Opinião (pág. 16)
Jornal de Espiritismo nº 100 · Maio 2020Página 162 min
No capítulo VI – “O Cristo Consolador” – de “O Evangelho Segundo o Espiritismo”, ensina-nos o Espírito da Verdade que nós – princípios inteligentes individualizados – fomos criados simples e ignorantes para nos aperfeiçoarmos, estando este labor a cargo de cada um, a fim de que sejamos artífices de nossa imortalidade. Durante este processo de aprendizado moral e intelectual, cometemos erros, perturbamos, e assim precisamos providenciar reparações.
Este processo de restabelecimento da ordem divina chama-se expiação e é, ao lado do aprendizado, o fulcro da nossa existência na Terra. É-nos dada a oportunidade da reencarnação para que passemos por provas que enriquecerão o nosso conhecimento moral e intelectual e para que expiemos, consertando, os erros cometidos. É exatamente sobre estes pontos – aprendizado e sofrimento – que sugiro reflitamos em conjunto. O verbo sofrer deriva do latim “sufferre”, termo que designava aqueles que estavam “sob ferros”, acorrentados, submetidos à força.
O sofrimento por si só, pela sua simples ocorrência, de nada nos adianta. Tanto é assim que “O Evangelho Segundo o Espiritismo”, no mesmo capítulo VI, indaga: “Como há de alguém sentir-se ditoso por sofrer, se não sabe por que sofre?”. Comprovação disso temos a todo instante no decurso da nossa vida. Quantas vezes passamos por dores que se desvanecem tão logo nos chega o esclarecimento sobre as suas origens? A desencarnação de parentes ou amigos não nos parecia muito mais dolorosa antes da ventura de sabermos que eles, em verdade, não desapareceram, apenas fizeram a sua passagem para voltar ao lar espiritual?
Ocorre, porém, que a humanidade se apoderou da palavra do Cristo e muitos de nós a utilizaram para propósitos próprios, nem sempre nobres e muitas vezes pouco libertadores. Com isso vingou a ideia de que Sofrimento e aprendizado sofrimento e expiação estariam intimamente ligados, quase inseparáveis. Expiar, para alguns, não significa restabelecer, significa pagar. E pior: uma paga aliada ao sofrimento. Para frisar, repetimos: o sofrimento por si só, de nada nos adianta.
Sofrer é estar sob ferros, presos à ignorância que é nossa verdadeira limitação e origem de nossas dores. O sofrimento embaça nosso discernimento do bem e do mal, atrasa a expansão da inteligência e – como consequência – retarda o desenvolvimento do livre-arbítrio. O aprendizado liberta-nos, conduz-nos através dos nossos propósitos evolutivos com a alma leve e ditosa, e nos alforria pela riqueza das nossas experiências.
Texto: Moysés Lopes Deus imprimiu à sua criação, através das leis naturais, harmonia e estabilidade. Qualquer força que as alterar estará – necessariamente – ligada a outra que as restabeleça. “O Evangelho Segundo o Espiritismo”, no mesmo capítulo VI, indaga: “Como há de alguém sentir- se ditoso por sofrer, se não sabe por que sofre?” foto arquivo MAIO.JUNHO.
