos estudos espíritas desde a década de 1970, está visto: há uma série de perguntas inadiáveis. – Interessa-se nos seus tempos livres por espiritismo há muitos anos. Por que razão? Isaías Sousa – Vou tentar explicar esta pergunta, complementando-a com o seguinte: em 13 de maio de 1976, fui convidado para assistir a uma reunião espírita, numa casa particular, onde vim a saber que as pessoas que ali encontrei – e que eu conhecia muito bem –, se reuniam desde há uns dois ou três anos.

Estas reuniões semanais eram realizadas à quinta-feira, por volta das 21h00, numa casa cedida gentilmente por um dos frequentadores. Este grupo, aos domingos de manhã, por volta das 10h00, também se reunia para realizar o culto do Evangelho em localidades diferentes e, em regra, nos montes, pois nessa altura não eram permitidas associações espíritas, entre outras. Lembro - -me perfeitamente dos locais: monte da Senhora da Saúde nos Carvalhos, o Monte da Virgem, São Marco em Fajões, Santo Ovídio em Lobão, base militar em Silvalde, Espinho, entre outros.

– Como aconteceu? Isaías Sousa – Em criança e sem saber explicar tive contacto direto com alguns fenómenos mediúnicos, designadamente a vidência. Quando frequentava o Seminário nos Carvalhos, comecei a ter “ataques de sonambulismo”, como se costumava dizer na época, com uma certa frequência. Claro que, na altura nada entendia destes fenómenos, nem tinha ninguém que me explicasse, apesar de várias vezes ter questionado o meu confessor.

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Entrevista (pág. 9)

Página 97 min

espíritas, e ouvindo muito atentamente o que ali se dizia e principalmente quando a pessoa incumbida de comentar o Evangelho começou a falar, a minha admiração aumentou. Como era possível, uma pessoa que eu conhecia, cuja formação era a 4.ª classe, falasse de uma forma fluente e precisa, transmitindo factos do Evangelho com ideias tão claras? A partir daí, comecei a participar nestas reuniões, procurando estudar a doutrina espírita.

Lembra-se de como era o movimento espírita antes do 25 de abril de 1974? Isaías Sousa – Sobre o movimento espírita antes da Revolução de 25 de abril de 1974, as informações que tenho advêm de conversas de algumas pessoas amigas, algumas das quais vim a conhecer em reuniões e congressos. No âmbito daquelas informações, vim a saber que o movimento espírita em Portugal, continental era muito reduzido, para não dizer quase nulo.

E, digo isto, porque conheci a dificuldade e a cautela que determinados movimentos tinham de ter para realizar algumas reuniões de planeamento contra a ditadura. Lembro - -me de, após ter saído do Seminário, ter participado em algumas reuniões estudantis e sindicais, onde cada um dos frequentadores entrava à socapa para que não fosse descoberto e denunciado à PIDE (polícia política). Pelo que, tendo em conta as perseguições e denúncias que havia antes do 25 de abril, e o Governo ditatorial ter extinguido a Federação Espírita Portuguesa (FEP) com a consequente espoliação dos seus bens, se havia algum movimento, ele confinava-se a reuniões caseiras, muito embora, no Ultramar já começasse a despontar o movimento.

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Centrais

Página 104 min

O Espírito não tem sexo? fotos pixabay Os dicionários elucidam: género é uma palavra que se aplica a um certo conjunto de seres ou objetos que partilham entre si características idênticas. Daí que seja normal falar-se do género masculino e do género feminino, sendo de sublinhar que utilizamos da mesma maneira sexo masculino e sexo feminino. Dentro deste assunto, escuta-se no movimento espírita com frequência, justamente, que o Espírito não tem sexo.

No entanto, todos os que lidam com mediunidade estão habituados a verificar que as tipologias femininas e masculinas têm uma continuidade imperturbável no Plano Espiritual. No Além como aqui na densidade material do solo terrestre os perfis psicológicos de género mantêm-se iguais em cada um(a). Tanto é assim que nas reuniões de esclarecimento através da psicofonia – em que o médium entra em transe e toma a personalidade da entidade espiritual que se vem manifestar – de início quem está ali a ajudar não sabe se está a falar com alguém dentro do perfil masculino ou feminino.

E, se se enganar, não é raro a dada altura ouvir uma altercação mais ou menos enfática, ao tratar-se por exemplo de uma senhora desencarnada que, no diálogo esclarecedor, se pensa inconscientemente, de início com incerteza, ser um homem por estar a manifestar-se num médium masculino: «Estou assim tão mal que te pareço um homem?» ou vice-versa. Dizem isso porque habitualmente não sabem que não os estamos a ver, mas apenas a escutar através do médium.

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Centrais (pág. 11)

Página 113 min

Na linguagem de quem passa na rua, ao dizer que alguém morreu, normalmente crê-se que tudo acabou para essa pessoa: é o vazio. em número os femininos. Em suma, há menor mortalidade de cidadãs vitimadas pelo novo coronavírus, assim como há maior quantidade de inscrições de pessoas do género feminino no curso antes referido e, por fim, são trazidos menos Espíritos desencarnados de perfil feminino pelos amigos espirituais que gerem o fluxo de auxílio em reunião mediúnica de esclarecimento.

É assim decerto porque tendem a ser mais homens desencarnados a necessitar de ajuda do que Espíritos de perfil feminino. O que se poderá pensar a partir destes factos? O sexo dos Espíritos Em «O Livro dos Espíritos», de Allan Kardec, na questão 200, coloca esta indagação: Os Espíritos têm sexo? E a resposta vem assim: «Não como o entendeis, porque os sexos dependem da constituição orgânica. Há entre eles amor e simpatia, mas baseados na afinidade de sentimentos».

Logo a seguir explicam os instrutores espirituais que «são os mesmos Espíritos que animam os homens e as mulheres». Ocorre então o comentário de Kardec: «Os Espíritos encarnam- se homens ou mulheres, porque não têm sexo. Como devem progredir em tudo, cada sexo, como cada posição social, oferece-lhes provas e deveres especiais e novas ocasiões de adquirir experiências. Aquele que fosse sempre homem, só saberia o que sabem os homens».

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Opinião

Página 127 min

Trata-se de um desenvolvimento da antropologia espírita que observa os principais marcos históricos da evolução do Espírito. Reconhecemos que não se trata de uma leitura acessível, sobretudo para quem iniciou recentemente o estudo desta doutrina filosófica. Mas sem dúvida que estamos perante uma obra de elevado valor epistemológico (ramo da filosofia que estuda as questões relacionadas com o conhecimento humano) que deve ser analisada com a racionalidade necessária, no contexto antropológico, histórico e filosófico, reforçando os argumentos científicos do Espiritismo, entendido na sua vertente científica experimental.

Este livro fala-nos da história do Espírito e a sua leitura remeteu-nos para uma pergunta que julgamos bem enquadrada com a sua mensagem: Por que razão a doutrina espírita inicia o seu desenvolvimento apenas na segunda metade do século XIX? Dependendo da maturidade de cada leitor, em relação ao seu conhecimento doutrinário, várias respostas podem perfilar-se: Um acaso, uma etapa da História da Humanidade, um período de maturidade antropológica e religiosa, uma fase da evolução da Ciência, uma exigência psicossocial, o despertar dos sentidos coletivos, uma invenção do Ser Humano, uma emergência religiosa, a descoberta do psiquismo, uma criação do tempo ou uma imposição de Deus?

José Herculano Pires desenvolve nesta sua obra, uma resposta que permite ao leitor visualizar os principais marcos da trajetória do Espírito no contexto cronológico, para fornecer a compreensão da ordem temporal que preparou o caminho das dimensões científica, filosófica e religiosa do Espiritismo. Apesar do caminho percorrido, que notoriamente traduz um contexto global evolutivo, ainda são diagnosticadas hesitações, incompreensões e preconceitos sobre a natureza desta ciência experimental.

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Opinião (pág. 13)

Página 135 min

O entendimento do Espiritismo é muito diferente. Ao longo dos séculos já vivemos e ultrapassamos calamidades de dimensões épicas: guerras mundiais, desastres humanitários, tragédias naturais violentíssimas, miséria e escassez de recursos. Já passamos até por diversas epidemias de consequências trágicas para a humanidade: no século XIV a Peste Negra dizimou cerca de um terço da população mundial; a Gripe Espanhola terá sido responsável pela desencarnação de 50 milhões de pessoas; o vírus da SIDA provocou mais de 30 milhões de vítimas no final do século XX.

À parte destas pandemias globais, não esqueçamos as zonas geográficas que convivem com a ameaça pandémica, miséria, guerra e escassez de recursos de uma forma persistente. Estas calamidades acontecem porque moramos num mundo dinâmico e instável, em que essas “anomalias” fazem parte das contingências de habitá-lo. Alguns cientistas acreditam que os vírus apareceram no momento em que eclodiu a vida, quando as células começaram a replicar-se há cerca de 3,5 mil milhões de anos.

Ou seja, muito antes da espécie humana surgir, os vírus já faziam das suas, provocando pequenas e grandes pandemias através dos reinos da Natureza. E se, no passado, a propagação dos vírus pelas populações humanas estava restringida pelas limitações técnicas dos meios de transporte, o advento da globalizaçãoea rapidez com que nos movimentamos, colocou desafios maiores à capacidade de contermos essas ameaças. Para além disso, ao longo dos últimos séculos, fomos destruindo e ocupando o mundo natural, facilitando a que os vírus passassem as barreiras das espécies.

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Opinião (pág. 14)

Página 144 min

De acordo com o que nos diz “O Livro dos Espíritos”, Deus criou todos, simples e ignorantes (questão 115). A cada nova existência na Terra Deus dá-nos o mesmo ponto de partida, seja através de uma gravidez dita “normal”, in vitro ou qualquer outro processo oriundo da evolução da ciência. Contudo, ainda que a forma de retornarmos à Terra seja a mesma, assim que o fazemos começam a surgir as primeiras diferenças.

Primeiro as diferenças físicas, cor, tamanho, peso, maior ou menor “perfeição”… mais tarde começam a tornar-se evidentes as diferenças de carácter, diferentes formas de sentir, pensar, agir e reagir. Percebemos pormenores tão simples como, diante de uma situação de stress, uns riem outros choram, uns deixam de comer, outros parecem prontos a comer os problemas. Isto porque, embora voltemos ao corpo físico da mesma forma, somos o somatório de todas as experiências do passado, trazendo qualidades e imperfeições para trabalhar na presente existência.

Tendo consciência das diferenças inevitáveis e sábias que Deus proporciona a cada um de nós, tornando a sociedade dotada de iniAceitar a diferença no outro gualável beleza e antes de pensar se, aceito o outro, ou até que ponto o faço, uma primeira e pertinente questão se coloca como ponto de partida para esta reflexão, que parece, à primeira vista, banal (e poderá ser) sem trazer nada de novo (avaliaremos no final…): Será que eu me aceito?

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Opinião (pág. 15)

Página 153 min

Um simples vírus, com mais poder do que todas as bombas nucleares, russas, chinesas, americanas, com mais poder que o dinheiro que se possa ter no banco, ouro, acções na Bolsa de Valores, dinheiro escondido em paraísos fiscais; um simples vírus que faz tremer de medo todo o planeta, milhares de aviões parados, os países a viverem em modo de sobrevivência; um vírus democrático que atinge pessoas importantes, tal como a classe média, pobres, indigentes, brancos, pretos, mulatos, cultos, incultos, bonitos, feios, homens, mulheres… Relembrando um ensinamento de Jesus de Nazaré (o grande psicoterapeuta da Humanidade), pelo fruto se vê a qualidade da árvore.

A árvore, neste caso, é o COVID-19, mas quais são os frutos desta árvore? Elenquemos apenas alguns mais visíveis: - a vida considerada insuportável, inadiável… parou; - a vida mecânica, sob a batuta do relógio… parou; - a falta de tempo para tudo e para todos… desapareceu; - o esgotamento físico e mental para ter coisas … parou; - o que era urgente, deixou de o ser; - o que era essencial passou a acessório; - a certeza do nosso ego passou a incerteza, insegurança, fragilidade; - a atitude prepotente, o esclavagismo, o poder, de acordo com a conta bancária, desvaneceu-se perante a iminência da… morte do corpo físico.

Cientistas de todo o mundo juntam-se, partilham dados, na busca de um medicamento, de uma vacina. Com mais ou menos interesses, os países entreajudam-se, partilham conhecimentos, materiais, numa busca pela sobrevivência. O Secretário-Geral da ONU implorou que, em todo o mundo, se fizesse uma trégua nas guerras, para nos dedicarmos unicamente ao combate a este vírus. O Homem começou a ter uma noção de que a sua vida é efémera, que um dia vai morrer, que pode ser já amanhã, reflectindo: o que ando aqui a fazer?

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Opinião (pág. 16)

Página 162 min

No capítulo VI – “O Cristo Consolador” – de “O Evangelho Segundo o Espiritismo”, ensina-nos o Espírito da Verdade que nós – princípios inteligentes individualizados – fomos criados simples e ignorantes para nos aperfeiçoarmos, estando este labor a cargo de cada um, a fim de que sejamos artífices de nossa imortalidade. Durante este processo de aprendizado moral e intelectual, cometemos erros, perturbamos, e assim precisamos providenciar reparações.

Este processo de restabelecimento da ordem divina chama-se expiação e é, ao lado do aprendizado, o fulcro da nossa existência na Terra. É-nos dada a oportunidade da reencarnação para que passemos por provas que enriquecerão o nosso conhecimento moral e intelectual e para que expiemos, consertando, os erros cometidos. É exatamente sobre estes pontos – aprendizado e sofrimento – que sugiro reflitamos em conjunto. O verbo sofrer deriva do latim “sufferre”, termo que designava aqueles que estavam “sob ferros”, acorrentados, submetidos à força.

O sofrimento por si só, pela sua simples ocorrência, de nada nos adianta. Tanto é assim que “O Evangelho Segundo o Espiritismo”, no mesmo capítulo VI, indaga: “Como há de alguém sentir-se ditoso por sofrer, se não sabe por que sofre?”. Comprovação disso temos a todo instante no decurso da nossa vida. Quantas vezes passamos por dores que se desvanecem tão logo nos chega o esclarecimento sobre as suas origens? A desencarnação de parentes ou amigos não nos parecia muito mais dolorosa antes da ventura de sabermos que eles, em verdade, não desapareceram, apenas fizeram a sua passagem para voltar ao lar espiritual?

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ARTE Reflexões sobre a evolução das espécies à luz do espiritismo Este

Página 173 min

ano, publicado pela FEP, saiu do prelo um livro com um tema pouco abordado: a evolução das espécies à luz do espiritismo. Da autoria de J. Gomes, a obra desdobra-se em duas partes. Numa o autor explica a tessitura da evolução com apontamentos que focam as várias fases da história do nosso planeta, sobretudo no que toca à evolução e ao surgimento de novas espécies.

Não deixa, contudo, de referir várias das extinções massivas ocorridas ao longo de centenas de milhões de anos e o ressurgimento fulgurante da vida depois delas. Cria espaço, desta maneira, para que os leitores se contextualizem e observem um cenário muito mais longo do que a média de vida humana na Terra, projetando a mente num longo percurso de milhões de anos. Na sua segunda parte o livro inclui algumas personalidades precursoras na história que afloraram a teoria da evolução das espécies, consolidada anos depois por Alfred Russel Wallace – também investigador da mediunidade e autor de livros a seu respeito – e por “O milagre na cela 7” é um daqueles filmes em que para assisti-lo deveria ser conveniente estar munido de lenços de papel.

Sim, o plural é necessário: lenços de papel. Se calhar, por segurança, será preferível trazer o pacote todo para o sofá. É um filme de produção turca baseado numa obra original coreana de 2013, “A Guerra das Flechas”, fazendo uma abordagem um pouco mais dramática ao enredo. Todo o filme é baseado na comoção, procurando usar as vulnerabilidades das personagens e da trama para emocionar o espectador. Memo é um pai que sofre de distúrbios mentais e que vive de forma singela e dedicada para a sua encantadora filha Ova.

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direitos reservados – Como conheceu

Página 184 min

foto direitos reservados – Como conheceu o Espiritismo? Maria Arlete – Desde muito pequena, sempre me interessei pelo desconhecido. Um dia, uma tia, que vivia no Brasil e frequentava o Racionalismo Cristão, abordou o assunto. Mais tarde foram-me dadas provas que procurei compreender. – Frequenta algum centro espírita? Maria Arlete – Sim. Frequento a Associação Espírita de Lisboa. – Qual a sua opinião acerca do «Jornal Espiritismo»?

Maria Arlete – Tenho conhecimento do jornal, não sendo, no entanto, leitora assídua. – Do que conhece do Espiritismo, mudou alguma coisa na sua vida? Maria Arlete – Depois de ter o conhecimento da doutrina espírita, tento fazer a minha reforma íntima através do autoconhecimento e da fé. Estou grata por todo o estudo efetuado e conhecimento adquirido no centro espírita e não só, mas também ao meu guia espiritual e aos bons Espíritos que me dão força e entendimento.

Sem tudo isso, não seria o que sou hoje. Maria Arlete Carvalho é natural de Moçambique, tem 66 anos, é reformada bancária e vive em Almada. IMPRESSÃO DIGITAL Sendo a felicidade terrena relativa à posição de cada um, existe, entretanto, uma medida comum para todos os homens: para a vida material, a posse do necessário; para a vida moral, a consciência pura eafé no futuro? Em algumas mortes violentas (por acidente, por exemplo) o Espírito é surpreendido, fica perturbado, não aceitando que esteja morto pois, apesar de ver o seu corpo, não compreende que esteja separado, durando essa ilusão até ao completo desprendimento da matéria, sendo aqui, de grande importância as preces de ânimo pelo que partiu?

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Sustentável

Página 192 min

No início de abril mais de metade da população mundial estava em quarentena, diminuindo de forma significativa o caos do trânsito nas grandes cidades, o volume do tráfego aéreo e o funcionamento de parte da indústria nas zonas mais poluidoras do mundo: China, Europa e EUA. Enquanto os países se fechavam em casa e o bulício citadino quase desaparecia, os satélites de observação detetavam uma diminuição significativa da acumulação de ar poluente que é expelido para atmosfera através dos transportes e das centrais a carvão.

Como por magia, o ar voltava a ser saudável. Não é um pormenor: a poluição atmosférica deteriora a saúde pública, sendo responsável, segundo a Organização Mundial da Saúde, por mais de 4 milhões de mortes anualmente. Quem estiver atento e viver numa cidade, não precisaria que um satélite o informe dessa circunstância. Bastaria sair à rua e inspirar com força. O ar estava mais leve e cheirava diferente. Esta melhoria na qualidade do ar nos países em que a poluição atmosférica é mais agressiva é um alívio para as populações desgastadas pelos efeitos devastadores que ela provoca.

Marshall Burke, professor na Universidade de Stanford, acredita que a redução da poluição derivada das medidas para minimizar a pandemia de COVID-19 poderá salvar a vida de 4.000 crianças e 73.000 adultos apenas na China no período de dois meses. No entanto, à medida que as restrições à mobilidade vão sendo levantadas, voltaremos rapidamente ao mesmo ponto em que nos encontrávamos antes da quarentena, inundando o ar com partículas Um alívio momentâneo altamente prejudiciais para a nossa saúde e provocando mortes por poluição.

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Última Cartoon Publicidade Última

Página 202 min

Congresso Espírita Internacional «Face à situação de pandemia que o mundo atravessa e a incerteza relativamente ao momento em que será possível retomar o regular funcionamento de todas as atividades humanas, a Federação Espírita Portuguesa decidiu adiar o Congresso Espírita Internacional, que teria lugar no auditório da Faculdade de Medicina Dentária – Lisboa, Portugal, nos dias 3 e 4 de outubro de 2020», lia-se no início de abril.

A nota informativa da FEP esclarece que «o evento foi remarcado para nova data, passando a decorrer nos dias 2 e 3 de outubro de 2021», no auditório da Faculdade de Medicina Dentária, em Lisboa: «A Federação Espírita Portuguesa apresenta, desde já, o seu pedido de desculpa a todos os participantes, pelos eventuais constrangimentos que esta alteração possa vir a causar, mantendo-se à disposição para qualquer informação e esclarecimento adicionais.

O tempo é de mudanças, mas o futuro reserva-nos o momento do reencontro e das aprendizagens partilhadas. Agradecemos a sua compreensão e aguardamos por si em Lisboa, em outubro 2021!». Contactos da Federação Espírita Portuguesa: tel.:+351 214 975 754 \ +351 214 975 777 - congressoespirita2020@gmail.com Caldas da Rainha: Jornadas de Cultura Espírita As próximas Jornadas de Cultura Espírita, certame que costuma ter lugar anualmente no Centro de Congressos da cidade de Caldas da Rainha, decorrem apenas em 2021, nos dias 1 e 2 de maio, informa o Centro de Cultura Espírita, associação sem fins lucrativos dessa urbe que as organiza.

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