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Entrevista

Jornal de Espiritismo nº 100 · Maio 2020Página 83 min

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Isaías Sousa é, podemos dizer, património moral do movimento espírita português. A sua serenidade natural, bondade espontânea e solidariedade são conhecidas de uma autêntica multidão. Interessado pelos estudos espíritas desde a década de 1970, está visto: há uma série de perguntas inadiáveis. – Interessa-se nos seus tempos livres por espiritismo há muitos anos. Por que razão? Isaías Sousa – Vou tentar explicar esta pergunta, complementando-a com o seguinte: em 13 de maio de 1976, fui convidado para assistir a uma reunião espírita, numa casa particular, onde vim a saber que as pessoas que ali encontrei – e que eu conhecia muito bem –, se reuniam desde há uns dois ou três anos.

Estas reuniões semanais eram realizadas à quinta-feira, por volta das 21h00, numa casa cedida gentilmente por um dos frequentadores. Este grupo, aos domingos de manhã, por volta das 10h00, também se reunia para realizar o culto do Evangelho em localidades diferentes e, em regra, nos montes, pois nessa altura não eram permitidas associações espíritas, entre outras. Lembro - -me perfeitamente dos locais: monte da Senhora da Saúde nos Carvalhos, o Monte da Virgem, São Marco em Fajões, Santo Ovídio em Lobão, base militar em Silvalde, Espinho, entre outros.

– Como aconteceu? Isaías Sousa – Em criança e sem saber explicar tive contacto direto com alguns fenómenos mediúnicos, designadamente a vidência. Quando frequentava o Seminário nos Carvalhos, comecei a ter “ataques de sonambulismo”, como se costumava dizer na época, com uma certa frequência. Claro que, na altura nada entendia destes fenómenos, nem tinha ninguém que me explicasse, apesar de várias vezes ter questionado o meu confessor.

Depois de sair do Seminário, e após o 25 de abril de 1974, comecei a sentir algo diferente na minha vida. Um dia, conheci uma senhora que era dotada de faculdades mediúnicas, nomeadamente a vidência e psicofonia, mais conhecida por incorporação. Não falou comigo, mas mandou recado por uma prima minha, que eu tinha que fazer algumas penitências, porque andava carregado e uma pessoa muito querida me acompanhava de longa data.

Tudo isto aconteceu agosto ou setembro de 1974. Apesar de ter seguido as recomendações da senhora, a verdade é que, nada melhorou na minha vida. Até que um dia a minha mãe me falou de um senhor, que por sinal era e é meu amigo, e me sugeriu que fosse ter com ele, pois que, falava-se ao tempo, que tinha poderes e que ajudava muita gente. Desconfiado, e porque conhecia muito bem a pessoa, sem que ela me tivesse em algum momento falado sobre esta matéria, decidi ir ter com essa pessoa.

foto arquivo Quando lá cheguei, ele começou a falar sobre a doutrina espírita, mas eu, com o olhos muito arregalados, não entendi nada. Até que ele me sugeriu adquirir os livros de Allan Kardec, que os lesse, porquanto iria entender muita coisa da vida. Adquiri todas as obras da codificação e, ainda hoje, apesar de ter outras edições, conservo esses primeiros livros. No final, fui convidado para essa primeira reunião e que ocorreu em 13 de maio de 1976.

No entanto, permitam-me referir um episódio ocorrido. Antes de terminar a nossa conversa, este meu amigo disse que iria aplicar-me um passe magnético, o que veio a acontecer, mas já no final do passe, o meu amigo deu uma “arroto” tão forte que pensei intimamente, “Olha, aqui está outro igual à senhora que conheci”, porquanto a senhora que referi atrás, quando a conheci, teve este mesmo comportamento. Nesse dia 13 de maio, quando entrei na sala em que se realizavam as reuniões Renovação moral: a maior consequência do espiritismo Da cidade de Santa Maria da Feira, licenciado em economia, Isaías Sousa é empresário.

Colabora com uma associação espírita em S. João de Ver, perto de Santa Maria da Feira, foi dirigente da Federação Espírita Portuguesa durante largos anos e é membro da ADEP desde o seu início. MAIO.JUNHO.