100 — índice de conteúdos

Breves (pág. 7)

Jornal de Espiritismo nº 100 · Maio 2020Página 73 min

Partilhar
Idioma

Palestras on line em altura de pandemia Não puderam, assim, estabelecer o contacto presencial com as numerosas pessoas que ali afluem. Porém, o facto é que se foi percebendo pelas redes sociais da internet que algumas destas coletividades foram criando meios de produzir palestras diretas on line, normalmente através do Facebook. Aliás, repare-se que o estado de emergência bem acatado pela população reteve praticamente toda a gente em casa.

A própria Associação de Divulgadores de Espiritismo de Portugal (ADEP) teve essa iniciativa, aos sábados pelas 18h00. Ulisses Lopes, de Braga, dia 21 de março, falou sobre “Pandemias”. Na semana seguinte Carlos Miguel, da cidade do Porto, dissertou: “Vai ficar tudo bem”. Seguiu-se em 4 de abril “Tecnologia e espiritualidade”, por José Lucas, de Caldas da Rainha. Betina Ferreira, de Braga, explanou “Convivendo com o vírus” dia 11.

Dia 18 de foto arquivo Em tempo de pandemia com direito a estado de emergência, as palestras públicas semanais de entrada livre foram suspensas por todo o país. abril, altura em que se comemorava os 163 anos passados sobre a primeira edição de “O Livro dos Espíritos”, em Paris, França, e na proximidade do Dia da Mãe, o tema foi “Elas sãoomáximo”, entre outras. Estas apresentações ficaram disponíveis no canal de YouTube da ADEP e durante a transmissão estas apresentações tiveram muita interação com quem acompanhou o direto.

Vários centros espíritas foram fazendo as suas transmissões. Aconteceu isso com a Fraternidade Espírita Cristã, de Lisboa, ou a Associação Cultural Espírita de Santarémeo Centro de Cultura Espírita, de Caldas da Rainha. Terão tido lugar outras emissões, mas o facto é que não conseguimos aperceber-nos de todas as que foram feitas nessa altura. Honra a Abril: pelo direito de associação Apesar da restrição de funcionamento dos centros espíritas em altura de coronavírus, o facto é que, se hoje é possível o direito de associação no movimento espírita, isso deve-se à Revolução de 25 de Abril de 1974.

Antes dessa data, quem queria estudar a doutrina tinha de se reunir pela calada, com receio da repressão, nas casas de uns e de outros ou em encontros tipo piquenique nas serranias. Em plena ditadura salazarista e instalados serviços da censura em tudo o que era comunicação social, o que existia de movimento espírita em Portugal tinha sido suprimido praticamente desde a década de 1950, altura em que centros como a Sociedade Portuense de Investigações Psíquicas viram a sua sede social na Rua Álvares Cabral, no Porto – a fachada que tinha então é a mesma que ainda tem hoje, onde funciona uma gráfica – confiscada e entregue a outrem pelo regime fascista.

O mesmo aconteceu em Lisboa. É curioso notar que, depois da noite da repressão, logo se reorganizaram publicações e centros espíritas. Isso deve-se quer à programação que os novos adeptos espiritistas trouxeram consigo quer à existência de organizações espirituais na proximidade das cidades, onde serviços de apoio são prestados, servindo estas associações de postos avançados dessas estruturas de amor ao próximo sediadas no Plano Espiritual.

O que foi esquecido, na época sombria anterior ao 15 de Abril, e lhe sobreviveu materialmente permite-nos hoje ter uma ideia, ainda que pálida, do que seria, por exemplo, uma palestra muito concorrida em dia de visita especial, do Dr. Joaquim Freire, médico, na referida associação, segundo o texto e as fotografias publicadas na revista “Além” de novembro-dezembro de 1947.* Nessa altura, fica-se com a impressão a partir deste fragmento de informação e de outras fontes, que a qualidade doutrinária era rala, já que na altura parecia ter-se substituído as luzes de Allan Kardec pelo novidadismo de outros espiritualismos gerando conteúdos exotéricos.

Chega-se a pensar que, mediante os apoios existentes na primeira metade do século XX, por parte de beneméritos como Firmino de Assunção Teixeira (Murça, 1879 - Póvoa de Varzim, 22 de julho de 1932), o movimento espírita não beneficia realmente de significativa capacidade financeira ou património, mas sim de trabalho pós-profissional esclarecido, com qualidade no conteúdo e na forma, a fim de prestar o serviço de bom senso e fraternidade que seja útil à humanidade.

* https://pt.scribd.com/document/290880270/Revista-Alem-Nov- Dezembro-de-1947 MAIO.JUNHO.